«Jesus de Nazaré»: Mal da humanidade não é ignorado por Deus

Novo livro do Papa fala na «sonolência» dos cristãos diante da injustiça e do sofrimento que «devastam a Terra»Lisboa, 10 Mar (Ecclesia) – O novo livro de Bento XVI, hoje publicado, destaca que Deus “não pode pura e simplesmente” ignorar o mal da história ou tratá-lo como algo “irrelevante e insignificante”.

No segundo volume da sua obra sobre «Jesus de Nazaré», o Papa convida cada um a assumir responsabilidades pela “realidade do mal, da injustiça que deturpa o mundo e ao mesmo tempo inquina a imagem de Deus”.

Neste contexto, os cristãos, em particular, têm um papel a desempenhar contra “o poder do mal no mundo”, toda “a injustiça e com todo o sofrimento que devastam a Terra”.

“A sonolência dos discípulos permanece, ao longo dos séculos, a ocasião favorável para o poder do mal”, lamenta o Papa.

“É um embotamento que prefere não se dar conta de tudo isso; tranquiliza-se com o pensamento de que tudo, no fundo, não é assim tão grave, podendo deste modo continuar a autocomprazer-se na sua própria vida saturada”, acrescenta.

Bento XVI escreve que “o próprio Deus «bebe o cálice» de tudo aquilo que é terrível e, assim, restabelece o direito por meio da grandeza do seu amor, o qual, através do sofrimento, transforma a escuridão”.

Diante da injustiça, prossegue, “o mal real não pode pura e simplesmente ser ignorado, ser deixado em paz. Deve ser transformado, vencido”.

“Visto que no Homem Jesus está presente o bem infinito, agora, na história do mundo, está presente e activa a força antagonista de qualquer forma de mal; o bem é sempre infinitamente maior do que toda a mole do mal, por mais terrível que esta se apresente”, precisa.

O Papa afirma que “todos precisam da misericórdia do Senhor” e aponta o dedo aos “pretensos sábios”, incapazes de reconhecer a “própria verdade”.

A Igreja, diz ainda, responde ao “amor carinhoso de Deus com vinagre, com um coração azedo que não quer saber do amor de Deus”.

“Voltamos sempre a encontrar-nos no hoje abissal do sofrimento; mas também a ressurreição e a saciedade dos pobres se verificam sempre já «hoje»”, diz Bento XVI.

O livro volta a critica o “embotamento das almas, esta falta de vigilância seja quanto à proximidade de Deus, seja quanto à força ameaçadora do mal confere ao maligno um poder no mundo”.

“Vigilância significa sobretudo abertura ao bem, à verdade, a Deus, no meio de um mundo muitas vezes inexplicável e no meio do poder do mal. Significa que o homem procure com todas as forças e com grande sobriedade praticar o que é justo, vivendo não segundo os seus próprios desejos, mas sob a orientação da fé”, conclui.

A segunda parte de «Jesus de Nazaré» vai ser apresentada esta tarde no Vaticano, em conferência de imprensa, com a presença do cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, e de Claudio Magris, escritor e germanista.

O livro, em nove capítulos, é uma reflexão bíblica e teológica que percorre os últimos dias de Jesus, um ciclo que a Igreja Católica celebra na Semana Santa e Páscoa

OC

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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