Grave perseguição à Igreja Católica no Canadá

A ministra da educação de Ontário (Canadá), Laurel Broten, anunciou algo verdadeiramente inacreditável, e que poderá se transformar numa triste e absurda perseguição aos católicos da região. Ela declarou que, segundo uma nova lei aprovada, as escolas católicas não poderão ensinar que “o aborto é algo mau”. Caso alguém o faça, será considerado um ato contra a mulher, penalizado pela lei, que busca “construir um ambiente escolar positivo e inclusivo”, com um “compromisso a longo prazo para levá-lo à prática e mudar a cultura escolar”.  (16/10/2012, Gaudium Press)

Trata-se da “Lei de Escolas Acolhedoras”, que foi aprovada pelo Novo Partido Democrata, e requer que todos os conselhos escolares tomem medidas contra a perseguição escolar, endurecendo as consequências legais da perseguição e “apoia os estudantes que queiram promover a compreensão e o respeito por todos”.

Ora, o aborto é um mal intrínseco, por natureza, pois significa destruir uma vida que está sendo gerada; por isso, no Brasil e em muitos países é crime. É um crime hediondo, pois o filho é assassinado com o consentimento dos próprios pais; pode haver algo mais mal, mais cruel?

O diabólico nesta lei aprovada em Ontário, é que é colocada uma mordaça na boca dos cristãos impedindo-os de agir com suas consciências. Não se pode mais discutir o assunto, encerrada a questão. Uma violência inimaginável em um país evoluído. Anula-se assim um dos principais valores da civilização ocidental que é o direito à objeção de consciência. É uma violência contra a consciência da pessoa, e assim, contra a sua liberdade e dignidade de pessoa humana.

Em junho deste ano, quando a lei foi aprovada, os bispos católicos protestaram contra ela, pois os colégios católicos serão obrigados a ir contra a doutrina católica. A organização LifeNews afirmou que “nunca havia visto um ataque governamental à liberdade religiosa como o que promete a Ministra Broten”.

O Cardeal Arcebispo de Toronto, Dom Thomas Collins, declarou que “defender os sem voz é nossa missão” e que “tanto a Constituição como a lei da Educação deixam claro que deve-se respeitar a identidade católica dos colégios”. O cardeal pediu proteção para “a liberdade de todos na comunidade escolar para levar a cabo atividades pró-vida, com o objetivo de promover uma cultura da vida na qual os mais vulneráveis e os que não têm voz entre nós sejam protegidos e honrados durante toda sua vida na terra, desde a concepção até a morte natural”.

Estamos diante de uma agressão inusitada, violenta e cruel contra a vida humana, que pode crescer, e que desrespeita a liberdade de pensamento, a liberdade religiosa, a liberdade de expressão e de consciência, valores preservados e defendidos em qualquer país civilizado. É de se estranhar que num país culto e avançado como o Canadá, algo tão terrível e ameaçador para os católicos e colégios católicos possa acontecer.

Em sua recente viagem ao Líbano, em setembro de 2012, o Papa Bento XVI lembrou que “A questão fundamental é o princípio da liberdade religiosa, “direito fundamental do qual dependem muitos outros”. Essa é uma “dimensão social e política indispensáveis para a paz” e deve ser protegida de tal forma que cada um possa “viver livremente a própria religião sem pôr em risco as próprias vidas.”

Está crescendo no Ocidente a ameaça aos católicos por viver de acordo com o Evangelho de Jesus Cristo. Em julho deste ano, em Roma, o presidente do grupo de supervisão da liberdade religiosa na Itália, Massimo Introvigne, alertou sobre o fato de que a “legislação discriminatória” nos Estados Unidos poderia dar como resultado a violência contra os cristãos nessa nação. (ACI/EWTN Notícias – 05/7/2012). Ele advertiu que pode gerar-se no Ocidente um “processo de três fases” que poderia levar a violência anticristã se a liberdade religiosa não for protegida. “Começa com a intolerância que é um fenômeno cultural e depois se a intolerância for muito longa e popular, alguns políticos atuarão para introduzir leis discriminatórias”. O terceiro passo advertiu Introvigne, é que neste clima de discriminação algumas pessoas possam decidir fazer “justiça” com suas próprias mãos e usar a violência para tentar suprimir a Cristandade.

Em seu livro “In Challenges to Religious Liberty in the Twenty-First Century” (“Desafios para a Liberdade Religiosa no Século XXI”), o colunista Gerard V. Bradley, professor de direito na Universidade de Notre Dame, coletou dez ensaios sobre a questão da liberdade religiosa. Vários estudos demonstraram que cerca de dois terços da população mundial mora em países em que existem restrições à liberdade religiosa, num tempo em que, embora os tratados e as declarações internacionais, o afirmam.

O desafio mais grave à liberdade religiosa é a tutela da consciência. A liberdade religiosa deve ser defendida. Em primeiro lugar ela permite dar culto a Deus e cumprir os preceitos religiosos. Em segundo lugar, ela preserva o bem moral das pessoas, que podem agir de acordo com as suas consciências. O Estado é feito para proteger os cidadãos, portanto, deve defender também a liberdade de consciência. A liberdade religiosa é um bem político e moral para todos os seres humanos e todas as sociedades, e a sua negação é um atentado à dignidade humana e à justiça, bem como ao princípio fundamental moral e político da igualdade sob o senso da lei.

 Dom Giampaolo Crepaldi, bispo de Trieste disse que “Não temeria em afirmar que o principal problema da humanidade hoje é a falta de liberdade religiosa no mundo”. (17 de janeiro de 2010 – ZENIT.org). Hoje cerca de 350 milhões de cristãos são perseguidos no mundo.

A Igreja nunca teve medo da perseguição religiosa, e sempre esteve pronta a até derramar sangue para defender a Lei de Deus. Não é uma ameaça dessas de Ontário que fará calar a Igreja canadense. Por outro lado, é preciso que os católicos do mundo todo reajam contra esse absurdo, essa discriminação odiosa a quem quer viver segundo os preceitos que nos deu Jesus Cristo; o único Salvador dos homens (At 4,12).

Prof. Felipe Aquino

Compartilhe!

    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
    Adicionar a favoritos link permanente.