Falsos cristãos políticos

Há bons e maus governantes; e não é justo e nem salutar condenar os políticos de forma geral, e muito menos a política. Uma coisa é a boa política:  “a arte de fazer caridade”, sim, de buscar o bem comum; outra coisa é a politicagem: a arte de fazer falcatruas para buscar o bem próprio enganando o povo. Esses maus políticos, que envergonham a nação, e dilapidam o povo, servem a este mesmo povo apenas enquanto pode retirar-lhes o voto.

Pior do que os inimigos declarados da Igreja, os hereges, os ateus, os anticatólicos, são aqueles falsos cristãos que se escondem dentro dela para “se servirem dela”. São os piores fariseus de nossos dias. Sabem que a Igreja é amada e respeitada pelo povo, então, fingem serem devotos cristãos; fingem obedecer às leis morais que a Igreja ensina; mas, às escondidas fazem falcatruas e leis que ofendem a Deus e contrariam o Evangelho da salvação.

O pior ainda é quando esses maus cristãos políticos querem fazer o povo crer, disfarçadamente, que o que a Igreja ensina “não é bem assim”, que “a caridade supera a verdade” e agem de forma maquiavélica onde os fins justificam os meios. Para esses é bom lembrar o que disse o Papa Bento XVI na sua última encíclica: “caridade sem verdade é sentimentalismo”. A caridade sem a verdade não salva.

Aproveitando-se daquilo que hoje impera na sociedade, e que o Papa chama de “ditadura do relativismo”, esses falsos católicos enganam o povo com discursos vazios, mas “politicamente corretos”.

Para jogar uma cortina de fumaça nos olhos de uma grande maioria, de um povo que não lê jornais e revistas, e que apenas assiste os noticiários de TV, onde só divulgam o que lhes interessa, esses maus católicos envolvem essa maioria com agrados de todas as ordens e compensações que nos fazem lembrar “o pão e o circo” dos romanos.

No século IV quando os soberanos romanos, mesmo já cristãos,  queriam  se sobrepor às autoridades da Igreja, os grandes bispos impediram essa prática.

Neste tempo a Igreja foi como antídoto ao poder. Santo Ambrósio, doutor da Igreja, então bispo de Milão, disse ao grande imperador Teodósio – aquele que no ano 385 tornou o Império cristão – que “o imperador está dentro da Igreja,  não acima dela”. E Ambrósio impôs ao imperador suplicar perdão a Deus, em vestes de penitência, por um grande pecado que cometeu em Tessalônica.

Da mesma forma o grande Ósio de Córdoba, esse grande bispo espanhol assessor de Teodósio, lembrou ao arrogante e herege imperador ariano Constâncio: “lembra-te de que és um homem mortal”. “Não tendes o direito de imiscuir-se nos assuntos religiosos. Deu-vos Deus a autoridade sobre o Império, mas foi a nós que a deu sobre a Igreja. Em matéria de fé são as nossas lições que tendes de ouvir”.

Santo Atanásio, doutor a Igreja, bispo de Cartago no século III, já tinha dito que “Misturar o poder romano com o governo da Igreja é violar os cânones de Deus”. Santo Hilário de Poitiers, doutor da Igreja na França. chamou o imperador Constâncio de Anticristo: “Inimigo insinuante, perseguidor manhoso, chicoteia-nos as costas, mas acaricia-nos o ventre; não nos reserva a liberdade da prisão, mas a servidão do palácio, não  nos corta a cabeça, mas procura estrangular-nos a alma”. (Rops, pg. 540)

E São João Crisóstomo, doutor da Igreja de Constantinopla, morreu no exílio em 407 por ter enfrentado os imperadores bizantinos. São Gregório VII, o grande papa Hildebrando, morreu no exílio porque enfrentou corajosamente o imperador alemão Henrique IV, cristão de nome, no caso das investiduras leigas. “Amei a justiça, odiei a iniquidade, por isso morro no exílio”; foram suas últimas palavras.

Os católicos precisam valorizar a boa política, não destruí-la; ela é coisa boa; e o Papa tem pedido insistentemente  aos cristãos para entrarem nela e purificá-la com a luz do Evangelho de Cristo. Se não houver cristãos convictos na política ela não pode melhorar. Destruir a política é destruir a democracia e deixar o poder nas mãos dos déspotas, tiranos e ditadores, mesmo dentro de uma pseudodemocracia.

Cada católico precisa ser político, mesmo sem disputar uma eleição, mas no sentido de votar com sua consciência, com convicção e não por conveniências. E abrir os olhos dos irmãos enganados pelos falsos políticos, especialmente daqueles que fingem ser católicos, mas que não pregam e nem defendem o que a Igreja ensina. Fujamos desses, porque são os piores inimigos da nossa fé.

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Prof. Felipe Aquino

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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