«Jesus de Nazaré»: Cristãos devem afastar «alienação»

Ausência de Deus é «problema essencial» de toda a história, diz Bento XVI

Lisboa, 10 Mar (Ecclesia) – O novo livro de Bento XVI assinala que a missão dos cristãos passa por “conduzir o «mundo» para fora da alienação em que vive o homem relativamente a Deus e a si próprio”.

Numa passagem do quarto capítulo da obra «Jesus de Nazaré. Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição», hoje publicada, Joseph Ratzinger afasta a interpretação dada ao termo “alienação” por Karl Marx e diz que “o facto de os homens não estarem reconciliados com Deus, com o Deus silencioso, misterioso, aparentemente ausente e todavia omnipresente, constitui o problema essencial de toda a história do mundo”.

Aos discípulos de Jesus, acrescenta, compete fazer com que “o mundo volte a ser de Deus, e o homem, unido a Deus, volte a ser totalmente ele próprio”.

Segundo o Papa, “o universo foi criado não para que existam muitos astros e tantas outras coisas, mas para que haja um espaço para a «aliança», para o «sim» do amor entre Deus e o homem que Lhe responde”.

“O cristão não acredita numa multiplicidade de coisas; no fundo, crê simplesmente em Deus, crê que existe somente um único e verdadeiro Deus”, declara.

Bento XVI aborda, nesta passagem do segundo volume de «Jesus de Nazaré» a questão da «Vida eterna», que apresenta como “a vida no sentido mais próprio e verdadeiro, a qual pode ser vivida mesmo neste tempo e contra a qual, depois, já nada pode fazer a morte física”.

“É isto que interessa: abraçar desde já «a vida», a vida verdadeira, que já não pode ser destruída por nada nem por ninguém”, propõe.

“O homem encontra a vida quando se une Àquele que é em Si mesmo a vida. Então, nele, muitas coisas podem ser destruídas; a morte pode tirá-lo da biosfera, mas a vida que a transcende, a vida verdadeira, permanece”, acrescenta Joseph Ratzinger.

O actual Papa lembra que os primeiros cristãos se chamaram “simplesmente «os viventes»”, considerando que “tinham encontrado aquilo que todos procuram: a própria vida, a vida plena e, por isso, indestrutível”.

Bento XVI apresenta a mudança realizada por Jesus em relação aos ritos judaicos da expiação do mundo: “Se podemos dizer que, no Antigo Testamento, a imanência de Deus se dava na dimensão da palavra e da observância litúrgica, agora esta imanência tornou-se ontológica: em Jesus, Deus fez-Se homem”.

A segunda parte de «Jesus de Nazaré» vai ser apresentada esta tarde no Vaticano, em conferência de imprensa, com a presença do cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, e de Claudio Magris, escritor e germanista.

O primeiro volume, publicado há quatro anos, era dedicado ao início da chamada vida pública de Cristo (desde o Baptismo à Transfiguração) e uma terceira parte está a ser escrita por Bento XVI, que vai abordar os chamados «Evangelhos da infância».

Toda a obra começou a ser elaborada nas férias de 2003, antes da eleição de Joseph Ratzinger como Papa.

OC

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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