Harmonia Conjugal – Parte 2

thenextgeneration1440669O que fazer?

Lutar com todas as forças humanas e divinas para reconquistar o que é seu. Antes de tudo reze muito e ofereça a Deus a sua dor, para que ele volte. E permaneça no seu lugar com toda dignidade. Quando tudo balança, é preciso ter um ponto de apoio para se sustentar. O marido que abandona a legítima esposa por causa de outra, é alguém que está balançando. A consciência lhe pesa… Então, é preciso que, na fé, você que foi abandonada, permaneça firme, para que ele possa encontrar em você o ponto de sustentação. Tenho notado que muitos acabam voltando. Por isso, a esposa abandonada, não pode iniciar uma nova aventura amorosa, como que para se vingar do outro. Neste caso você estaria matando todas as chances de reconciliação. Não é este o caminho. Permaneça firme na fé, na oração. Nesta hora, a dor do abandono precisa ser oferecida a Deus como um incenso constante a subir aos céus para implorar a misericórdia de Deus para esse que a deixou.

Dê tempo ao tempo, e dê tempo a Deus, e Ele agirá por causa da sua fé.

Quero lembrar aqui, mais uma vez, a importância da mulher na vida do marido e da família. A Palavra de Deus, nos Livros do Eclesiástico e Provérbios, nos ensina isto e nos ajuda a refletir:

“Feliz o homem que tem uma boa mulher, pois, se multiplicará o número dos seus anos.

A mulher forte faz a alegria do seu marido, e derramará paz nos anos de sua vida.

É um bom quinhão uma mulher bondosa; no quinhão daqueles que temem a Deus, ela será dada a um homem pelas suas boas ações.

Rico ou pobre, o seu marido tem o coração satisfeito,

E seu rosto reflete alegria em todo o tempo…”

“Uma mulher maldosa é como jugo de bois desajustado; quem a possui é como aquele que pega um escorpião.

A mulher que se dá à bebida é motivo de grande cólera; sua ofensa e sua infâmia não ficarão ocultas.

O mau procedimento de uma mulher revela-se na imprudência de seu olhar e no pestanejar das pálpebras…”

“A graça de uma mulher cuidadosa rejubila seu marido, e seu bom comportamento revigora os ossos.

É um dom de Deus uma mulher sensata e silenciosa, e nada se compara a uma mulher bem educada.

A mulher santa e honesta é uma graça inestimável, não há peso para pesar o valor de uma alma casta.

Assim como o sol que se levanta nas alturas de Deus, assim é a beleza de uma mulher honrada, ornamento de sua casa.

Como a lâmpada que brilha no candelabro sagrado, assim é a beleza do rosto na idade madura.

Como colunas de ouro sobre alicerces de prata, são as pernas formosas sobre calcanhares firmes.

Como fundamentos eternos sobre pedra firme, assim são os preceitos divinos, no coração de uma mulher santa.” (Eclo, 26)

Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la?

Superior ao das pérolas é o seu valor.

Confia nela o coração de seu marido, e jamais lhe faltará coisa alguma.

Ela lhe proporciona o bem, nunca o mal, em todos os dias de sua vida.

Ela procura lã e linho e trabalha com mão alegre…”

“Estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente.

Ela não teme a neve em sua casa, porque toda a sua casa tem vestes duplas…”

“Fortaleza e graça lhe servem de ornamentos, ri-se do dia de amanhã.familiasantuariodavida

Abre a boca com sabedoria; amáveis instruções surgem de sua língua.

Vigia o andamento de sua casa, e não come o pão da ociosidade.

Seus filhos se levantam para proclamá-la bem-aventurada e seu marido para elogiá-la.” (Prov. 31)

“Uma mulher forte é a coroa do marido”. (Prov. 12, 4)

“Encontrar uma mulher é encontrar a felicidade, é obter um favor de Iahweh”. (Prov. 18, 22).

Em 11/03/1942, o Papa Pio XII, de feliz memória, deixou-nos um belo discurso sobre a grandeza da esposa e mãe no lar e na sociedade.

Vamos transcrevê-lo aqui para que sirva de meditação para todos. O Papa chamou a esposa de “o sol da família”, falando a um grupo de recém-casados, em Roma.

A esposa, o sol da família

“A família tem o brilho de um sol que lhe é próprio: a esposa…

Realmente a esposa e mãe é o sol da família. É o sol por sua generosidade e dedicação, pela disponibilidade constante e pela delicadeza e atenção em relação a tudo quanto possa tornar agradável a vida do marido e dos filhos. Irradia luz e calor do espírito. Costuma-se dizer que a vida de um casal será harmoniosa quando cada cônjuge, desde o começo, procura   não a sua felicidade, mas a do outro. Todavia este nobre sentimento e propósito, embora pertença a ambos, constitui principalmente uma virtude da mulher. Por natureza ela é dotada de sentimentos maternos e de uma sabedoria e prudência de coração que a faz responder com alegria às contrariedades; quando ofendida, inspira dignidade e respeito, à semelhança do sol que ao raiar alegra a manhã coberta pelo nevoeiro e, quando se põe, tinge as nuvens com seus raios dourados.

A esposa é o sol da família pela limpidez do seu olhar e o calor de sua palavra. Com o seu olhar e sua palavra penetra suavemente nas almas, acalmando-as e conseguindo afastá-las do tumulto das paixões. Traz o marido de volta à alegria do convívio familiar e lhe restitui a boa disposição, depois de um dia de trabalho ininterrupto e muitas vezes esgotante, seja nos escritórios ou no campo, ou ainda nas absorventes atividades do comércio ou da indústria.

A esposa é o sol da família por sua natural e serena sinceridade, sua digna simplicidade, seu distinto porte cristão; e ainda pela retidão do espírito, sem dissipação, e pela fina compostura com que se apresenta, veste e adorna, mostrando ao mesmo tempo reservada e amável. Sentimentos delicados, agradáveis expressões do rosto, silêncio e sorriso sem malícia e um condescendente sinal de cabeça: tudo isto lhe dá a beleza de uma flor rara mas simples que, ao desabrochar, se abre para receber e refletir as cores do sol.

Ah, se pudéssemos compreender como são profundos os sentimentos de amor e de gratidão que desperta e grava no coração do pai e dos filhos semelhante perfil de esposa  e de mãe!”

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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