JMJ – Madrid 2011- Rio 2013

SÃO PAULO, sexta-feira, 26 de agosto de 2011 (ZENIT.org) – A Jornada Mundial da Juventude de Madrid, de 16 a 21 de agosto, foi uma bonita manifestação do rosto jovem da Igreja. O calor tórrido, que virou tempestade de verão justamente durante a vigília de mais de 2 milhões de jovens com o papa Bento 16, não impediu que a cidade se enchesse de vida e alegria juvenil, mesclando celebrações e catequeses em dezenas de igrejas, festa colorida com as bandeiras de 170 países representados. Por onde se olhasse, viam-se grupos de jovens com chapéus e mochilas da Jornada, entrando e saindo das estações de metrô, das igrejas, dos museus, sentados nas praças e parques, tomando lanche, interagindo, mesmo sem falarem a mesma língua, mas seguros de terem muito em comum.

Apenas um incidente foi registrado quando, na calada de uma noite, um grupo de “inconformados” organizou um protesto por supostos, mas negados, gastos do governo espanhol com a Jornada; tentaram invadir uma festa da juventude numa praça central de Madrid; a polícia interveio e garantiu a segurança dos jovens. A Jornada prosseguiu com uma programação intensa e a multidão dos “jovens do Papa” conquistou o coração dos madrilenhos.

Bento 16 encontrou diversas juventudes, mostrando alguns focos para as atenções da Igreja: aos seminaristas, que lotaram a bela catedral gótica de Nossa Senhora da Almudena, mostrou seu afeto e os exortou a continuarem “firmes na fé, edificados e enraizados em Cristo”, buscando nos estudos e na formação pessoal, corresponder ao chamado de Deus; às jovens religiosas, no Escorial, pediu que testemunhem o Evangelho através de sua consagração total a Cristo, num mundo cada vez mais descrente e necessitado de sinais fortes de Deus e de fé cristã.

Antes de se dirigir ao aeroporto “Quatro Ventos”, uma espécie de Campo de Marte em Madrid, para encontrar os mais de 2 milhões de jovens que lotavam os espaço, o papa fez uma visita ao Instituto São José, dos Irmãos Hospitaleiros de São João de Deus, onde recebem atenção e cuidados crianças e jovens com deficiência. Foi um encontro comovente. Bento 16 foi acolhido festivamente também por esses jovens e lhes assegurou o respeito e o carinho da Igreja; suas palavras foram transmitidas ao vivo e com imagens para a multidão de jovens rumorosos e cheios de vida, que o esperavam impacientes, já fazia horas. Um grande silêncio se fez na multidão. Falou da dignidade intocável de cada ser humano, não importando, suas capacidades; “com frequência, a dignidade dessas pessoas é posta em dúvida”, disse o papa, referindo-se a uma lógica materialista e utilitarista, que avalia as pessoas conforme sua eficiência, seu “custo social” e suas possibilidades de produção e consumo… Aos religiosos, familiares, voluntários e  profissionais que assistem aos jovens com deficiência, o papa assegurou sua estima e lembrou as palavras de Cristo: “foi a mim que o fizestes”.

Finalmente, o “papa-móvel” adentrou o amplo espaço de “Quatro Ventos”; a aclamação de milhões de vozes, o agitar de milhares de bandeiras e os cânticos festivos não conseguiram, porém, espantar as nuvens ameaçadoras, que já prenunciavam uma tempestade…  Jovens espanhóis levam solenemente a cruz das Jornadas para o palco. A vigília tem início e o Evangelho é proclamado. Os jovens escutam. O papa começa a sua homilia, mas é obrigado a interromper. O vento é forte! Os jovens acolhem com alegria a chuva forte que os refresca, depois de terem passado o dia sob um sol de 35 graus! O programa é ajustado; passa-se direto à adoração e à bênção eucarística. O papa deseja bom descanso e “até amanhã” aos jovens, que passam a noite em vigília, ali mesmo…

O domingo chegou ensolarado. Aos jovens juntam-se cerca de 13 mil padres e mais de 800 bispos para celebrarem a Eucaristia com o papa. Também o rei Juan Carlos e a rainha estão presentes. Os jovens brasileiros estão ansiosos, pois todos já falam do anúncio que o papa fará no final da missa. Bento 16 saúda os jovens e lhes pergunta como passaram a noite, dizendo que ficou preocupado e não deixou de pensar neles… A missa é solene. O Evangelho é o da profissão de fé de Simão Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!”. O papa pediu aos jovens de 170 países que levem esse testemunho de fé em Cristo “para todos os povos”; não mera informação impessoal, mas a manifestação de um encontro pessoal e vivo com Cristo. E convidou-lhes a crescerem na fé, amparados no testemunho da Igreja, na comunidade de fé viva, sem a pretensão de seguir Jesus de modo solitário e individualista: “isso leva a uma falsa compreensão de Cristo e do Evangelho! Apoiem-se na fé dos irmãos e também sejam uma ajuda para a fé dos outros!”

No final da missa, na voz do papa, o anúncio esperado: “A próxima Jornada será em 2013, no Rio de Janeiro!” Um caloroso brado de acolhida de mais de 16 mil jovens brasileiros ecoou para os quatro ventos!  O governador e o prefeito do Rio estavam lá e bateram palmas; também Gilberto Carvalho, representante da presidente da República. Dom Orani, arcebispo do Rio, recebeu o abraço do arcebispo de Madrid; jovens espanhóis entregaram a cruz e o ícone das Jornadas a um grupo de jovens enrolados em bandeiras do Brasil. Foi festa brasileira na Espanha. Todos foram convidados para a Jornada Mundial da Juventude do Rio. A preparação já começou e é tarefa para toda a Igreja no Brasil! E o papa deu a bênção a todos.

Publicado no jornal O SÃO PAULO, edição de 23/08/2011

Cardeal Odilo Pedro Scherer é arcebispo de São Paulo

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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