Fuga de cristãos do Médio Oriente é o fim da nossa história, afirma perito muçulmano

ROMA, 17
Jan. 11 / 05:26 pm (ACI).- Hasni Abidi, um dos mais reconhecidos intelectuais
muçulmanos da Europa, assinalou em um artigo publicado pelo jornal francês Le
Monde que a partida dos cristãos do Médio Oriente constitui o fim da história
para o mundo árabe.

No artigo recolhido pelo Osservatore Romano na edição de 13 de janeiro, Abidi,
que é Diretor do Centro de Estudos e Investigação do Mundo Árabe e Mediterrâneo
(CERMAM), com sede em Genebra (Suíça), afirma que “dizer que a presença
dos cristãos deve ser ‘tolerada’ no mundo árabe é, no fundo, profundamente
injusto, porque eles sempre pertenceram a esta terra que os viu nascer e
crescer, terra de seus ancestrais e da Bíblia“.

Abidi assinala também que os cristãos “não são uma minoria religiosa vinda
de fora para suscitar compaixão ao vê-los. Estão em seus países e devem ficar.
Sua partida é o fim de nossa história e o início de todas as derivas”.

Depois de criticar o extremismo islâmico contra as comunidades cristãs no
Oriente Médio, Abidi afirma que “alguns analistas não medem a carga de
suas declarações quando dizem, por exemplo, que o fim do colonialismo teria
feito que os cristãos perdessem preciosos apoios, ou como quando apresentam a
estes últimos como os ‘ocidentalizados’ do mundo árabe”.

Tais apreciações ignoram “a importância do aporte ideológico dos cristãos
à sociedade do Meio Oriente. Significa esquecer que as elites cristãs
conceberam e sustentaram o belo projeto da unidade árabe: a noção de
arabicidade, forjada em parte por intelectuais cristãos”.

O perito questiona logo: “como se pode promover a coexistência das
culturas se, ao interior das fronteiras, está em vigor o culto da maioria e da
religião dominante quando não do único partido?”

“Que credibilidade podem ter os chamados incessantes e repetitivos da
Organização da conferência islâmica e da Organização islâmica para a ciência, a
educação e a cultura, que se erigem como defensores dos muçulmanos que vivem no
Ocidente, quando estas duas organizações permanecem em silêncio culposo ante os
atropelos que os cristãos sofrem no Oriente?”

Abidi questiona uma vez mais a credibilidade destas instituições “quando
na prática os governos dos países árabes são incapazes de tutelar seus
concidadãos de confissão cristã ou citam perante a justiça homens e mulheres
que escolheram um caminho distinto ao da maioria”.

“Poucas são as vozes, como a do príncipe saudita Talal Ibn Abdel Aziz,
irmão do rei Abdallah, que se levantam para dizer que a partida dos cristãos
poria em risco a democracia e a modernidade do mundo árabe”.

Finalmente Hasni Abidi ressalta que “seria bom ter mais destas vozes se
queremos suscitar um debate indispensável. O déficit democrático é em grande
parte responsabilidade da confusão atual. E o Ocidente, que não se atreve a
ferir seus aliados, é culpado por suas más companhias”.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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