Igreja Infalível (Parte 1)

Como a Igreja foi fundada por Jesus para levar os homens à salvação, pelo “conhecimento da verdade” (1 Tm 3,15), então, o Senhor garantiu a ela a infalibilidade naquilo, e só naquilo, que se refere à salvação dos fiéis; isto é, nos ensinamentos doutrinários. Assim, a mensagem do Evangelho não ficaria à mercê da manipulação dos homens, como sempre se tentou na história da Igreja.
Sem a garantia da infalibilidade para o Magistério da Igreja, podemos dizer que teria sido inútil a Revelação Divina, pois ela seria deteriorada ao chegar até nós, e não teria a força da salvação.

O Papa João Paulo II ao apresentar o novo Catecismo disse:
“Guardar o depósito da fé é a missão que o Senhor confiou à Sua Igreja e que ela cumpre em todos os tempos” (FD, introdução).
Esta é portanto “a missão” sagrada que a Igreja recebeu do Senhor: “guardar o depósito da fé”, intacto; e isto a Igreja sempre fez e faz. É com esta finalidade que a Santa Sé possui a “Sagrada Congregação Para a Doutrina da Fé”,  encarregada de zelar pela pureza da doutrina em todo o mundo católico. Infelizmente essa Sagrada Congregação, da maior importância para a Igreja e para a nossa salvação, muitas vezes é criticada dentro da própria Igreja, especialmente quando ela chama a atenção daqueles teólogos que começam a caminhar fora da doutrina da Igreja, confirmada pelo Espírito Santo em toda a caminhada de dois mil anos da Igreja. Mas é preciso dizer que essa Congregação é de inteira confiança do Papa, assim como as demais. Assim ele se expressou aos seus membros, no encerramento da Assembléia Plenária dessa Congregação, no dia 24 de novembro de 1995:
“O vosso trabalho, em muitos aspectos difícil e empenhativo, é de importância fundamental para a vida cristã. Com efeito, ele tem por objetivo a promoção da integridade e da pureza da fé, condições essenciais para que os homens e as mulheres do nosso tempo possam encontrar a luz para entrar na via da salvação” [LR, Nº 50, 16/12/95,pag 14(614)].
A Igreja tem a missão de fazer “resplandecer a verdade do Evangelho”, disse o Papa.
“Ao Concílio, o Papa João XXIII tinha confiado como tarefa principal guardar e apresentar melhor o precioso depósito da doutrina cristã (…)” (FD, Introdução).
A grande preocupação da Igreja sempre foi ser fiel ao seu Senhor, guardando intacto aquilo que d’Ele recebeu, o “depositum fidei” (depósito da fé), ou, como dizia São Paulo a Timóteo e a Tito, a “sã doutrina”.
Podemos notar que nas Cartas pastorais que São Paulo escreveu a S.Timóteo e a S.Tito, a quem ordenou bispos, a grande preocupação do Apóstolo é com a doutrina, para que essa não se corrompesse com o passar do tempo e com a transmissão oral ou escrita. Veja essas passagens:
“Torno a lembrar-te a recomendação que te dei…, para impedir que certas pessoas andassem a ensinar doutrinas extravagantes”(1Tm1,3).
“Recomenda esta doutrina aos irmãos, e serás bom ministro de Jesus Cristo, alimentando com as palavras da fé e da sã doutrina” (1Tm4,6).
“Quem ensina de outra forma (…), é um obcecado pelo orgulho, um ignorante (…)” (1Tm 6,3-4).
“ÓTimóteo, guarda o bem que te foi confiado!”(1Tm 6,20).
“Guarda o precioso depósito!” (2 Tm1,14).
“Porque virá tempo que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação” (2 Tm 4,3).

A São Tito, vemos as mesmas recomendações de São Paulo. Falando das qualidades que deve ter o bispo, ele diz:
” (…) firmemente apegado à doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder exortar segundo a sã doutrina e rebater os que a contradizem”(Tt 1,9).
“O teu ensinamento, porém, seja conforme a sã doutrina (…) (Tt 2,1).
” (…) mostra-te em tudo modelo de bom comportamento: pela integridade da doutrina (…)”(Tt 2,7).
“Certa é esta doutrina, e quero que a ensines com constância e firmeza (…) (Tt 3,8).

Na sua grande preocupação com a sã doutrina, S.Paulo diz aos gálatas, com toda severidade:
“Não há dois evangelhos: há pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que alguém ” nós, ou um anjo baixado do céu ” vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema [maldito]. Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado!”(Gl 1,7-10).
Ao longo da sua história a Igreja realizou 21 Concílios Ecumênicos (universais) para manter intacta essa “sã doutrina”. Foram muitas vezes momentos difíceis para a Igreja, porque, por não aceitar a verdade muitos irmãos se separaram da unidade católica; mas foram momentos de luzes para a caminhada da Igreja. Falando desses Concílios, disse o Papa João Paulo II:
“Os grandes Concílios foram momentos de graça para a vida da Igreja universal (…). Eles representam um ponto de referência indiscutível para a Igreja universal”.
“Esses foram momentos de graça, através dos quais o Espírito de Deus concedeu luzes abundantes sobre os mistérios fundamentais da fé cristã” (LR, nº 28, 13/7/96).
É sobretudo nos Concílios que a Igreja exerce a sua infalibilidade em matéria de fé e de moral. Não se conhece na história da Igreja (de 2000 anos!) uma verdade da fé que um dos Concílios, legítimos, tenha ensinado e que outro tenha revogado. Essa ocorrência doutrinária é uma prova da infalibilidade, já que o Espírito Santo, o grande Mestre da Igreja, não se contradiz. Ele não pode revelar à Igreja uma verdade hoje, que seja diferente, na essência, daquilo que Ele revelou ontem.

Um dia Jesus disse aos Apóstolos:
“Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será desligado no céu” (Mt 18,18).
Essa mesma grande promessa que Ele já tinha feito a Pedro, como Cabeça visível da Igreja (cf Mt 16,18), estende para todo o Colégio Apostólico unido e submisso a Pedro.

E ainda mais, Jesus disse aos Apóstolos:
“Quem vos ouve, a Mim ouve, e quem vos rejeita, a Mim rejeita, e quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou” (Lc 10,16).
Depois dessa promessa, como não entender a infalibilidade da Igreja? Jesus garante que a palavra da Igreja é a Sua palavra. Quem rejeita o ensinamento dos Apóstolos, rejeita o próprio Senhor e o Pai que o enviou. Isto é muitíssimo sério. Rejeitar o que ensina a Igreja é rejeitar o que Jesus ensina, é rejeitar o que o Pai ensina; é rejeitar Jesus e o Pai.

Antes de voltar ao Céu, na Ascensão, Jesus disse aos Apóstolos (à Igreja):
“Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações … Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi” (Mt 28, 19-20).
Jesus envia a Igreja, que nascia com os Apóstolos, a “ensinar a todas as nações” a Sua doutrina. Sabemos que Deus sempre dá a graça necessária para se poder cumprir uma missão que Ele ordena. A graça, neste caso, foi a assistência do Espírito Santo para que a Igreja ensinasse sem erro. Antes de subir ao céu o Senhor garantiu:
“Eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20).

Esta é a última frase do Evangelho de S. Mateus, e ela nos garante que o próprio Senhor está no seio da sua Igreja, através do Espírito Santo, prometido e enviado em Pentecostes, para impedi”la de errar em matéria fundamental para a salvação dos homens.
Para aceitar que a Igreja, nesses 2000 anos possa ter errado o “caminho da salvação”, e desvirtuado o Evangelho, como querem os protestantes, seria preciso aceitar antes, que Jesus a abandonou, e não cumpriu a Promessa de estar sempre com a Igreja até o fim do mundo. Mas isto jamais; Jesus é fiel e ama a sua Igreja como Esposa, com amor indissolúvel, pela qual deu a Sua vida. Disse São Paulo que “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5,25).
Como então, admitir que a Igreja errou o caminho da salvação como quiseram os protagonistas da reforma protestante?

É muito importante notar o que São Paulo disse a S. Timóteo:
“Deus quer que todos se salvem, e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2,4).
Para o Apóstolo, chegar à salvação é o mesmo que “chegar ao conhecimento da verdade”. É essa verdade (a sã doutrina), que Jesus confiou aos Apóstolos, e lhes incumbiu de ensinar a todas as nações, que leva à salvação.

Em seguida S. Paulo vai dizei ao seu discípulo fiel que:
“A Igreja do Deus vivo é a coluna e o sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15).
Dizer que a Igreja é a “coluna e o sustentáculo da verdade”, é o mesmo que dizer que sem ela a verdade não fica de pé, não se sustenta. É o mesmo que dizer que a Igreja é infalível, através do seu Magistério. Sem ela a doutrina de Jesus não teria chegado intacta até nós. Como disse Teilhard de Chardin:
“Sem a Igreja, o Cristo se evapora, se esfacela ou se anula”.

São Paulo e os demais apóstolos tiveram uma grande preocupação com a “sã doutrina”, o sagrado depósito que receberam diretamente de Cristo e passaram a seus sucessores.
Jesus insistiu sobre a importância da Verdade. Disse a Pilatos, que Ele veio ao mundo “para dar testemunho da verdade” (Jo 18,37). Aos judeus que nele creram ele disse:
“Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8,32).
Aos discípulos Ele afirmou:
“Eu sou a Verdade” (Jo 14,6).
Na oração sacerdotal Ele pede ao Pai:
“Santifica-os na verdade” (Jo 17,17).

São Paulo alerta os tessalonicenses que aqueles que se perderem diante das tribulações que a Igreja terá que atravessar antes da volta do Senhor, será “por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar”(2Tes 2,10).
“Desse modo, serão julgados e condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas consentiram no mal” (2 Tes 2,12).
São Paulo deixa claro aqui que se perderão aqueles que diante das falsas doutrinas, preferirem os ensinamentos dos homens à verdade de Deus, ensinada pela Igreja. “Não deram crédito à verdade”.

É preciso relembrar aqui, mais uma vez o que disse o Apóstolo:
“A Igreja do Deus vivo é a coluna e o sustentáculo da verdade”(1Tm3,15).
Não existe portanto ninguém, e nenhuma outra instituição, fora da Igreja católica, que detenha a verdade infalível, em matéria de fé e de moral.
Todas essas passagens mostram a importância da verdade, a qual vivida, liberta do mal e salva. É essa verdade que Jesus garantiu à Igreja ensinar sem erro até o fim do mundo.}

E o nosso Catecismo, com todas as letras, confirma isso:
“Deus quer a salvação pelo conhecimento da verdade. A salvação está na verdade. Os que obedecerem à moção do Espírito de verdade já estão no caminho da salvação; mas a Igreja, a quem esta verdade foi confiada, deve ir ao encontro do seu anseio levando-lhes a mesma verdade” (CIC, 851).

Sobre onde está a verdade de Deus, nos ensina Santo Ireneu (+202), desde o segundo século da Igreja:
“Sendo nossas provas de tal monta, não é preciso ir procurar alhures a verdade, tão fácil de se haurir na Igreja, pois os apóstolos, como num rico celeiro, aí depuseram a verdade, em sua plenitude, a fim de que todo o que desejar tire dela a bebida da vida. Nela está o acesso à vida; todos os demais são salteadores e ladrões. Por isto é necessário evitá-los, e de outro lado amar com extremo amor tudo o que é da Igreja, retendo fortemente a tradição da verdade”(Contra as Heresias, liv.1.III,1,1-2; 3,1-3; 4,1).
O mesmo Santo Ireneu, no combate acirrado contra os hereges gnósticos, falava da infelicidade dos que abandonam a verdade e a Igreja:
“A pregação da Igreja apresenta por todos os lados firme solidez, perseverando idêntica e beneficiando-se, como pudemos mostrar, com o testemunho dos profetas, apóstolos e seus discípulos, testemunho este que engloba o começo, o meio e o fim, isto é, a totalidade da “economia” de Deus e de sua operação infalivelmente ordenada à salvação do homem, fundamento de nossa fé. Eis porque esta fé, que recebemos da Igreja, guardamos com cuidado, como um depósito de grande valor, encerrado em vaso excelente e que, sob a ação do Espírito de Deus, se renova e faz renovar o próprio vaso que a contém. Pois como fora entregue o divino sopro ao barro modelado, foi confiado à Igreja o “Dom de Deus”(Jo 4,10), afim de que todos os seus membros pudessem dele participar e ser por ele vivificados. À Igreja foi entregue a comunhão com Cristo, isto é, o Espírito Santo, penhor da incorruptibilidade, confirmação de nossa fé e escada de nossa ascensão para Deus: “na Igreja”, foi dito, “Deus colocou apóstolos, profetas, doutores” (1Cor 12,1) e tudo o mais que pertence à operação do Espírito. Deste Espírito se excluem os que, recusando”se a aderir à Igreja, se privam a si mesmos da vida, por suas falsas doutrinas e depravadas ações. Porque onde está a Igreja está o Espirito de Deus, e onde está o Espírito de Deus está a Igreja e toda graça. Ora, o Espírito é Verdade. Assim, os que dele não participam são também os que não estão sendo nutridos e vivificados pelos peitos da Mãe, os que não têm parte na fonte límpida que brota do Corpo de Cristo, os que “escavam cisternas dessecadas”(Jr 2,13), buracos na terra, os que bebem a água poluída do pantanal. Eles fogem da Igreja para não serem desmascarados e rejeitam o Espírito para não serem instruídos. Tornando”se estranhos à verdade, é fatal que se precipitem em todo erro e pelo erro sejam sacudidos; fatal que pensem a cada momento diversamente sobre as mesmas coisas, nunca tendo doutrina estável, sendo sofistas de palavras mais que discípulos da verdade. Porque não estão fundados sobre a única Rocha, mas sobre a areia, a areia dos muitos saibros” (Contra as Heresias, liv.III, 24,1).

Na mesma linha de pensamento de Santo Ireneu, afirmava também o grande Santo Epifânio (+403), grande batalhador contra as heresias:
“Há um caminho real”, que é a Igreja católica, e uma só senda da verdade. Toda heresia, pelo contrário, tendo deixado uma vez o caminho real, desviando”se para a direita ou para a esquerda, e abandonada a si mesma por algum tempo, cada vez mais se afunda em erros.
Eia, pois, servos de Deus e filhos da Igreja santa de Deus, que conheceis a regra segura da fé, não deixeis que vozes estranhas vos apartem dela nem que vos confundam as pretensões das erroneamente chamadas ciências” (Haer.59,c. 12s).
Também São Vicente de Lerins (+450) da mesma época dos anteriores citados, também ele combatente da heresia pelagiana, afirma:
“Perguntando eu com toda atenção e diligência a numerosos varões, eminentes em santidade e doutrina, que norma poderia achar, segura, enquanto possível genérica e regular, para distinguir a verdade da fé católica da falsidade da heresia, eis a resposta constante de todos eles: quem quiser descobrir as fraudes dos hereges nascentes, evitar seus laços e permanecer sadio e íntegro na sadia fé, há de resguardá-la, sob o auxílio divino, duplamente: primeiro com autoridade da Lei divina, e segundo, com a tradição da Igreja Católica” (Commonitorium).

Santo Agostinho (+430), também deixa o seu testemunho:
“Parece-me salutar fazer essas recomendações aos jovens estudiosos, inteligentes e tementes a Deus, que procuram a vida bem-aventurada: que não se arrisquem sob o pretexto de tender à vida feliz e que não se dediquem temerariamente a seguir doutrina alguma das que se praticam fora da Igreja de Cristo”.
Na última vez que Jesus esteve com os seus Apóstolos, na última Ceia, na hora do adeus, antes de sofrer a sua paixão, garantiu-lhes a infalibilidade para conhecer e ensinar a verdade que salva.
Desde o capítulo 13 até o 17  São João narra no seu Evangelho tudo o que aconteceu naquela Ceia memorável onde o Senhor instituiu o Sacerdócio e a Eucaristia. Esses cinco capítulos (13 a 17) revestem-se de uma importância especial, já que são as “últimas palavras e recomendações” de Jesus à Igreja. É fácil compreender a sublimidade desta hora. Pois bem, nesta noite sagrada o Senhor lhes garante a infalibilidade por três vezes, segundo narra São João, testemunha ocular daqueles acontecimentos. Jesus começa dizendo aos Apóstolos:
“Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará um outro Advogado, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós”(Jo 14,16-17).
Que garantia maior de infalibilidade Jesus poderia ter dado à Sua Igreja, do que deixando nela o seu próprio Espírito, que Ele chama de Espírito da Verdade? Se Ele permanecerá com a Igreja, como ela poderia errar em matérias essenciais `a salvação?
É preciso notar que Jesus disse que o Espírito Santo seria dado “para que fique eternamente convosco”. E garantiu ainda que Ele ficaria com a Igreja e estaria na Igreja. “Permanecerá convosco e estará em vós”.
Para aceitarmos que a Igreja tenha errado o caminho da verdade, como quiseram Lutero e seus seguidores, depois de 1517 anos, seria preciso antes concordar que o Espírito Santo, “o Espírito da Verdade”, tenha abandonado a Igreja. Mas isto jamais poderia ter acontecido, pois Ele foi dado para ficar “eternamente convosco”.
As promessas de Jesus para a Sua Igreja são infalíveis, porque Jesus não é um farsante e nem um mentiroso. Naquela hora memorável que antecedia a Sua paixão, Ele não estava brincando com os seus Apóstolos e com a Sua Igreja. Ele se despedia dela com as suas últimas e mais importantes promessas, para em seguida sofrer, por amor a ela, a sua dolorosa paixão.
Infelizmente o orgulho e a soberba espiritual cegam os olhos da alma e não deixam que suas vítimas enxerguem essa verdade. Em que pese os pecados dos seus filhos, mesmo assim, a Igreja jamais perdeu o domínio da verdade. Infalibilidade, é preciso repetir mais uma vez, não quer dizer impecabilidade.

Naquela mesma noite memorável Jesus diz mais uma vez aos Apóstolos:
“Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Advogado, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos”á TODAS as coisas, e vos recordará TUDO o que vos tenho dito” (Jo 14,25-26).
Que garantia maior de infabilidade Jesus poderia ter dado à Igreja do que essa Promessa de que o Espírito Santo “ensinar-vos”à todas as coisas, e vos recordará tudo o que vos tenho dito?”
Como, então, a Igreja poderia se enganar? Para aceitar a Reforma Protestante, que negou “quinze séculos” de caminhada da Igreja, guiada dia a dia pelo Espírito Santo, seria preciso aceitar antes, que Jesus enganou a Sua Igreja, mentiu para ela e não cumpriu a promessa de assisti-la sempre com a Verdade. Mas isto nunca! Jesus é o Esposo da Igreja; Ele deu a sua vida por ela (Ef 5,25), e jamais a abandonou nem a abandonará até o fim dos tempos.
“Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo!” (Mt 28,18).

A Reforma protestante negou os dogmas, os sacramentos, a Igreja como instituição divina, a Sagrada Tradição, o Sagrado Magistério, a Sagrada Hierarquia, as sagradas devoções católicas, enfim, toda a Tradição apostólica (de quinze séculos!), testemunhada pelo sangue dos Mártires e dos Confessores e confirmada pelos Papas. Será que os Apóstolos se enganaram? Será que os mártires, testemunhas de Cristo com o próprio sangue, se enganaram? Será que os Santos Padres nos mentiram? Será que os santos doutores erraram o caminho da fé?
É interessante notar que hoje muitos pastores protestantes estão se convertendo ao Catolicismo.
A Revista americana “Sursum Corda!” Special Edition 1996, informa que nos últimos dez anos cerca de cincoenta pastores americanos se converteram, sendo que muitos outros estão a caminho da Igreja Católica. As três causas mais frequentes apontadas por eles são:
1.”o subjetivismo doutrinário que reina entre as várias denominações protestantes, em consequência do princípio “a Bíblia como única fonte da fé”, e do seu “livre exame” por cada crente, o que dá margem a muitas interpretações diferentes para uma mesma questão de fé e de moral;
2 “o re-estudo dos escritos dos Santos Padres, aqueles que contribuíram decididamente para a formulação correta da doutrina católica: a Santíssima Trindade, Jesus Cristo, a Igreja, os Sacramentos, a graça, etc., e que vão desde os apóstolos até S. Gregório Magno (+604) no Ocidente, e até S. João Damasceno (+749) no Oriente;
“a definição do Cânon da Bíblia, isto é dos seus livros, que não é deduzida da própria Bíblia, mas da Tradição oral da Igreja. É a Igreja que abona a Bíblia e não o contrário. A análise profunda desses pontos têm mostrado a muitos pastores os enganos do protestantismo (PR, n.419,abril de 97, pp.146 a 160).
Aí está a garantia de tudo que a Igreja ensina e que o Espírito Santo, o Seu Mestre, lhe ensinou nestes 20 séculos: os dogmas do Credo, as verdades sobre a Virgem Maria, os Sacramentos, a Moral católica, etc. Repito mais uma vez, com toda a convicção: negar que os ensinamentos do Magistério da Igreja são verdadeiros, é o mesmo que negar as promessas de Jesus aos Apóstolos na última Ceia.
Enfim, pela terceira vez, naquela Ceia inesquecível, o Senhor afirma mais uma vez à sua Igreja, de maneira mais forte ainda:
“Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Advogado, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á TODA a verdade (…)”(Jo 16,12).
Que promessa maravilhosa de Jesus para a Igreja!
“O Espírito da Verdade ensinar-vos-á toda a verdade”.
Naquela hora Jesus sabia que os Apóstolos já não tinham mais condições psicológicas para aprenderem novos ensinamentos. “Muitas coisas ainda tenho a dizer”vos”. Isso mostra claro que Jesus não ensinou tudo para os Apóstolos, mas deixou o Espírito Santo para conduzi-los “a toda a verdade”.
Com o passar dos anos e dos séculos, com muita oração,

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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