Fraqueza e poder

A lei do mais forte revela sua fraqueza quando não for realmente forte para servir e promover o mais fraco. Caso contrário, ela se torna imensa covardia e manifestação de pequeno caráter de quem a usa para massacrar e aproveitar-se do mais frágil. Isso, infelizmente, é muito presente na história da humanidade.

Jesus veio ser verdadeiro e pleno sinal de contraste com essa prática. Grandioso Deus se fez criaturinha frágil, nascendo sem o mínimo conforto e vivendo pobremente. Ele lembra que não tem nem onde reclinar a cabeça. Não aceitou a violência nem mesmo para se defender. Assumiu o martírio e provou que a última palavra não é a de quem pode matá-lo em sua natureza humana, nem mesmo a realidade da morte. Sua vida nos provou que o amor e o serviço ao semelhante é o que vale na nossa caminhada pela terra. O mais deve ser empregado nessa direção.

A realização justa do ser humano inclui o necessário para uma vida digna. Mas isso não pode dar asa a que uns tenham demais e, muito menos, à custa do que seria de benefício aos outros. Enquanto não houver justiça nessa terra, é preciso de quem tenho o “tutano” da vitalidade do amor de Deus para a promoção da vida de sentido nesse planeta. Sua influência vai ser forte em todo contexto humano. A formação do caráter deve ser básico na constituição e no desenvolvimento da família e em toda a convivência social. Os poderes variados vão, assim, ser usados para o serviço à causa da vida das pessoas e do planeta onde vivemos. Serão usados para se erradicarem os mecanismos de morte e tudo o que faz pisar sobre os mais fragilizados em todas as dimensões. O livro da Sabedoria lembra o poder de domínio para o exercício da misericórdia e a atitude de alguém ser humano para com os frágeis: “A tua força é o princípio da tua justiça, e o teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente… o justo deve ser humano” (Sabedoria 12, 16.19).

Jesus nos lembra a necessidade de sermos indulgentes para com o próximo, da mesma forma em que pedimos semelhante atitude de Deus para conosco. Paulo lembra a ação do Espírito que nos auxilia: “O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza” (Romanos 8,26).

Não entendemos porque há tantas pessoas maléficas, invejosas, vingativas, mentirosas, trapaceiras e desonestas. Procuram fazer o mal ao semelhante. Usam da política para beneficiar a si e seus comparsas em detrimento de grandes parcelas pobres. Já na parábola do joio e do trigo temos a narrativa de fato semelhante do homem que semeou a boa semente e o inimigo a má. No entanto, a colheita marcou o resultado do bom produto (Cf. Mateus 13,24-43). A fraqueza dos maus está no pensamento de que sua grandeza no malefício será a palavra final. O criminoso, por exemplo, pode até pensar que vai ficar ileso e tirar vantagem de seu ato malvado. Às vezes sua condenação e penalização podem não se dar nesta terra, se bem que as maiores são a de ele mesmo saber que a grandeza da pessoa está na dignidade e no bem. Mas a última palavra é a do próprio Deus, que nos recompensa pelo bem que tivermos feito ao semelhante. Esta é a real grandeza  e a maior conseqüência do que realizamos nesta caminhada terrena.

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Dom José Alberto Moura, CSS
Arcebispo Metropolitano de Montes Claros – MG

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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