Imaculada Conceição: luz para o interior da alma

Exortação do arcebispo de Lyon no Festival das Luzes

LYON, (9/11/2011 – ZENIT.org) – Para a Festa da Imaculada Conceição de Maria, tradicionalmente celebrada em Lyon, na França, com o “Festival das Luzes”, a arquidiocese local lançou um novo apelo a todas as pessoas de boa vontade: “Iluminem também o seu interior”.

O cardeal arcebispo de Lyon, Philippe Barbarin, disse que espera que as “jornadas de missão”, de 8 a 11 dezembro, sejam uma oportunidade para “expor a beleza” e “a luz “da Igreja. Cerca de três milhões de pessoas são esperadas em Lyon. Por iniciativa da Igreja, a cidade foi recentemente “invadida” por grandes cartezes que dizem “Obrigado, Maria!”, com uma imagem de Nossa Senhora iluminada por luzes vermelhas, que brilham na escuridão da noite.

Uma tradição secular

A colina de Fourvière é um lugar simbólico da devoção mariana desde a Idade Média. No século XVII, os cidadãos de Lyon foram poupados da praga que assolava o sul da França ao se colocarem sob a proteção da Virgem Maria.

A história das luzes, no entanto, remonta a 1852. O campanário da antiga capela foi reconstruído em Fourvière e deveria ser inaugurado em 8 de dezembro, festa da Imaculada. Naquele dia, uma chuva torrencial caiu sobre a cidade, mas, à noite, o céu se abriu e a chuva parou. A tradição diz que todos os cidadãos, sem terem combinado nada, iluminaram suas casas e seus locais de trabalho, e todos saíram às ruas alegres, cantando hinos a Maria. Desde então, todos os anos, na noite de 8 de dezembro, os cidadãos de Lyon iluminam a cidade para a solenidade da Imaculada Conceição.

“Ilumine também seu interior”

Falando para “todos aqueles que acendem velas nas janelas na noite da Imaculada Conceição, e para as multidões de visitantes que vêm admirar a nossa bela cidade nesses quatro dias do Festival das Luzes”, o arcebispo de Lyon propõe uma jornada espiritual de redescoberta da interioridade: “Iluminem também o seu interior”.

O cardeal Barbarin convida todos a aceitarem o “dom que Deus deposita no coração dos seus filhos quando as portas estão abertas para Ele”. E “se todos os olhos estão voltados agora para Nossa Senhora de Fourvière”, o arcebispo exorta a escutar Maria, que “revela algo do tesouro da sua vida interior”.

Os “missionários do dia 8”

Em exortação pelo canal online de TV Lyon Fourvière, o primaz das Gálias convida os fiéis da sua diocese a participarem da “Mission du 8” (A missão do dia 8), “para sermos numerosos”.

Citando “uma das mais fortes frases missionárias de Jesus”, o cardeal recorda aos cristãos: “Vós sois a luz do mundo”. “Há no batismo de vocês uma fonte de luz interior”. Por isso é que o batismo é chamado de “sacramento da iluminação”.

O arcebispo disse que espera que a missão “mostre a beleza das coisas: mostre a todos os turistas, peregrinos, visitantes, que há uma luz maravilhosa destinada a eles, e que pode brilhar neles”. Trata-se de “expor a sua beleza”. “Conto com vocês não apenas para o grande espetáculo, mas para ajudar a abrir os corações à luz que refulge em nossa cidade e nos seus edifícios mais bonitos”.

Iniciativas para as crianças

Um dos slogans destas jornadas é “acolhimento”: nas esplanadas, nas igrejas, em torno de um chocolate quente ou de um vin brulé, durante as visitas ao patrimônio artístico, aos concertos, todos os visitantes serão recebidos pelos “missionários do dia 8”. Para esta recepção, o cardeal aconselha a “disponibilidade” e a “não imposição”.

Há três principais lugares da “missão”: a Basílica de Nossa Senhora de Fourvière, a catedral de Saint-Jean e o santuário de São Boaventura. Além destes santuários, contam-se as cerca de trinta paróquias de Lyon.

Os visitantes poderão descobrir as riquezas culturais da Igreja através de visitas guiadas, palestras, exposições e concertos. É uma ocasião para conhecer, por exemplo, a restauração da fachada da catedral de Saint-Jean, recém-terminada. As crianças também contam com programação própria durante as procissões, celebrações e orações da família. Neste 8 de dezembro, os visitantes podem participar ainda na subida das tochas, da catedral de Saint-Jean até a basílica de Nossa Senhora de Fourvière. Depois, a missa para os jovens é presidida pelo cardeal Barbarin.

Imaculada Conceição, um sinal de esperança

Em 8 de dezembro de 1854, com a bula Ineffabilis Deus, o papa Pio IX definiu o dogma nestes termos: “Nós declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que afirma que a Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua concepção, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em consideração dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original, é uma doutrina revelada por Deus e deve ser, por esta razão, firme e constantemente acreditada por todos os fiéis”.

Em outras palavras, é um antegozo, por parte de Maria, dos frutos da redenção operada por Cristo: ela foi preservada, desde a concepção, do “pecado original” que distingue todo ser humano. Para o cristão, lavado do pecado original pelo batismo, ela se torna o modelo da luta por uma vida de santidade. Os cristãos olham para Maria como sendo a promessa de Deus para toda a humanidade. É uma celebração da esperança.

Dom Patrick Le Gal, bispo auxiliar da diocese de Lyon, disse que “a salvação vem de Cristo, único Salvador de todos”. Portanto, “a graça da Imaculada Conceição vem de Cristo por antecipação”. “Quando celebramos a Imaculada Conceição, o que comemoramos em primeiro lugar é Cristo e o poder da salvação que Ele opera”.

Le Gal observa ainda que, se “hoje se fala mais do festival das luzes do que da Imaculada Conceição, é, talvez, porque o termo ‘Imaculada Conceição’ não seja fácil de entender. Seria desejável que os cristãos, especialmente os jovens, que ainda precisam investir a própria vida, pudessem entender a riqueza da salvação, o poder de libertação que o mistério de Cristo nos proporciona, e do qual a Imaculada Conceição é uma ilustração magnífica”, completa o bispo auxiliar.

***
Por Anne Kurian

Compartilhe!

    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
    Adicionar a favoritos link permanente.