Garabandal: sim ou não? EB

Em síntese: As ditas aparições de Garabandal (Espanha), de 1961 a 1965, tomaram nova atualidade quando atualmente, Raimundo Lopes (em Belo Horizonte) apelam para as suas mensagens, a fim de confirmar a previsão de severos castigos para a humanidade.

Tais aparições ocorreram, em número extraordinariamente elevado (cerca de duzentas vezes, dizem), em favor de quatro meninas inocentes, que transmitiram ao mundo a exortação à oração e à penitência bem como a predição de solene advertência dos Céus, Grande Milagre e rigoroso castigo para os impenitentes.

Os Srs. Bispos de Santander, diocese onde fica o povoado de Garabandal, têm mandado examinar cuidadosamente os fatos e as mensagens, e vêm concluindo com unanimidade que não consta haver algo de sobrenatural nos fenômenos analisados.  Esta conclusão foi reafirmada pelo atual Bispo da diocese, D. José Vilaplana, em vista de interrogações que recentemente lhe foram dirigidas. As páginas subsequentes publicam a carta-resposta de D. Vilaplana, assim como uma Nota Oficial emitida pela diocese em 1967, Nota aprovada pela Santa Sé.

As aparições de Nossa Senhora em Garabandal (Espanha), ocorridas de 1961 a 1965, têm tomado nova atualidade pelo fato de que Vassula Ryden e o empresário Raimundo Lopes, de Belo Horizonte, as citam para confirmar as predições de castigo já feitas em Garabandal.

Muitas pessoas ultimamente têm recorrido ao Sr. Bispo da respectiva diocese (Santander), indagando do mesmo o que pensar a respeito dos acontecimentos de Garabandal. O Sr. Bispo D. José Vilaplana tem respondido a tais interrogações confirmando o julgamento já outrora proferido por seus antecessores; não consta haja algo de sobrenatural nos fatos em foco; estes devem ter sua explicação natural.

Visto que as aparições de Garabandal e a atitude da Igreja interessam ao público brasileiro, motivo por Vassula Ryden e Raimundo Lopes1, publicaremos, a seguir, breve resenha das ditas aparições e o teor das principais declarações dos Bispos de Santander.

BREVE HISTÓRICO

As aparições de Nossa Senhora em Garabandal (Pireneus espanhóis) ocorreram de 1961 a 1965, tendo como destinatárias: Conchita González, 12 anos, Maria Loli Mazón González, 12 anos, Jacinta González  12 anos, e Maria Cruz González Madrazo, 11 anos.

A primeira aparição terá ocorrido aos 18/06/1961, às 20 h 20 min, quando as meninas se achavam no campo à procura de batatas; ouviram um barulho como de trovão e viram “uma figura muito bela cercada de luz que não ofuscava os olhos. Essa figura desapareceu bruscamente, e reapareceu sete vezes consecutivas nos dias seguintes, sempre no mesmo lugar, que foi assinalado por ramos de árvores, formando um quadro ou uma moldura. O personagem declarou ser São Miguel, e anunciou o aparecimento da Virgem SS. no Domingo 2 de julho, festa da Visitação de Maria a S. Isabel. Neste dia, a Virgem SS. terá aparecido acompanhada por São Miguel e outros anjos.

As aparições se multiplicaram até 13/11/1965 de maneira irregular e nem sempre às quatro meninas simultaneamente; Conchita foi a principal vidente e transmissora dos Avisos de Nossa Senhora. Assim em meados de 1961 as aparições foram numerosas, podendo haver mais de uma por dia; a partir de novembro de 1961, tornaram-se mais raras; mas de março a setembro de 1962 voltaram a ser frequentes. Em 1963 e 1964 foram raras; chegaram ao fim em novembro de 1965.  Não há contagem precisa do número de aparições; um observador fidedigno, o Pe. José Ramón Garcia de a Riva, terá sido testemunha de cerca de duzentos êxtases das videntes (número este insólido nos poucos casos de aparições aceitáveis).

Nem tudo o que a Virgem SS. comunicou às videntes terá sido transmitido ao público. Todavia as mensagens divulgadas insistem calorosamente em oração e penitência, e prevêem um severo castigo para os impenitentes. Este castigo será precedido de um Grande Milagre (…). Grande Milagre que se deveria dar numa Quinta-feira, às 20 h 30 min, no dia de festa de um Santo Mártir, e que teria a duração de dez a quinze minutos.

Entre outras coisas, Conchita, em junho de 1963, anunciou, não por efeito de revelação de Nossa Senhora, mas, sim, em virtude de locuções interiores, que após João XXIII haveria apenas três Papas e, a seguir, ocorreria o fim dos tempos, que não seria o fim do mundo. Em março de 1963 Conchita predisse também a Joey Lomangino, italo-americano, cego, que ele recuperaria a vista no dia do Grande Milagre.

O castigo parece ter sido contemplado antecipadamente pelas videntes, sendo que Maria Loli a ele assim se refere :

“Era horrível aos meus olhos. Ficamos totalmente apavoradas. Não tenho palavras para o explicar. Víamos a água dos rios  transformar-se em sangue… Caia fogo do céu… E algo de ainda pior, que não posso revelar por ora”.

As aparições de Garabandal foram muito acompanhadas por fiéis leigos, como também por peritos em medicina e sacerdotes. Desde as primeiras semanas, uma Comissão de Inquérito foi designada, constituída por sacerdotes, um médico e um fotógrafo. A primeira declaração oficial datava de 29 de agosto de 1961, tendo por signatário Dom Dorotéo Fernández, Administrador Apostólico da diocese de Santander; assim rezava:

“Após o exame dos documentos que nos foram apresentados, julgamos prematuro emitir um julgamento definitivo sobre a natureza dos fenômenos em foco.  Até agora nada nos obriga a afirmar a sua índole sobrenatural”.

Aos 27/10/1961 a mesma autoridade declarava:

“Até hoje as mencionadas aparições, visões, locuções ou revelações não podem ser tidas como evidentes e como dotadas de sólido fundamento de verdade e autenticidade”. A seguir, o prelado pedia aos sacerdotes que “se abstivessem totalmente de tudo o que pudesse contribuir para lançar perturbação entre os fiéis.  Por conseguinte, evitassem atentamente, enquanto deles dependesse, promover visitas e peregrinações aos lugares citados”.

Aos 7/10/1962, Mons. Beita Aldazabal, Bispo de Santander, tornou públicas as conclusões da Comissão Especial de Investigação por ele nomeada: “Tais fenômenos carecem de qualquer sinal de índole sobrenatural e têm explicação natural”.

Tal foi o julgamento dos sucessivos Bispos de Santander até nossos dias. É de notar, porém, que nenhuma declaração episcopal acusou as videntes de erros doutrinários ou de desvios morais; não são impugnadas, portanto, a ortodoxia das mensagens nem a conduta de vida das meninas. É isso que tem levado alguns estudiosos e devotos a insistir no crédito de “sobrenaturalidade” das aparições de Garabandal. Observe-se, porém, que, mesmo em caso de ortodoxia doutrinária e retidão moral, pode haver alucinações ou projeções meramente subjetivas de imagens, aviso, profecias, etc. A autoridade eclesiástica examinou detidamente os fatos e de maneira sábia não se quer precipitar, afirmando sobrenaturalidade que não tenha fundamento sólido: a sentença dos Bispos de Santander significa simplesmente que as pretensas aparições de Garabandal não pode ser consideradas autênticas.

Merece atenção também a clássica norma repetida pelo Concílio do Vaticano II: quem julga da autenticidade dos dons extraordinários, é a autoridade da Igreja, a quem Cristo confiou o carisma da verdade (cf. Dei Verbum 8):

“Os dons extraordinários não devem ser temerariamente pedidos, nem deles devem presunçosamente ser esperados frutos de obras apostólicas. O juízo sobre a sua autenticidade e seu ordenado exercício compete aos que governam a Igreja. A eles em especial cabe não extinguir o Espírito, mas provar todas as coisas e ficar com o que é bom” (Const. Lumen Gentium nº 33).

Passemos agora a explícitas declarações dos Bispos de Santander.

Falam os Bispos

Como dito, as referências de Vassula Ryden a Garabandal levaram muitas pessoas interessadas a se dirigir recentemente ao Sr. Bispo D. José Vilaplana, de Santander, para lhe pedir um pronunciamento atualizado sobre as ditas aparições de Nossa Senhora.

Publicaremos, a seguir, a carta-resposta do Sr. Bispo assim como a Nota Oficial datada de 17/03/1967 e assinada por D. Vicente Puchol Montis, prelado da mesma diocese, que recorreu à Santa Sé para pedir um parecer sobre os fatos.

D. José Vilaplana, atual Bispo de Santander

“Algumas pessoas se têm dirigido ultimamente a esta diocese de Santander perguntando a respeito das “supostas aparições” de Garabandal e, principalmente, a propósito da resposta da hierarquia da Igreja a tais fatos.

Devo comunicar que:

1) Todos os Bispos da diocese, desde 1961 até 1970, afirmaram que não consta haver algo de sobrenatural em tais aparições ocorridas nos anos em pauta ;

2) No mês de dezembro de 1977, Mons. Del Val. Bispo de Santander, manifestou sua comunhão com os respectivos  predecessores, e afirmou que, nos seis anos por ele passados no Bispado de Santander, não ocorrera algum fenômeno novo.

3) Não obstante, o mesmo Mons. Del Val, decorridos os primeiros anos em que havia confusão e paixões, promoveu um estudo interdisciplinar que examinasse com maior profundidade os ditos fenômenos.  A conclusão desse estudo coincidiu com a presença anterior dos Bispos locais, ou seja, afirmava não constar haver algo de sobrenatural nas ditas aparições.

4) Tal estudo encerrou-se na data em que tomei posse da diocese em 1991.  Aproveitando uma viagem a Roma, por ocasião da visita ad limina, naquele mesmo ano apresentei à Congregação para a Doutrina da Fé os textos do referido estudo e pedi orientação para a minha atuação pastoral no caso.

5) Em data de 28 de novembro de 1992, a Congregação me enviou sua resposta: após haver atentamente examinado a respectiva documentação, a Congregação para a doutrina da Fé não julgava oportuno intervir diretamente, subtraindo à jurisdição ordinária do Bispo de Santander tal assunto, que lhe compete por direito.  Anteriores declarações da Santa Sé em 1967, 1969 e 1971 coincidiam com esse sentença.

Na mesma Carta, a Congregação para a Doutrina da Fé me sugeria que, se o tivesse por oportuno, publicasse uma declaração na qual reafirmaria que não consta haver algo de sobrenatural nas referidas aparições, fazendo minha a atitude unânime de meus predecessores.

6) Dado que as declarações de meus predecessores que estudaram o caso, foram claras e unânimes, não julguei oportuno emitir nova declaração pública para evitar dar atualidade a fatos demasiado distantes no tempo. Não obstante, estimei conveniente redigir este comunicado como resposta direta às pessoas que pedem orientação sobre o caso, caso que dou por encerrado, aceitando as decisões de meus predecessores, as quais faço minhas, como também as orientações da Santa Sé.

7) Com referência à celebração da Eucaristia em Garabandal, seguindo as normas de meus antecessores, só permito que se celebre na igreja paroquial sem alusão às supostas aparições e com a autorização do pároco atual, que goza da minha confiança.

Com votos de que estas informações o(a) possam ajudar, receba minha cordial saudação em Cristo.

José VilaplanaBispo de Santander”1 Eis o que o folheto “Plantão de Maria, julho-agosto 1995, apresenta com destaque:

TRÊS GRANDES AVISOS

(Nossa Senhora fala ao Raimundo Lopes em Belo Horizonte coisas sérias e sublimes).

No Brasil Nossa Senhora revela três profecias já conhecidas por outros videntes no mundo.

Três dias de trevas – Essa profecia já anunciada a Catarina Emerich no século passado acaba de ser confirmada em Belo Horizonte. Nossa Senhora lhe revela coisas que até então pareciam duvidosas.  É certo que isso acontecerá. Fica bem claro que não significa o fim do mundo. Diz Maria: “Eu confirmo os três de trevas, que serão três dias de completa escuridão. Vocês perceberão que a escuridão os envolverá por três dias”.

Dias de Purificação – Isso já foi anunciado, especialmente em Garabandal, Espanha, Raimundo Lopes recebe essa confirmação em 2 de maio de 95: “Que esse dia não vos surpreenda” (1Ts 5,4). Fica claro que precisamos estar convertidos para tal. Diz Maria: “O dia da grande purificação desponta no horizonte, e atingirá toda a humanidade, independentemente do Credo. Estejam preparados e usem da confissão”.

Início do Triunfo do Coração Imaculado. Dia 6 de junho vai ficar na história. Nesse dia, ao chegar a imagem Rainha da Paz, cópia de Medjugorje, na capela do vidente Raimundo Lopes. N. Senhora surpreende. Começa a segunda promessa de Fátima (1971). Diz Maria: “Hoje, neste local, neste dia, nesta hora. Inicia-se o Triunfo do meu Coração Imaculado”.

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 404 – Ano : 1996 – p. 32

Compartilhe!

    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
    Adicionar a favoritos link permanente.