Governo distribui a Pílula do Dia Seguinte

morningafter-jpg_130600Mais uma vez o Governo Federal lança mão de uma “solução fácil para um problema difícil”. Lamentavelmente aprovou a distribuição farta de aproximadamente 175 mil cartilhas da Pílula (abortiva) do Dia Seguinte (PDS) na rede pública de saúde, sem mesmo necessidade de receita médica [1].

O Ministério da Saúde deu orientações claras a médicos e enfermeiros de postos de saúde e hospitais sobre a sua distribuição. Num livreto, o governo reforça que os comprimidos podem ser entregues por enfermeiros sem exigência de receita médica. O Conselho Federal de Medicina diz que não foi informado oficialmente. Resolução da entidade diz que “cabe ao médico a responsabilidade pela prescrição [da pílula] como medida de prevenção” à gravidez indesejada.

Nunca houve tanta burocracia para se comprar remédios no Brasil, no entanto, o Governo Federal libera, sem receita médica, a distribuição de microabortivos, como a PDS.

Muitos médicos e pesquisadores, bem como nossos Bispos no Brasil e no mundo todo, bem como o Vaticano, já deixaram claro, por meio de pesquisas inequívocas, que a PDS é um microabortivo. Ela não apenas impede a concepção, como também impossibilita que o embrião (óvulo fecundado) se fixe na parede interna do útero (nidação). Impedir que o ser humano concebido se implante no útero é impedir que ele continue vivendo e se desenvolva, é um aborto provocado.

Nos países em que o aborto é legalizado, como França e Espanha, as bulas dos fármacos à base de levonorgestrel (o princípio ativo da PDS) informam claramente que o produto impede a fixação do óvulo fecundado na parede do útero.

A empresa produtora e distribuidora da pílula do dia seguinte na Nova Zelândia admitiu que este fármaco pode causar um aborto nas primeiras fases da gravidez. (AUCKLAND, 08/01/2007 – acidigital.com).

Conforme artigo publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (v. 26, n. 9, out. 2004) por professores da Escola Paulista de Medicina, o uso da PDS pode provocar gravidez ectópica, com grave risco para a vida da mãe e do bebê. Além disso, a pílula micro abortiva é “uma verdadeira bomba hormonal” como denunciou o Dr. Jèrome Lejane [2] , que descobriu a síndrome de Down. Ela contém uma dose altíssima de hormônios (15 vezes a de uma pílula anticoncepcional!), o que desequilibra brutalmente a fisiologia feminina e, no futuro, pode vir mesmo a causar vários problemas de saúde.

A pesquisadora do Departamento de Embriologia da Faculdade de Medicina da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), Dra. Cristina Márquez, explicou que a pílula do dia seguinte pode ser abortiva, no marco do debate que se realiza na Suprema Corte de Justiça do México sobre este tema. (MEXICO D.F., 26 Mai.2010 – acidigital.com)

Além dos perigos já expostos acima a PDS abre mais ainda o caminho para a permissividade sexual para os jovens vivendo o sexo sem responsabilidade fora do casamento. É um fomento ao pecado da fornicação e prostituição.

Em 31 de outubro de 2000, a Academia para a Vida, do Vaticano, formada de especialistas do mundo todo, convidados pelo Papa, emitiu uma importante declaração sobre a PDS que demonstra que é abortiva e que não deve ser usada pelas mulheres católicas:

“A pílula do dia seguinte é um preparado a base de hormônios (pode conter estrogênio, estrogênio/progestogênio ou somente progestogênio) que, dentro de e não mais do que 72 horas após um ato sexual presumivelmente fértil, tem uma função predominantemente “anti-implantação”, isto é, impede que um possível ovo fertilizado (que é um embrião humano), agora no estágio de blástula de seu desenvolvimento (cinco a seis dias depois da fertilização) seja implantado na parede uterina por um processo de alteração da própria parede. O resultado final será assim a expulsão e a perda desse embrião”.

O cardeal Dom Odilo Scherer, quando foi Secretário da CNBB (19 de janeiro de 2007) afirmou que a comunidade católica é contra esse método, que para ele fere os princípios de moral da Igreja: “Consideramos que o efeito da pílula do dia seguinte pode ser abortivo. Consideramos que o início da vida humana se dá com a concepção. Portanto, daí para a frente, toda interrupção do processo de evolução da vida humana é considerado um aborto provocado” [3].

Dom Rodrigo Aguilar Martinez- bispo de Matehuala e presidente da Comissão episcopal de Pastoral Familiar, afirmou que a PDS pode ter efeitos abortivos. (CIDADE DO MÉXICO, sexta-feira, 22 de julho de 2005 – ZENIT.org-El Observador).

A Comissão Pró-Vida da Conferência Episcopal da Coreia do Sul afirma que “a pílula [do dia seguinte] é um abortivo, ou seja, um produto que elimina a vida”. (ROMA, 04/09/2012 – ZENIT.org).

Em nota assinada pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro, dom Antônio Augusto Dias Duarte, em 30 de janeiro de 2008, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB condenou a pílula do dia seguinte, classificando-a como “moralmente inaceitável”. O Médico e membro da Comissão, Dom Antônio explicou que a pílula do dia seguinte é abortiva. “Trata-se de um recurso usado para interceptar o desenvolvimento do concepto após uma relação sexual dita “desprotegida”, isto é, quando não foi usado um método anticoncepcional e se supõe que houve uma fecundação e o início de uma gravidez”.

A Justiça chilena proibiu a distribuição da PDS, em 7 de abril de 2008 (ZENIT.org). A Corte Suprema de Honduras afirmou em 2012 que a PDS é abortiva e proibiu sua comercialização. (TEGUCIGALPA, 15 Fev.2012 – acidigital.com).

Estudo de mestrado apresentado à Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP revelou que 22,3% dos ginecologistas não receitam a pílula do dia seguinte às suas pacientes por considerá-la abortiva. Mais: 57% não acreditam que a pílula evita a fecundação do óvulo, mas apenas previne sua implantação no útero. Cerca de 3.300 ginecologistas e obstetras brasileiros participaram do estudo que traz uma notícia: somente 20,8% dos médicos acreditam que a pílula do dia seguinte evita a gravidez indesejada. [4]

A PDS aumenta as enfermidades de transmissão sexual. Um estudo de investigadores da Universidade de Nottingham (Reino Unido) revela que a pílula abortiva do dia seguinte não só fracassou em diminuir o número de gravidezes adolescentes, mas também está vinculada ao aumento de Doenças sexualmente transmissíveis (ou DSTs) em menores de 16 anos. Em declarações recolhidas pelo jornal britânico The Daily Telegraph, o professor David Paton, um dos profissionais responsáveis pela investigação, afirmou que “encontramos que a oferta gratuita da pílula do dia seguinte não obteve o efeito desejado de reduzir as gravidezes de adolescentes, mas teve a consequência desafortunada de aumentar as infecções de transmissão sexual”. [NOTTINGHAM, 17 Fev. 11- acidigital.com).

Referências:

[1] – http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/videos/t/edicoes/v/ministerio-da-saude-facilita-acesso-a-pilula-do-dia-seguinte/2523575/

[2]- Revista Famiglia Cristiana, ano LIX, nº 46, 22/11/1989, pp. 36-40, publicada na revista “Pergunte e Responderemos”, Nº 355 – Ano : 1990 – p. 177

[3] – http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1359382-EI306,00.html

[4] – http://diasimdiatambem.wordpress.com/2010/12/01/793-dos-medicos-tem-restricoes-a-pilula-do-dia-seguinte/

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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