Iraque: “Não enganem os cristãos!”

Arquidiácono
exige defesa dos seguidores de Jesus

KÖNIGSTEIN
IM TAUNUS, terça-feira, 18 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – O
arquidiácono Emanuel Youkhana, coordenador da ajuda humanitária às famílias
cristãs no Iraque, exigiu, numa conversa com a associação católica Ajuda à
Igreja que Sofre, que o mundo ocidental e o governo iraquiano “‘deem nomes
aos bois’, ou seja, que reconheçam que os cristãos são vítimas de ataques
sistemáticos que buscam fazê-los abandonar o país”.

O Pe.
Emanuel criticou o fato de o governo iraquiano negar isso e de que, na
comunidade internacional, cada vez mais surjam vozes que afirmam que o terror
“não se dirige aos cristãos, mas a todos”. Também enfatizou que não é
suficiente condenar o que aconteceu.

“A
Constituição deve dar aos cristãos os mesmos direitos e não convertê-los em
cidadãos de segunda ou terceira”, exigiu o arquidiácono, acrescentando que
tampouco basta “simplesmente limitar-se a proteger as igrejas, porque… o
que acontece então com as escolas, com as casas, com a vida cotidiana?”.

O
presbítero disse que a vida dos cristãos sofre cada vez mais restrições e
muitos só pensam em fugir.
De um milhão de cristãos que havia, restam apenas cerca de
300 mil, afirmou.

Em sua
opinião, a tarefa mais importante das Igrejas cristãs é infundir a confiança e
esperança. “Mesmo antes que o país caísse, as pessoas desmoronaram
psicologicamente. O país inteiro está traumatizado”, explicou, ressaltando
que as terapias para tratar dos traumas são especialmente importantes para
crianças e jovens.

O
arquidiácono vê a necessidade de reparar o dano social, resultado de guerras e
conflitos internos violentos, e restaurar a consciência da dignidade humana.

Para ele, a
Igreja tem um papel importante aqui, porque transmite uma mensagem de esperança
e porque diz: “Não tenham medo!”. No entanto, reconheceu que é
importante também o apoio material, pois o próprio Jesus não se limitou a
pregar, mas ajudou de forma concreta e material.

Em sua
opinião, o futuro dos cristãos do Iraque não depende deles. O governo iraquiano
não faz nada e os cristãos estão “indefesos, mas não desesperados”. O
arquidiácono disse que a esperança não pode se basear em palavras, mas, no
entanto, é importante que a mídia informe sobre a situação dos cristãos.

A Igreja e
as associações como a Ajuda à Igreja que Sofre são um “forte apoio moral e
material”, mas a Igreja não dispõe dos recursos necessários para preparar
toda a infraestrutura ou para operar mudanças políticas. “Aqui, disse o
Pe. Youkhana, os governantes têm de agir.”

Alguns
especialistas dizem que a contínua perseguição de cristãos no Iraque é a pior
de todos os tempos. Algumas semanas atrás, uma célula iraquiana do grupo
terrorista Al Qaeda declarou a todos os cristãos do Oriente Médio
“objetivos legítimos” de ataques. E os atentados e sequestros não
param.

Compartilhe!

    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
    Adicionar a favoritos link permanente.