Inseminação Artificial: Problemas – EB

Em síntese: A revista VEJA de 12/7/06 mostra os problemas resultantes da inseminação artificial: multiplicam-se os gêmeos, trigêmeos ou até mesmo mais, dando insano trabalho e acarretando despesas quase impraticáveis em muitos casos. Pode-se ver nesses fatos a réplica da natureza, que, violada em seu curso normal, protesta contra quem a manipula. Há muitos bebês abandonados que bem poderiam merecer o carinho de casais biologicamente estéreis, mais ricos em afetividade e dedicação a crianças.

A revista VEJA, edição de 12 de julho 2006, pp. 108-111, traz uma reportagem intitulada “Amor (e problemas) demais” abordando o tema da inseminação artificial e dos problemas que ela acarreta. Proporemos, a seguir, o texto de VEJA, ao qual se seguirão breves comentários.

1. Surpreendentes conseqüências da “solução”

Muitos casais biologicamente impedidos de ter filhos por via natural, têm recorrido à inseminação artificial ou em proveta, na esperança de assim conseguir a desejada prole. Eis, porém, que imprevistas conseqüências vêm apavorando esses casais, como se depreende da citada reportagem. Com efeito, durante muito tempo a técnica mais usual recomendava que fossem inseminados até seis ovos de cada vez. O objetivo era garantir a eficácia do procedimento e evitar o sofrimento causado pelo fracasso de sucessivas tentativas. O avanço da técnica permite implantar um número menor de embriões desde que sejam bem selecionados. Acontece, porém, que a seleção é tão bem feita que se verifica o nascimento de mais de uma criança, causando grande embaraço ao casal. Eis o quadro que VEJA apresenta:

Explosão demográfica…

Desde o nascimento de Louise Brown, o primeiro bebê de proveta, o número de gêmeos, trigêmeos e quadrigêmeos aumentou vinte vezes no mundo. Em cada 100 nascimentos que resultam de tratamentos de fertilização, mais da metade é de múltiplos. Veja algumas estatísticas:

Nos Estados Unidos entre 1978 e 2000, o número de gêmeos dobrou. O de trigêmeos e quadrigêmeos aumentou 600%.

Desde 1990, ainda nos EUA, a taxa de nascimento de múltiplos entre mulheres com idade entre 40 e 44 anos cresceu 80%. Passou de 24 para 44 a cada 100 nascimentos. Entre as mulheres com idade entre 45 e 49 anos, o crescimento foi de quase 600% (de 24 para 155 a cada 1000 nascimentos).

Nas sete melhores maternidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, houve aumento de 27% no nascimento de gêmeos e de 14% no de trigêmeos entre 2001 e 2005.

Na Inglaterra,  1 em cada 34 bebês é gêmeo ou trigêmeo. Em 1980, essa relação era de 1 em cada 52 bebês.

… e de preocupações

As despesas com trigêmeos em seu primeiro ano de vida são dez vezes maiores do que as com os bebês únicos. Um dos maiores custos aparece logo depois do nascimento: múltiplos costumam ficar na UTI neonatal e necessitam de acompanhamento especial de uma equipe multidisciplinar. Os gastos não são os únicos fatores de inquietação dos pais

A incidência de partos antes do tempo cresceu quase 30% nos últimos 25 anos nos Estados Unidos, principalmente por causa dos avanços na reprodução assistida.

Gêmeos correm quatro vezes mais riscos de morrer no fim da gestação ou na primeira semana de vida; entre trigêmeos esse risco é sete vezes maior.

Gêmeos nascem, em média, em torno da 37ª semana de gestação e trigêmeos com cerca de 34 semanas de gestação (o período completo seria de quarenta semanas).

Gêmeos nascem em média com  2,5 quilos e trigêmeos com 1,8 quilo (o peso de um único bebê é de 3,5 quilos em média).

A prematuridade pode causar atraso no desenvolvimento intelectual das crianças. Bebês nascidos com peso inferior a 1 quilo correm maior risco de ter QI abaixo da média. Um em cada dez prematuros apresenta distúrbios neurológicos e, aos 6 anos, metade demonstra dificuldade de aprendizagem.

2. Que dizer?

A inseminação artificial procura chegar à fecundação do óvulo e ao parto mediante recursos não naturais, como são a proveta, a barriga de aluguel e outros.

Há dois tipos de fecundação artificial: a heteróloga e a homóloga.

A fecundação artificial heteróloga utiliza a semente vital ou a colaboração de uma terceira pessoas além do marido e da mulher. Ora tal procedimento fere as leis da natureza, que são as leis de Deus; equipara a reprodução humana à do gado, manipulando sementes fora do organismo humano, como se faria com animais irracionais. Põe-se de lado o específico da reprodução humana, que deve ser o fruto da intimidade de esposo e esposa comprometidos para formar um lar que possa acolher a prole. Não se pode portanto admitir a intervenção de uma terceira pessoa doadora de semente ou realizando a gestação que compete à mãe da criança.

A fecundação artificial homóloga efetua-se dentro do casal. É ilícita se utiliza proveta ou promove a fecundação fora do organismo feminino. Pode-se aceitar, porém, a intervenção da técnica para fortalecer a ação da natureza, sustentando-a e ajudando-a para que atinja a fecundação almejada. Acontece, porém, que esse fortalecimento da natureza dentro do organismo feminino, sem extração da semente vital, é muito difícil ou impraticável na realidade concreta.

São estas as razões pelas quais a Ética filosófica e a Moral católica rejeitam a inseminação artificial como vem sendo praticada em nome da ciência cada vez mais avançada. A rejeição é confirmada pelos indesejáveis resultados que VEJA, sem preconceito religioso, vem apontando na citada edição. A natureza replica quando violada, seja qual for o tipo de transgressão que se inflija às suas leis.

Para atender ao legítimo anseio de casais estéreis (biologicamente), mas fecundos em carinho, pode-se indicar a adoção de crianças, principalmente quando adotadas em seus primeiros dias após o nascimento. São muitos os bebês que nascem em condições inóspitas e necessitam do amparo de uma família hospitaleira. Assim se poderia diminuir o número de bebês jogados no lixo ou lançados fora na rua ou em lugar deserto. São beneméritos os cônjuges que se dispõem a prestar tal serviço a si mesmos e a crianças entregues à morte por falta de condições para ser educadas por quem as gerou.

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, Osb
Nº 532, Ano 2006, Página 467

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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