G-12: “Encontro e igreja em células”

Movimento promove práticas não-bíblicas e divide igrejas

“O Encontro é Tremendo!”. Este é o chavão mais ouvido ultimamente entre os evangélicos, sejam eles pentecostais ou tradicionais. Para os que ainda não foram atingidos pela nova “onda”, trata-se do componente principal do “Modelo dos Doze” (G-12), a nova visão para a igreja em células, disseminada pelo Pr. César Castellanos Dominguez, da Colômbia.

Castellanos diz que “Deus lhe falou” que este será o modelo para crescimento da igreja para o futuro. No Brasil o G-12 encontrou forte representação nas vozes dos pastores Valnice Milhomens e René Terranova e agora se espalha por todo o país.

O G-12 é basicamente uma variante dos diversos modelos de crescimento de igreja que existem no mundo, com ênfase em números. Como os outros, ele alega ser bíblico e segundo a visão neotestamentária da igreja de Atos. Nesse modelo, os membros potenciais são enviados a um “Encontro” num lugar isolado, para ali serem “ministrados” e confrontados com a nova visão de discipulado.

Como funciona?

A promessa de um “encontro” face a face com Deus é feita repetidamente. O segredo quanto ao conteúdo do “encontro”, guardado a sete chaves, o torna mais atraente e desejado. Antes do encontro é necessário passar pelo pré-encontro, o qual consiste de quatro palestras preparatórias. Durante estas palestras, é pedido a todos sigilo absoluto quanto a tudo que irão ouvir e ver a partir daquele momento.

No dia do “encontro”, o clima é de grande festa. São dadas recomendações quanto ao comportamento, incluindo a proibição de comunicação interpessoal.

Numa série de palestras os participantes são induzidos a pensar em sua condição de pecador perdido diante de Deus.

Pessoas que já faziam parte de igrejas há anos, conscientes do seu novo nascimento em Cristo Jesus, dizem que depois de terem ido ao “encontro” tudo mudou. Será que isto é verdade?

Sabemos que quando alguém recebe a Cristo como Senhor e Salvador de sua vida, recebe a salvação mediante a fé. Será que Deus mudou o seu poder ou o modo de agir? Seu poder diminuiu ou ficou desatualizado?

Se ainda precisamos passar por um “encontro” para que todas as maldições sejam quebradas, para recebermos o perdão de nossos pecados do passado, para sermos libertos de todas as amarras, então o sacrifício de Jesus na Cruz aceito por nós anteriormente não teve efeito algum!

A própria ideia de um “encontro” com Deus não seria algo deliberável pelo homem, porque Deus é Soberano. Ele é quem decide se haverá ou não um encontro. Como pode alguém deliberar que o verdadeiro encontro com Deus deva ocorrer em determinada época, precedido de um pré-encontro e sucedido por um pós-encontro tudo devidamente planejado pelo homem?

Heresias e controle da mente

O G-12 é um movimento de perfil neo-pentecostal, que tem assumido práticas esotéricas e espíritas, tais como regressão psicológica e “liberação de perdão a Deus”. Além disso, os conceitos teológicos postulados pelo G-12, tais como suas crenças quanto à revelação, o Homem diante de Deus, Pecado, Igreja, Santidade e a Doutrina sobre o Espírito Santo, não condizem com o ensino bíblico ortodoxo.

O G-12 também emprega diversos métodos psicológicos de mind control (controle da mente) para moldar a personalidade dos “encontristas” e fazer com que eles se encaixem na “visão”. Veja mais sobre o controle mental abaixo.

O movimento é extremamente perigoso, porque pode trazer muitos problemas psicológicos a médio e longo prazos aos participantes, além de produzir uma quantidade enorme de falsas conversões (crentes fajutos). O G-12 usa métodos muito semelhantes aos usados em outros movimentos abusivos, como a Igreja de Cristo Internacional.

Síndrome de “superioridade”, acusação e tendência a divisão são comuns nesses movimentos. Eles consideram que os crentes de igrejas convencionais estão mortos espiritualmente.

Problemas de manipulação excessiva dos membros, demasiada ênfase em dízimos e ofertas, metas de conversão impostas, encontros a serem realizados etc. provocam muitas desistências a longo prazo. Pessoas que eventualmente deixarem o movimento vão sair esgotadas, feridas e vão se sentir “usadas”. A maioria pode desistir do cristianismo no futuro.

Pastores que sentem-se complexados por liderarem igrejas sem projeção, podem ser presas fáceis para a metodologia do G-12. À primeira vista, a proposta de um crescimento explosivo parece um convite irresistível. Porém, a estrutura do G-12, bem como sua filosofia não passam de uma bem elaborada estratégia de marketing e gerenciamento de recursos humanos. Não há nada de sobrenatural nisso. É um esforço humano para o recrutamento de adeptos. Mas, isso não significa que estas pessoas estejam nascendo de novo.

Quando se pensa que o novo nascimento pode ser produzido através da manipulação mental ou emocional, não há limite para as invenções humanas. Por outro lado, quando se entende que o novo nascimento é obra do Espírito Santo, que Ele realiza de acordo com o propósito e graça do Deus Trino, não há por quê tentar manipular as pessoas para conseguir o que só Deus pode fazer. O D. M. LLoyd Jones já exortava a igreja a não confundir conversões psicológicas com conversões espirituais.

O que as pessoas precisam é ouvir o Evangelho puro e simples, compreender o estado miserável de pecado em que se encontram, saber que a ira de Deus repousa sobre elas, ouvir que a graça de Deus que é dispensada àqueles a quem Deus quer salvar e que a única maneira de se achegarem ao Deus santo é pelo arrependimento e pela fé no que Jesus Cristo realizou de uma vez por todas no Calvário.

Confundir metodologia mercadológica com evangelho é uma aberração, e é isso que está acontecendo nos ambientes onde o G-12 está ganhando espaço. Se um crente não participou do “Encontro”, não está liberto ainda. Se não pertence a uma das “células castellanas”, não pertence ao Corpo de Cristo, porque as células são o Corpo. Quanta tolice e pretensão!

Uma pergunta que nos causa profunda preocupação é a seguinte: Se qualquer pessoa pode ser líder de uma célula, e com o tempo tornar-se até supervisor de várias células, e se as pessoas sob o seu comando o consideram um guia, apesar de não ter necessariamente recebido qualquer treinamento teológico consistente, o que poderá acontecer se este líder decidir romper com a estrutura vigente e abrir uma seita de qualquer espécie? E se isso acontecer em vários lugares ao mesmo tempo, quem é que vai arbitrar sobre isso? O que pode acontecer é uma explosão de novos grupos religiosos, com as mais diversas heresias. Que ninguém seja ingênuo: a maioria das seitas pseudo-cristãs saíram dos meios evangélicos, e com o G-12 a porta tornou-se muito mais larga.

Controle da Mente

Conheça a metodologia usada para a conversão psicológica em movimentos de discipulado

“Lavagem cerebral” tem se tornado quase um termo familiar nas últimas décadas. Em 1961, Robert J. Lifton escreveu o livro definitivo sobre o assunto, Thought Reform and the Psychology of Totalism (Reforma do Pensamento e a Psicologia do Totalitarismo), depois de estudar os efeitos do controle mental sobre os prisioneiros de guerra americanos pelos chineses comunistas.

Lifton esboça os oito principais fatores que podem ser usados para identificar se um grupo é uma seita destrutiva ou não. Qualquer religião autoritária poderia ser trazida à luz para determinar quão destrutiva é sua influência sobre seus membros. Julguem por si mesmos.

Controle de Ambiente

As seitas são capazes de controlar o ambiente à volta de seus recrutas de várias maneiras, mas quase sempre usando uma forma de isolamento. Os recrutas podem ser fisicamente separados da sociedade, ou podem ser advertidos sob ameaça de punição a ficar longe do mundo da mídia educativa, especialmente quando ela pode provocar o pensamento crítico. Quaisquer livros, filmes ou testemunhos de ex-membros do grupo, ou mesmo qualquer crítico do grupo devem ser, sob todas as formas, evitados. A informação é cuidadosamente mantida sobre cada recruta pela organização-mãe. Todos são vigiados, a menos que eles fiquem aquém ou muito além do pensamento da organização. Porque parece que a organização sabe tanto sobre tudo e todos, eles acabam parecendo oniscientes aos olhos dos recrutas.

Manipulação Mística

Nas seitas religiosas, Deus está sempre presente nos trabalhos da organização. Se uma pessoa sai da seita por qualquer razão, acidentes ou inimizade que possam acometê-la são sempre atribuídos ao castigo de Deus sobre ela. Pelos fiéis, diz-se que os anjos estão sempre trabalhando, e histórias circulam sobre como Deus está verdadeiramente fazendo coisas maravilhosas entre eles, porque eles são “a verdade.” À organização é dada, portanto, uma certa “mística” que é muito fascinante.

Exigência de Pureza

O mundo é descrito como “preto e branco”, com pouco espaço para tomar decisões pessoais baseadas numa consciência treinada. A conduta da pessoa é modelada pela ideologia do grupo, conforme ensinada em sua literatura. Pessoas e organizações são pintadas como boas ou más, dependendo de seu relacionamento com a seita. Tendências universais de culpa e vergonha são usadas para controlar indivíduos, mesmo depois que eles saem. Há uma grande dificuldade em entender as complexidades da moralidade humana, uma vez que tudo é polarizado e exageradamente simplificado. Todas as coisas classificadas como más devem ser evitadas, e a pureza é alcançada através da imersão na ideologia da seita.

O método da Confissão

Pecados sérios (conforme definidos pela organização) devem ser confessados imediatamente. Os membros devem ser delatados se forem encontrados andando de forma contrária às regras.

Há frequentemente uma tendência para se tirar proveito da confissão de auto-degradação. Isso ocorre quando todos têm que confessar seus pecados diante dos outros regularmente, criando um tipo intenso de unidade dentro do grupo. Isso também permite que os líderes exerçam autoridade interna sobre os mais fracos, usando seus “pecados” como um chicote para conduzí-los.

“Conhecimento Sagrado”

A ideologia da seita se torna a visão moral última para a organização da existência humana. A ideologia é também “sagrada” para ser questionada, e uma reverência pela liderança é exigida. A ideologia da seita faz uma alegação exagerada de possuir uma lógica hermética, fazendo-a parecer absoluta verdade sem contradições. Um sistema tão atraente oferece segurança.

A Criação de uma nova linguagem

Lifton explica o prolixo uso de “chavões que limitam o pensamento”, expressões ou palavras que são designadas para encerrar a conversa ou controvérsia. Os chavões são facilmente memorizados e prontamente expressos.

Eles são chamados de “linguagem de não-pensamento,” uma vez que a discussão é encerrada, não permitindo considerações posteriores. Entre as Testemunhas de Jeová, por exemplo, expressões como “a verdade”, a “organização-mãe”, o “novo sistema”, “apóstatas” e “mundano” carregam com elas um julgamento sobre os de fora, deixando-os indignos de maiores considerações.

Doutrina acima da pessoa

A experiência humana está subordinada à doutrina, não importando quão profundas ou contraditórias tais expressões pareçam. A história da seita é alterada para encaixar-se em sua lógica doutrinária. A pessoa só é valiosa enquanto se conforma com os padrões da seita. As percepções do senso comum são desprezadas se forem hostis à ideologia da seita.

Arbitragem sobre a existência

A seita decide quem tem o “direito” de existir e quem não o tem. Eles decidem que perecerá na batalha final entre o bem e o mal. Os líderes decidem que livros de história são exatos e quais são parciais. Famílias inteiras podem ser excluídas e os de fora podem ser enganados, pois não merecem existir!Por Alexandre Galante e Sergio Viula

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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