História da Igreja: 21/10/2010 – Parte 1

Jesus à queda de Roma ( 0 a 476)

– “Na plenitude dos tempos Deus enviou seu Filho ao mundo nascido de
uma mulher…” (Gl 4,4)

– Ano Zero
– O Imperador Otávio Augusto (30
a.C. – 14 d.C.), Roma viveu a paz (Pax Romana)

100.000 km de estradas.

 Fala-se o grego.

– Orígenes
de Alexandria (184-254):

 “Deus preparou os povos e fez que o
Império Romano dominasse o mundo inteiro… porque a existência de muitos
reinos teria sido um obstáculo à propagação da doutrina de Deus sobre a
terra” (Contra Celso II 30).

– Decadência
moral e filosófica.

O
pensamento grego chegou ao seu auge com Platão (428-348 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C.), depois decaiu.

– Época das
Religiões de mistérios


misticismo no lugar da razão. Preparou o Cristianismo.

– S. Clemente
de Alexandria (? 214)

A filosofia
é “um dom que Deus concedeu aos gregos” (Stromata I 2,20).

“A
filosofia educou o mundo grego como a Lei de Moisés educou os hebreus (Gl
3,24), orientando-os para Cristo” (Stromata I 5,28).

– Jesus
Cristo:

Herodes o
Grande (37- 4a.C.), estrangeiro idumeu, rei vassalo de Roma.

– No ano 6
d.C. a Judéia foi incorporada à província romana da Síria, cuja administração
competia a um Procurador que residia em Cesaréia (Palestina).

A data do
Natal de Cristo – monge Dionísio o Pequeno (? 556), que se enganou fixando-a no
ano 753 (25 de dezembro) da fundação de Roma.

Cristo nasceu
6 a 7 anos
antes do ano zero.

Jesus
Cristo existiu?

Documentos
de escritores romanos (110-120):

1.  Tácito (Publius Cornelius Tacitus, 55-120),
historiador romano, escritor, orador, cônsul romano (ano 97) e procônsul da
Ásia romana (110-113), falando do incêndio de Roma que aconteceu no ano 64,
apresenta uma notícia exata sobre Jesus, embora curta:

“Um boato
acabrunhador atribuía a Nero a ordem de pôr fogo na cidade. Então, para cortar
o mal pela raiz, Nero imaginou culpados e entregou às torturas mais horríveis
esses homens detestados pelas suas façanhas, que o povo apelidava de cristãos.
Este nome vêm-lhes de Cristo, que, sob o reinado de Tibério, foi condenado ao
suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. Esta seita perniciosa, reprimida a
princípio, expandiu-se de novo, não somente na Judéia, onde tinha a sua origem,
mas na própria cidade de Roma” (Anais, XV, 44).

2.  Plínio o Jovem (Caius Plinius Cecilius
Secundus, 61-114), sobrinho de Plínio, o Velho, foi governador romano da
Bitínia (Asia Menor), escreveu ao imperador romano Trajano, em 112:

“…os
cristãos estavam habituados a  se reunir
em dia determinado, antes do nascer do sol, e cantar um cântico a Cristo, que
eles tinham como Deus”. (Epístolas, I.X 96)

3. Suetônio
(Caius Suetonius Tranquillus, 69-126), historiador romano,  no ano 120, referindo-se ao reinado do
imperador romano Cláudio (41-54), afirma que este “expulsou de Roma os judeus,
que, sob o impulso de Chrestós (= Christós, Cristo), se haviam tornado causa
frequente de tumultos” (Vita Claudii, XXV).

Atos 18,2
confirma. Suetônio, mal informado, julgava que Cristo estivesse em Roma,
provocando as desordens.

Documentos
Judaicos:

1. O Talmud
(Coletânea de leis e comentários históricos dos rabinos judeus posteriores a
Jesus) apresentam passagens referentes a Jesus. Judeus combatiam a crença em
Jesus, daí as palavras adversas a Cristo.

Tratado
Sanhedrin 43a do Talmud da Babilônia:

“Na véspera
da Páscoa suspenderam  a uma haste Jesus
de Nazaré. Durante quarenta dias um arauto, à frente dele, clamava: “Merece ser
lapidado,  porque exerceu a magia,
seduziu Israel e o levou à rebelião. Quem tiver algo para o justificar venha proferí-lo!”
Nada, porém se encontrou que o justificasse; então suspenderam-no à haste na
véspera da Páscoa.”

2. Flávio
Josefo,  historiador judeu (37-100),
fariseu, escreveu palavras impressionantes sobre Jesus:

“Por essa
época apareceu Jesus, homem sábio, se é que há lugar para o chamarmos homem.
Porque Ele realizou coisas maravilhosas, foi o mestre daqueles que recebem com
júbilo a verdade, e arrastou muitos judeus e gregos. Ele era o Cristo. Por
denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-o ao suplício da Cruz,
mas os seus fiéis não renunciaram ao amor por Ele, porque ao terceiro dia  ele lhes apareceu ressuscitado, como o
anunciaram os divinos profetas juntamente com mil outros prodígios a seu
respeito. Ainda hoje subsiste o grupo que, por sua causa, recebeu o nome de
cristãos” (Antiguidades Judaicas,  XVIII,
63a).

Documentos
Cristãos:

Os
Evangelhos:  narram com riqueza de
detalhes históricos, geográficos, políticos e religiosos a  terra da Palestina no tempo de Jesus. Os
evangelistas não poderiam ter inventado tudo isto com tanta precisão.

São Lucas,
que não era apóstolo e nem judeu, fala dos imperadores Cesar Augusto, Tibério;
cita os governadores da Palestina: Pôncio Pilatos, Herodes, Filipe, Lisânias, e
outros personagens como Anás e Caifás (Lc 2,1;3,1s). Todos são muito bem
conhecidos da História Universal.

São Mateus
e São Marcos falam dos partidos políticos dos fariseus, herodianos, saduceus
(Mt 22,23; Mc 3,6).

São João
cita detalhes do Templo: a piscina de Betesda (Jo 5,2), o Lithóstrotos ou
Gábala (Jo 19, 13), e muitas outras coisas reais. Nada foi inventado, tudo foi
comprovado pela História.

Onde estão
os originais dos Evangelhos?

Conhecem-se
cerca de 5236 manuscritos (cópias) do texto original grego do Novo Testamento,
comprovados como autênticos pelos especialistas. Estão assim distribuídos: 81
papiros; 266 códices maiúsculos; 2754 códices minúsculos e 2135 lecionários.

Número            Conteúdo         Local                Data (Século.)

 

p1            
       Evangelhos      Filadélfia
(USA)             III

p2            
       Evangelhos      Florença
(Itália)                         VI

p3            
       Evangelhos       Viena
(Áustria)              VI/VII

p4              Evangelhos             Paris                                        III

p5                    Evangelhos      Londres                                    III

p6                    Evangelhos      Estrasburgo                                          IV

p7                    Atos                Berlim                                      IV

  

Em resumo,
existem 76 papiros do texto original do Novo Testamento. Acham-se ainda em Leningrado
(p11, p68), no Cairo (p15, p16), em Oxford (p19), em Cambridge (p27), em
Heidelberg (p40), em Nova
York (p59, p60, p61), em Gênova (p72, p74, p75),..

A PERSEGUIÇÃO ROMANA

– De  Nero (64) até a conversão
de Constantino no ano 313.

Causas:

– Divinização
do Imperador

– Acusação
de serem os cristãos causa de calamidades públicas, pestes, inundações, fome,
invasões de bárbaros…

Fatores que
ajudaram o Cristianismo:

1 – O mundo
greco-romano estava decadente no plano da filosofia e dos costumes.       

2 – Tertuliano
de Cartago (?220), jurista romano convertido à fé cristã no fim do século II:

“A
alma humana é naturalmente cristã”. Os cristãos primavam pela retidão de
costumes, pelo amor fraterno, pela castidade…

“Vêde
como se amam mutuamente e como estão prontos a morrer um pelo outro!”
(Apologeticum 39).

“Sanguis
martirum sêmen cristianorum” (Carta a Antonino Pio)

“Plures
efficimur quoties metimur a vobis, semen est sanguis christianorum”. – “Mais
numerosos nos tornamos todas as vezes que somos por vós ceifados; o sangue dos
cristãos é semente” (Apologeticum 50).

 – Latâncio (? após 317): “Cresce a
religião de Deus quanto mais é premida” (Instituições, V 19,9).

3 – Os
cristãos tinham o zelo missionário. Homens e mulheres, livres e escravos,
comerciantes e soldados sentiam o dever de transmitir a Boa-Nova.

Imperadores
Romanos e perseguição.

– Otávio
Augusto – 30 aC
– 14 dC – nasce Jesus Cristo

– Tibério –
14 – 37 – era de terror

– Herodes
constrói Tiberíades.

– Cláudio –
41-54 – expulsou de Roma os judeus.

– 30
primeiros papas martirizados

– Nero –
54- 68 – 1ª perseguição, martírio de Pedro de Paulo – suicidou-se.

– Domiciano
(81-96) – 2ª perseguição aos cristãos, 
“Dominus ac Deus” (Senhor e Deus).

– São
João  exilado na ilha de Patmos (cf. Ap
1,9).

Nobres ?:
cônsul Acilo Gabrion, Flavio Clemente e a esposa Flávia Domitila, Papa S. Anacleto.

– Trajano
(98-117)  perseguiu os cristãos.

 ?: S. Papas: Clemente, Evaristo, Alexandre I.

– Adriano –
117-138 – paganismo na Terra Santa.

?: Papas
Sisto I e Telésoforo

– Antonino
Pio – 138-161

 – Marco Aurélio – 161-180 – filósofo estóico,
perseguiu os cristãos. Executou S. Justino e o senador Apolônio, papas Aniceto,
Sótero, Eleutério.

-193- 211 –
Septímio Severo – perseguiu cristãos e judeus Mártires: S. Perpétua e S.
Felicidade (Cartago), S. Clemente de Alexandria. Papas Vitor I, Zeferino.

– 222 – 235
– Alexandre Severo: ?: Urbano I, Ponciano

 – Décio; 251-253 – obrigou a adesão à religião
do Estado – libellus – penas: cárcere, confiscação de bens, exílio, trabalhos
forçados, pena de morte. Mártir Papa S. Fabiano e S. Águeda.

253-260 –
Valeriano – perseguiu os cristãos – Mártires: Papa Estevão I (degolado), Sisto
II, S. Cipriano, S. Lourenço, S. Tarcisio.

270 – 275 –
Aureliano – perseguiu os cristãos


Diocleciano (284-305) fortaleceu a religião do Estado.

7 a 10 milhões de fiéis num total de 59
milhões de habitantes do Império;

– Prisca,
sua esposa, e sua filha Valéria eram favoráveis ao Evangelho, além de altos
oficiais do exército e da corte. 

Mais longa
perseguição. Em 304 decreto obrigava sacrificar aos ídolos.

?: S.
Sebastião, S. Luzia, S. Inês. Papa Marcelino, Marcelo I.

– 306 – 337
– Constantino – fim da perseguição 

– Edito de
Milão

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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