Igreja, Instituição, Carisma

1.  Estrutura da Igreja – Não estava nos planos do
Jesus histórico

2. Concepção do dogma como mutável.

3. Exercício do poder sagrado – hierarquia mundanizada como
Roma.

12 Apóstolos – sucessão de Jacó (Jesus) e as tribos
(apóstolos)

Mt 13,11: “Porque a vós é dado compreender os mistérios
do reino dos céus”.

Mc 1,16-20: “Vinde após mim; eu vos farei pescadores de
homens”

Lc 22,28-30: “E vós tendo permanecido comigo nas minhas
provações, eu, pois, disponho do Reino a vosso favor, assim como meu Pai o
dispôs a meu favor, para que comais e bebais à minha mesa no meu Reino e vos
senteis em tronos, para julgar as doze tribos de Israel”.

 

Lc 12, 32 – Não temas, pequeno rebanho, porque foi do agrado
do Pai dar-vos o reino. 

 

Lc 24, 48 – Vós sois as testemunhas de tudo isso. Eu vos
mandarei o Prometido de meu Pai, entretanto permanecei na cidade, até que
sejais revestidos do poder do alto.

At1, 8 – sereis   minhas testemunhas aqui em
Jerusalém…

Mt 28,18:  “Ide pelo mundo inteiro, pregai o
Evangelho a toda criatura.

Mt 10,40 “Quem vos recebe a Mim recebe. E  quem me
recebe, recebe aquele que me enviou”.

Jo 17,18: “Como  tu  me  enviaste
ao  mundo também eu os enviei ao mundo”

Jo 20,21:”Como o Pai me enviou, eu também vos
envio”

 Jo 13,20 “Em verdade em verdade vos digo: quem recebe
aquele   que  eu  enviei recebe a mim; e quem me recebe,
recebe aquele que me enviou”

– 70 discipulos – 70 povos compunham  o mundo (Gen
10,1-32) – a versão Bíblia dos Setenta – um livro destinado a todas as nações.

– Escolheu  Pedro – Mt 16,18 – mesmo após a queda é
confirmado (Lc 22, 32; Jo 21,15)

Ef 2,20: “Consequentemente, já não sois hóspedes nem
peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus,
edificados sobre o fundamento dos Apóstolos…”

Ap 21,12-14: “Levou-me em espírito a um grande e alto
monte, e mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de
Deus, revestida da glória de Deus. Assemelhava-se a uma pedra preciosa, tal
como o jaspe cristalino. Tinha grande e alta muralha com doze portas, guardadas
por doze anjos. Nas  portas  estavam  gravados  os nomes
das doze tribos dos filhos de Israel. A muralha da cidade tinha doze
fundamentos com os nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro”.

 

 -Estabelece uma Nova Aliança – Transformou a Páscoa de
Israel em selo de uma nova Aliança de Deus com os homens. Cumpre-se a profecia
de Isaias: Servo de Javé, sofredor, une todos e reconciliados os leva a Deus
.(Is 52, 13-53,12)

– Eucaristia faz a Igreja – e a Igreja faz a Eucaristia

– Ekklesia (=convocação, chamamento dos que estavam longe) a
nova qahal

–  No Cenáculo – primeira reunião dos seguidores –
Maria (At 1, 12-26)

– Escolha  de Matias – por Pedro, por critério de Deus
– não voto.

– Pentecostes – At 2,1-14 – A Igreja é obra de Deus – 12
lugares)

– At 2, 42-47 – Ensinamento dos apóstolos (Palavra de 
Deus), fração do pão (Eucaristia), comunhão fraterna, oração. A Igreja nasce
católica e universal

– Jesus manda ouvir a Igreja (Mt 18,17).

– Roma – capital – sela a catolicidade da Igreja

– Santo Inácio de Antioquia (+107);

– “Segui  ao bispo, vós todos, como Jesus Cristo
ao Pai. Segui ao presbítero como aos apóstolos. Respeitai os diáconos 
como  ao  preceito de Deus. Ninguém ouse fazer sem o bispo coisa
alguma  concernente à Igreja. Como válida só  se  tenha  a
eucaristia celebrada sob a presidência do bispo ou de um delegado seu. A
comunidade se reúne onde estiver  o bispo  e onde está Jesus
Cristo  está  a  Igreja  católica. Sem a união do bispo não
é lícito batizar nem celebrar a eucaristia;  só o que tiver  a 
sua  aprovação  será  do  agrado de Deus  e assim será
firme e seguro o que fizerdes”. 

– Norma para escolha dos bispos: “Sejam escolhidos
entre quem seja irrepreensível, casado uma só vez, tenha filhos fiéis…”.

– At 20,28 : “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho
sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de
Deus, que Ele adquiriu com o seu próprio sangue Sei que depois de minha 
partida se introduzirão entre vós os lobos cruéis, que não pouparão o
rebanho”. Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir doutrinas
perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos” (At 20,30).

Santo Irineu (140-200):

 “Ora, todos esses hereges são de muito
posteriores aos bispos, aos quais os Apóstolos entregaram as Igrejas
[particulares]…Necessariamente, pois, tais hereges, cegos para a verdade,
mudam sempre de direção e disseminam as doutrinas de modo discordante e
incoerente. Ao contrário, o caminho dos que pertencem à Igreja cerca o universo
inteiro e, possuindo a firme tradição dos apóstolos, faz-nos ver que todos
possuímos a mesma fé” (Contra as Heresias).

 “Foi inicialmente na Judéia que [os 
apóstolos] estabeleceram a fé em Jesus Cristo e fundaram igrejas, partindo em
seguida para o mundo inteiro a fim de anunciarem a mesma doutrina  e a
mesma fé. Em todas as cidades iam fundando Igrejas das quais, desde esse momento,
as outras receberam o enxerto da fé, a semente da doutrina, e ainda recebem
cada dia para serem igrejas. É por isso mesmo que sejam consideradas como
apostólicas, na medida em que forem rebentos das igreja apostólicas.

É necessário  que tudo  se  caracterize
segundo a sua origem. Assim, essas igrejas, por numerosas e grandes que
pareçam, não são outra coisa que não a primitiva Igreja apostólica da qual
procedem. São todas primitivas, são todas apostólicas  e TODAS 
UMA  SÓ.  Para  atestarem  a  sua  unidade,
comunicam-se reciprocamente  na  paz, trocam entre si o nome de
irmãs, prestam-se mutuamente os deveres da hospitalidade…Desde o
momento  em  que  Jesus  Cristo,  nosso Senhor, enviou
os apóstolos para pregarem, não se podem acolher  outros  pregadores 
senão os que Cristo instituiu. Pois ninguém conhece o Pai senão o Filho e
aquele a quem o Filho tiver revelado.”

 “Nestas condições, é claro que toda doutrina em
acordo com a dessas igrejas apostólicas, matrizes e fontes originárias 
da  fé, deve  ser  considerada autêntica, pois contém o que tais
igrejas receberam dos apóstolos, os apóstolos de Cristo, e Cristo de Deus”
(Contra as Heresias ).

Cristo sim, Igreja não:

1- Exigências morais difíceis.

2- Recusa à mediação – contatos exclusivamente pessoais com
Deus. Igreja: ministra da consciência humana.

3- Vontade de total autonomia –  Senhor do bem e do
mal.

No Plano de Deus – “A convocação da Igreja é por assim
dizer a reação de Deus ao caos provocado pelo pecado”(CIC,761).

Paulo VI: “A Igreja! Ela é nosso amor constante, nossa
solicitude primordial, nosso pensamento fixo! … Não se ama a Cristo se não se
ama a Igreja; e não amamos a Igreja se não a amamos como a amou o Senhor:
“Amou a Igreja e por ela se entregou” (Ef 5,25)”.

LG 5 – A  Igreja tem “a missão  de anunciar e
estabelecer em todas as gentes o Reino de Cristo e de Deus, e constitui ela
própria na terra o germe e o início deste Reino” (LG ,5).

Santo Agostinho: “A Igreja recebeu as chaves do Reino
dos Céus para que se opere nela a remissão dos pecados pelo sangue de Cristo e
pela ação do Espírito Santo. É nesta Igreja que a alma revive, ela que estava
morta pelos pecados”.

Catecismo:

” Um projeto nascido no coração do Pai” (nº 759),

“Prefigurada desde a origem do mundo”(nº 760),

“Preparada na Antiga Aliança” (nº761),

“Instituída por Jesus Cristo”(nº 763),

“Manifestada pelo Espírito Santo” (nº 767),

“A  ser consumada na glória” (nº769),

” Mistério da união dos homens com Deus” (nº772),

“Sacramento universal da salvação” (nº774),

“Comunhão com Jesus” (nº787),

“Corpo de Cristo” (nº787),

“Esposa de Cristo” (nº796),

“Templo do Espírito Santo” (nº797),

“Povo de Deus” (nº781).

“O Senhor Jesus dotou a Sua comunidade de uma estrutura
que permanecerá até a plena consumação do Reino”( §761).

São Clemente (88-97), Bispo de Roma, quarto Papa da Igreja:

“Também os nossos Apóstolos sabiam, por Nosso Senhor
Jesus Cristo, que haveria contestações  a  respeito  da
dignidade episcopal. Por tal motivo e como tivessem perfeito conhecimento do
porvir, estabeleceram os acima mencionados e deram, além disso, instruções no
sentido de que, após a morte deles outros homens comprovados lhes sucedessem em
seu ministério. Os  que assim foram instituídos por eles, ou mais tarde
por outros homens iminentes com a  aprovação de toda a Igreja, e 
serviram de modo irrepreensível ao rebanho de Cristo com humildade, pacífica e
abnegadamente, recebendo por longo tempo e da parte de todos o testemunho
favorável, não é justo em nossa opinião que esses sejam depostos de seu
ministério” (Cor 42, 1-3).

“Os Apóstolos receberam a boa-nova em nosso favor da
parte do Senhor Jesus Cristo. Jesus Cristo foi enviado por Deus. Cristo
portanto vem de Deus e os Apóstolos de Cristo; essa dupla missão realizou-se
pois em perfeita ordem por vontade de Deus…  Assim, proclamando a
palavra de Deus no interior e nas cidades, estabeleciam suas primícias, como
Bispos e Diáconos, dos futuros fiéis, depois de prová-los pelo Espírito Santo”
(Cor 42,1-4).

Falando sobre isso diz o último Concílio:

“Esta missão divina, confiada por Cristo aos Apóstolos
deverá durar até o fim dos séculos (Mt 28,20), pois o Evangelho, que eles devem
transmitir, é para a Igreja o princípio de toda sua vida, através dos tempos.
Por isso os Apóstolos, nesta sociedade hierarquicamente organizada, cuidaram de
constituir  os seus sucessores. De fato, não só se rodearam de vários
colaboradores no ministério, mas, para que a missão a eles confiada tivesse
continuidade após a sua morte, os Apóstolos, quase por testamento, incumbiram
os seus cooperadores imediatos de terminar e consolidar a obra por eles
começada… Constituíram assim os seus sucessores e dispuseram que,  por
morte destes, fosse confiado o seu ministério a outros homens
experimentados” (LG,20).

LUMEN GENTIUM

O Espírito santificador da Igreja

O Espírito habita na Igreja e nos corações dos fiéis, como
num templo (cf. 1Cor 3,16; 6,19): neles ora e dá testemunho de que são filhos adotivos
(cf. GI 4,6; Rm 8,15-16 e 26). Leva a Igreja ao conhecimento da verdade total
(Jo 16,13), unifica-a na comunhão e no ministério, dota-a e dirige-a com
diversos dons hierárquicos e carismáticos, e embeleza-a com os seus frutos (cf.
Ef 4,11-12; 1Cor 12,4; Gl 5,22). 22,17).

A Igreja ao mesmo tempo visível e espiritual

8. Cristo, Mediador único, constituiu e sustenta
indefectivelmente sobre a terra, como organismo visível, a sua Igreja santa,
comunidade de fé, de esperança e de amor, (9) e por meio dela comunica a todos
a verdade e a graça. Contudo, sociedade dotada de órgãos hierárquicos e corpo
místico de Cristo, assembléia visível e comunidade espiritual, Igreja terrestre
e Igreja já na posse doa bens celestes, não devem considerar-se coisas independentes,
mas constituem uma realidade única e complexa, em que se fundem dois elementos,
o humano e o divino. (10) Não é, por isso, criar uma analogia inconsistente
comparar a Igreja ao mistério da encarnação. Pois, assim como a natureza
assumida pelo Verbo divino lhe serve de órgão vivo de salvação, a ele
indissoluvelmente unido, de modo semelhante a estrutura social da Igreja serve
ao Espírito de Cristo, que a vivifica, para fazer progredir o seu corpo místico
(cf. Ef 4,16). (11)

Esta á a única Igreja de Cristo, que no símbolo professamos
una, santa, católica e apostólica, (12) e que o nosso Salvador, depois de sua
ressurreição, confiou a Pedro para que ele a apascentasse (Jo 21,17),
encarregando-o, assim como aos demais apóstolos de a difundirem e de a
governarem (cf. Mt 28, 18 ss), levantando-a para sempre como “coluna e
esteio da verdade” (1Tm 3,15). Esta Igreja, como sociedade constituída e
organizada neste mundo, subsiste na Igreja católica, governada pelo sucessor de
Pedro e pelos bispos em comunhão com ele, (13) ainda que fora do seu corpo se
encontrem realmente vários elementos de santificação e de verdade, elementos
que, na sua qualidade de dons próprios da Igreja de Cristo, conduzem para a
unidade católica.

O poder sagrado

18. Cristo nosso Senhor, com o fim de apascentar o povo de
Deus e aumentá-lo sempre mais, instituiu na sua Igreja vários ministérios que
se destinam ao bem de todo o corpo. Na verdade, os ministros que são revestidos
do poder sagrado, estão ao serviço de seus irmãos, para que todos os que
pertencem ao povo de Deus e gozam, portanto, da verdadeira dignidade cristã,
tendam livre e ordenadamente para o mesmo fim e cheguem à salvação.

Este sagrado Concílio, seguindo a linha do Concílio Vaticano
1, ensina e declara que Jesus Cristo, Pastor eterno, instituiu a santa Igreja,
enviando os apóstolos como ele próprio fora enviado pelo Pai (cf. Jo 20,21), e
quis que os sucessores destes, os bispos, fossem os pastores na sua Igreja até
o fim do mundo. E para que o Episcopado continuasse único e unido, estabeleceu
Pedro na chefia dos apóstolos, e assentou nele o princípio e o fundamento,
perpétuos e visíveis, da unidade de fé e de comunhão. (1) Este santo Concílio
propõe de novo, firmemente, à fé de todos os fiéis, a doutrina da instituição,
perpetuidade, poder e natureza do sacro primado do Romano Pontífice e do seu
infalível magistério e, prosseguindo no mesmo desígnio, quer afirmar e declarar
publicamente a doutrina acerca dos bispos, sucessores dos apóstolos, que com o
sucessor de Pedro, vigário de Cristo (2) e cabeça visível de toda a Igreja,
governam a casa do Deus vivo.

A instituição dos doze apóstolos

19. O Senhor Jesus, depois de ter orado ao Pai, chamou a si
os que ele quis e escolheu os doze para estarem com ele e para os enviar a
pregar o reino de Deus (cf. Mc 3,13-19; Mt 10,1-42); a estes apóstolos (cf. Lc
6,13) constituiu-os sob a forma de colégio, isto é, de grupo estável, cuja
presidência entregou a Pedro, escolhido dentre eles (cf. Jo 21,15-17).
Enviou-os primeiramente aos filhos de Israel, e depois a todas as gentes (cf.
Rm 1,16) para que, com o poder que lhes entregava, fizessem de todos os povos
discípulos seus, os santificassem e governassem (cf. Mt 28,16-20; Mc 16,15; Lc
24,45-48; Jo 20, 21-23) e, assim guiados pelo Senhor, dilatassem a Igreja e a
apascentassem com o seu ministério, todos os dias até a consumação dos séculos
(cf. Mt 28,20). Foram confirmados plenamente nesta missão no dia de Pentecostes
(cf. At 2,1-26), segundo a promessa do Senhor: “Recebereis a virtude do
Espírito Santo que descerá sobre vós e sereis minhas testumunhas”.

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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