Estudantes estrangeiros: protagonistas da transmissão da fé

Aberto em Roma o III Congresso Mundial da Pastoral dos Estudantes Internacionais

ROMA, quinta-feira, 1º de dezembro de 2011 (ZENIT.org) – Foi aberto na tarde de ontem o III Congresso Mundial da Pastoral dos Estudantes Internacionais, que irá até sábado, 3 de dezembro.

O evento é organizado pelo Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes e foi apresentado pelo presidente do dicastério, Dom Antonio Maria Vegliò, que deu as boas-vindas aos participantes.

“A presença de vocês é um testemunho da solicitude pastoral da Igreja por esta especial categoria formada pelos estudantes internacionais, dentro do impressionante fenômeno da migração”, disse o prelado, que começou o discurso resumindo a história do congresso e da pastoral dos estudantes internacionais, dos anos 50 até hoje.

O objetivo do III Congresso é “identificar as características da mobilidade internacional dos estudantes no contexto do encontro das culturas”.

“Como dizia o beato João Paulo II”, prosseguiu o bispo, “é uma tarefa difícil para a Igreja de hoje entender a grande diversidade de culturas, costumes, tradições e civilizações”.

Dom Vegliò recordou ainda que, acompanhando o papa antecessor, Bento XVI expressou em 2005, em seu primeiro encontro com os universitários dos ateneus romanos, um “desejo forte de aprofundarmos a reflexão sobre o novo humanismo, tendo em vista os grandes desafios da época contemporânea e procurando combinar a fé e a cultura”.

“O papa deseja um cuidadoso entendimento cultural e espiritual deste momento histórico”, destacou Vegliò.

Na exortação pós-sinodal Africae munus, o papa “insiste mais uma vez no papel essencial das universidades e das instituições acadêmicas católicas dentro do contexto do fenômeno migratório e da grande mistura de povos, culturas e religiões”.

O prelado enfatizou depois a presença “transformadora e evangelizadora” dos estudantes internacionais. Impulsionada pela globalização e pelas precárias situações políticas e educacionais na pátria de origem, ou facilitada por programas de intercâmbio universitário e incentivos financeiros, “a mobilidade dos estudantes internacionais está ganhando grande importância sócio-política e econômica no mundo atual, tornando-se uma realidade de grande interesse tanto para os países dos quais se parte quanto para os países de destino, e tanto para a Igreja quanto para a humanidade toda”.

De acordo com algumas estimativas, o número de estudantes internacionais gira em torno de 3 milhões, com tendência crescente: em 2025 eles poderão chegar a 7 milhões.

Se por um lado a modernização oferece uma aproximação mais fácil do patrimônio cultural e espiritual da humanidade, por outro o estudante estrangeiro traz consigo uma bagagem de “conhecimentos e valores, mentalidade e comportamentos, formada na sua fé e cultura”.

“Temos que valorizar, à luz da fé católica e da razão, da verdade e da caridade, os elementos positivos que existem no modo deles de professar a fé, de pensar, interagir, expressar-se, de desenvolver-se para o bem da sociedade humana e da Igreja”, continuou Vegliò.

Desta forma, “o aluno internacional pode se tornar um artífice e um protagonista da transmissão da fé em Jesus e dos valores humanos e culturais”.

Para a Igreja, o fluxo dos estudantes estrangeiros é “um dom especial, porque eles são atores e destinatários da sua missão”.

Eles contribuem “para a evangelização e para a nova evangelização, para a criação de um novo humanismo de fraternidade e solidariedade, de respeito e de unidade na diversidade”.

Ao mesmo tempo, eles desafiam a Igreja “a medir a sua capacidade pastoral de satisfazer as necessidades espirituais, culturais e materiais que eles têm, diante dos conflitos de interesses e valores encontrados na cultura que os acolhe”.

Vegliò reiterou que “hoje a Igreja é chamada a ajudar mais do que nunca para descobrir o papel estratégico dos estudantes internacionais não só no futuro das suas nações, mas no bem de toda a comunidade internacional e da Igreja”.

Confiando os participantes ao apoio materno de Maria, Mãe de Deus e Mãe da humanidade, o presidente do Pontifício Conselho concluiu seu discurso agradecendo a todos “pelo serviço que prestam à Igreja e à sociedade humana”.

A apresentação do programa do congresso foi feita pelo secretário do dicastério, Dom Joseph Kalathiparambil, que compartilhou uma lembrança pessoal. O congresso, disse ele, “me traz de volta aos anos belíssimos em que eu era um estudante estrangeiro nesta Cidade Eterna, uma experiência estimulante e enriquecedora”.

Neste congresso, prosseguiu o prelado indiano, “o nosso Conselho quer se concentrar em como desenvolver uma metodologia bem estudada de abordagem a esse fenômeno crescente e emocionante, assim como um programa de redes continentais e internacionais coordenadas para o futuro deste campo crucial de atividade pastoral da Igreja”.

Kalathiparambil recordou também a participação, entre outros, do Cardeal Zenon Grocholewski, prefeito da Congregação para a Educação Católica; de Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura; de Dom Savio Hon Tai-Fai, secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, e de Dom Vincent Nichols, arcebispo de Westminster.

O evento principal do congresso será a audiência com Bento XVI, prevista para amanhã, 2 de dezembro: “uma oportunidade única e solene para todos”, disse Kalathiparambil.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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