Fenômeno na Espanha: convento de clausura atrai a dezenas de jovens profissionais

MADRI, 05 Nov. 09 / 03:38 am (ACI).- Uma religiosa de 43 anos, convertida em uma das prioresas mais jovens de sua ordem religiosa, revolucionou um antigo convento de Clarissas contemplativas na Espanha, convertendo-o em um ímã para dezenas de jovens mulheres profissionais.

Irmã Verônica ingressou no convento de Irmãs Clarisas de clausura da Ascensão fundado em Lerma (Espanha) em 1604, quando este se encontrava em uma crise vocacional.

Era 22 de janeiro de 1984 e Marijose Berzosa -o nome de Irmã Verônica no mundo- decidiu, aos 18 anos, deixar atrás a carreira de medicina, os amigos, as discotecas dos 80 e o basquete.

“Ninguém me entendeu. Houve apostas de que não ia durar nada. Mas eles não sentiam a força do furacão que me arrastava”, conta Irmã Verônica. “Era a clássica adolescente em busca de uma saída… e tomei a decisão em apenas quinze dias”.

Irmã Verônica ingressou assim a um convento onde fazia 23 anos não entrava nenhuma noviça.&&

Irmã Pureza de María Lubián, de 70 anos, hoje abadessa do convento em Burgos, foi sua formadora, e a recorda como “uma menina encantadora. Muito nobre e muito boa. Tinha 18 anos e um futuro. Abandonou tudo. Seguiu a chamada de Deus. Tinha uma personalidade muito rica. Sempre foi líder. E, espiritualmente, com uma grande vocação. Teve lutas e dificuldades. Fez um grande esforço. Mas atuou a graça do Espírito. E ela deixou fazer-se”.

O jornal espanhol “El Pais”, um dos mais favoráveis a atual campanha socialista contra a Igreja Católica na Espanha, não pôde resistir de publicar uma extensa reportagem sobre a Irmã Verônica, quem segundo o jornal, “converteu-se no maior fenômeno da Igreja desde Teresa de Calcutá”; pois “fez daquele vetusto convento de Lerma uma atrativa bandeira para vocações femininas que conta com 135 monjas com carreira profissional e uma média de idade de 35 anos e uma centena mais em lista de espera. Já abriram uma sucursal na localidade de La Aguilera, a 40 quilômetros de Lerma, em um enorme monastério cedido por seus irmãos franciscanos.”

“Um boom insuspeitado de vocações quando os jesuítas têm apenas 20 noviços em toda a Espanha; os franciscanos, cinco, e os ‘paúles’, dois. Em um momento em que se importam monjas da Índia, Quênia ou Paraguai para evitar o fechamento de conventos habitados por velhinhas, e que a maioria de nossos sacerdotes superam os 60 anos”, diz a reportagem.

O convento, durante os fins de semana, converteu-se em um ponto de acolhida de centenas de peregrinos: famílias numerosas, jovens membros de movimentos eclesiásticos e grupos paroquiais chegam em ônibus para participar das orações, as peças teatrais e as exortações a uma vida cristã plena.

Segundo “El Pais”, a maioria das religiosas jovens que se viram atraídas pela vocação da Irmã Verônica “teve namorado e emprego. Não são freirinhas de escassa teologia. foram educadas na Igreja de resistência de João Paulo II. São militantes. São urbanas e com estudos. Nenhuma é imigrante. Há cinco irmãs da mesma família; 11 casais de irmãs de sangue e um de gêmeas. Abunda a classe média. E os títulos universitários. Esta comunidade oferece um completo catálogo de advogadas, economistas, físicas e químicas; engenheiras de estradas, industriais, agrícolas e aeronáuticas; arquitetas, médicas, farmacêuticas, biólogas e fisioterapeutas; bibliotecárias, filólogas, pedagogas e fotógrafas”.

Uma das irmãs da comunidade entrevistada pelo jornal define sua clausura como “uma casa aberta aos que tocam a nossa porta. Queremos compartilhar nossa fé, dar a conhecer o que está acontecendo conosco. E se virem Jesus em nós, adiante. Espanha está tão pagã que é necessário que compartilhemos nossa fé, não que a vivamos a sós. É o momento de atuar”.

O crescimento do convento da chegada de Irmã Verônica foi explosivo: em 1994, quando foi nomeada formadora de noviças com apenas 28 anos, ingressaram 27 irmãs. Em 2002 eram 72; em 2004, 92; em 2005, 105. E 134 a finais do passado mês de setembro. Todas vivendo em um convento do século XVI construído para albergar a 32 religiosas.

Mas as religiosas contam agora com um lugar onde seguir crescendo: os Franciscanos de Lerma emprestaram por 30 anos o monastério de La Aguilera, contíguo ao santuário e à tumba de São Pedro Regalado.

O monastério se encontra em um acelerado processo de construção para proporcionar um espaço moderno, funcional e bem iluminado, com energia obtida mediante painéis solares.

O novo convento conta com 100 celas de 10 metros quadrados, com cama, mesa e genuflexório; enquanto se constrói um locutório com capacidade para 400 pessoas, uma hospedaria, banheiros para os visitantes, e uma nova capela.
Pouco tempo atrás, o Pe. Raniero Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia, dirigiu um retiro às 140 freiras clarissas de Lerma. A visita do capuchinho italiano foi ocasião para uma emotiva reportagem emitida pela RAI (Rádio e Televisão Italiana) em hora de máxima audiência, na Itália.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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