Escola da Fé: Catecismo da Igreja – Parte 2

Os Mistérios da Vida de Cristo

Toda a vida de Cristo é mistério

514. Muitas coisas que interessam à curiosidade humana acerca de Jesus não figuram nos Evangelhos. Quase nada é dito sobre sua vida em Nazaré, e mesmo uma grande parte de sua vida pública não é relatada. O que foi escrito nos Evangelhos foi “para crerdes que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome” (Jo 20, 31).

561. “Toda a vida de Cristo foi um contínuo ensinamento: seus silêncios, seus milagres, seus gestos, sua oração, seu amor ao homem, sua predileção pelos pequenos e pelos pobres, a aceitação do sacrifício total na Cruz pela redenção do mundo, Sua Ressurreição constituem a atuação de sua palavra e o cumprimento da Revelação.

562. Os discípulos de Cristo devem conformar-se com Ele até Ele se formar neles” (Gl 4,19). “É por isso que somos inseridos nos mistérios de sua vida, com Ele configurados, com Ele mortos e com Ele ressuscitados, até que com Ele reinemos” (GS 7).

Os mistérios da infância e da vida oculta de Jesus

564. Por sua submissão a Maria e José, assim como por seu humilde trabalho durante longos anos em Nazaré, Jesus nos dá o exemplo da santidade na vida cotidiana da família e do trabalho.

522. A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da

“Primeira Aliança”, tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel.

523. São João Batista é o precursor do Senhor, enviado para preparar-lhe o caminho. “Profeta do Altíssimo” (Lc; 1,76), ele supera todos os profetas, deles é o último, inaugura o Evangelho; saúda a vinda de Cristo desde o seio de sua mãe e encontra sua alegria em ser “o amigo do esposo” (Jo 3,29), que designa como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29).

O MISTÉRIO DO NATAL

525. Jesus nasceu na humildade de um estábulo, em uma família pobre; as primeiras testemunhas do evento são simples pastores. É nesta pobreza que se manifesta a glória do Céu.

526. “Tornar-se criança” em relação a Deus é a condição para entrar no Reino; para isso é preciso humilhar-se, tornar-se pequeno; mais ainda: é preciso “nascer do alto” (Jo 3,7), “nascer de Deus” para tornar-nos filhos de Deus.

527. A circuncisão de Jesus, no oitavo dia depois de seu nascimento, é sinal de sua inserção na descendência de Abraão, no povo da Aliança, de sua submissão à Lei e de capacitação para o culto de Israel, do qual participará durante sua toda a vida.Este sinal prefigura “a circuncisão de Cristo”, que é o Batismo.

528. A epifania é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, Filho de Deus e Salvador do mundo. Adoração de Jesus pelos “magos” vindos do Oriente. Nesses “magos”, representantes das religiões pagãs circunvizinhas, o Evangelho vê as primícias das nações que acolhem a Boa Nova da salvação pela Encarnação. Oferecem ao Menino ouro (Rei), incenso (Deus) e mirra (Cordeiro de Deus)

529. A apresentação de Jesus no Templo mostra-o como o Primogênito pertencente ao Senhor.

Com Simeão e Ana, é toda a espera de Israel que vem ao encontro de seu Salvador .

Jesus é reconhecido como o Messias tão esperado, “luz das nações” e “Glória de Israel”, mas também “sinal de contradição”.

A espada de dor predita a Maria anuncia esta outra oblação, perfeita e única, da Cruz, que dará  a salvação que Deus “preparou diante de todos os povos”.

530. A fuga para o Egito e o massacre dos inocentes manifestam a oposição das trevas à luz: “Ele veio para o que era seu e os seus não o receberam” (Jo 1,11).

Toda a vida de Cristo estará  sob o signo da perseguição.

Os seus compartilham com Ele esta perseguição.

Sua volta do Egito lembra o Êxodo e apresenta Jesus como o libertador definitivo.

OS MISTÉRIOS DA VIDA OCULTA DE JESUS
 
531. Durante a maior parte de sua vida, Jesus compartilhou a condição da imensa maioria dos homens: uma vida cotidiana. Sem grandeza aparente, vida de trabalho manual, vida religiosa judaica submetida à Lei de Deus, vida na comunidade.

De todo este período é-nos revelado que Jesus era “submisso” a seus pais e que “crescia em sabedoria, em estatura em graça diante de Deus e diante dos homens” (Lc 2,52).

532. A submissão de Jesus a sua Mãe e a seu pai legal cumpre com perfeição o quarto mandamento. Ela é a imagem temporal de sua obediência filial a seu Pai celeste. A submissão diária de Jesus a José e a Maria anunciava e antecipava a submissão da Quinta-feira Santa: “Não a minha vontade…” (Lc 22,42). A obediência de Cristo no cotidiano da vida condida inaugurava já a obra de restabelecimento daquilo a desobediência de Adão havia destruído.

Papa Paulo VI em Nazaré – 05 jan 1964

“Nazaré é a escola na qual se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho…

Primeiramente, uma lição de silêncio. Que nasça em nós a estima do silêncio, esta admirável e indispensável condição do espírito…
Uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é a família, sua comunhão de amor, sua beleza austera e simples, seu caráter sagrado e inviolável…
Uma lição de trabalho.
Nazaré, ó casa do “Filho do Carpinteiro”, é aqui que gostaríamos de compreender e celebrar a lei severa e redentora do trabalho humano…; assim como gostaríamos finalmente de saudar aqui todos os trabalhadores do mundo inteiro e mostrar-lhes seu grande modelo, seu Irmão divino.”

534. O reencontro de Jesus no Templo Nele Jesus deixa entrever o mistério de sua consagração total a uma missão decorrente de sua filiação divina: “Não sabíeis que devo ocupar-me com as coisas de meu Pai?” (Lc 2,49).

Maria e José “não compreenderam” esta palavra, mas a acolheram na fé, e Maria “guardava a lembrança de todos esses fatos em seu coração” (Lc 2,51), ao longo dos anos em que Jesus permanecia mergulhado no silêncio de uma vida ordinária.

OS MISTÉRIOS DA VIDA PÚBLICA DE JESUS

O BATISMO DE JESUS

535. João Batista proclamava “um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados” (Lc 3,3). Uma multidão de pecadores, de publicanos e soldados, fariseus e saduceus e prostitutas vem fazer-se batizar por ele.

Jesus aparece, o Batista hesita, mas Jesus insiste. E Ele recebe o Batismo. Então o Espírito Santo, sob forma de pomba, vem sobre Jesus, e a voz do céu proclama: “Este é o meu Filho bem-amado” (Mt 3,13-17).

É a manifestação (“Epifania”) de Jesus como Messias de Israel e Filho de Deus.

536. O Batismo de Jesus é, da parte dele, a aceitação e a inauguração de sua missão de Servo sofredor. Deixa-se contar entre os pecadores; é, já, “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29).
Antecipa já  o “Batismo” de sua morte sangrenta. Vem, já, “cumprir toda a justiça” (Mt 3,15), ou seja, submete-se por inteiro à vontade de seu Pai.
No Batismo de Jesus, “abriram-se os Céus” (Mt 3,16) que o pecado de Adão havia fechado; e as  águas são santificadas pela descida de Jesus e do Espírito, prelúdio da nova criação.

537. Pelo Batismo, o cristão é sacramentalmente assimilado a Jesus, que antecipa em seu Batismo a sua Morte e a sua Ressurreição; deve entrar neste mistério de rebaixamento humilde e de arrependimento, descer à  água com Jesus para subir novamente com ele, renascer da  água e do Espírito para tornar-se, no Filho, filho bem-amado do Pai e “viver em uma vida nova”.(Rm 6,4-5): “Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova.
Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição.”
A TENTAÇÃO DE JESUS

538. “Levado pelo Espírito” ao deserto, Jesus ali fica quarenta dias sem comer, vive com os animais selvagens e os anjos o servem. No final dessa permanência, Satanás o tenta por três vezes procurando questionar sua atitude filial para com Deus. Jesus rechaça esses ataques que recapitulam as tentações de Adão no Paraíso e de Israel no deserto, e o Diabo afasta-se dele “até o tempo oportuno” (Lc 4,13).

539. Os evangelistas assinalam o sentido salvífico desse acontecimento misterioso. Jesus é o novo Adão, que ficou fiel onde o primeiro sucumbiu à tentação.Cristo se revela como o Servo de Deus totalmente obediente à vontade divina. Nisso Jesus é vencedor do Diabo: ele “amarrou o homem forte” para retomar-lhe a presa.
A vitória de Jesus sobre o tentador no deserto antecipa a vitória da Paixão, obediência suprema de seu amor filial ao Pai.

540. A tentação de Jesus manifesta a maneira que o Filho de Deus tem de ser Messias o oposto da que lhe propõe Satanás e que os homens desejam atribuir-lhe.

“O REINO DE DEUS ESTÁ BEM PRÓXIMO”
 
541. “Depois que João foi preso, Jesus veio para a Galiléia proclamando, nestes termos, o Evangelho de Deus: “Cumpriu-se O tempo e o Reino de Deus está  próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho”‘ (Mc 1,14-15).
“Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou o Reino dos céus na terra.” Ora, a vontade do Pai é “elevar os homens à participação da Vida Divina”.
Realiza tal intento reunindo os homens em torno de seu Filho, Jesus Cristo. Esta reunião é a Igreja, que é na terra “O germe e o começo do Reino de Deus” ()

O ANUNCIO DO REINO DE DEUS

543. Todos os homens são chamados a entrar no Reino. Anunciado primeiro aos filhos de Israel, este Reino messiânico está destinado a acolher os homens de todas as nações. Para ter acesso a ele, é preciso acolher a palavra de Jesus.

544. O Reino pertence aos pobres e aos pequenos, isto é, aos que o acolheram com um coração humilde. Jesus é enviado para “evangelizar os pobres” (Lc 4,18). Declara-os bem-aventurados, pois “o Reino dos Céus é deles” (Mt 5,3); foi aos “pequenos” que o Pai se dignou revelar o que permanece escondido aos sábios e aos entendidos.

545. Jesus convida os pecadores à mesa do Reino: “Não vim chamar justos, mas pecadores” (Mc 2,17). Convida-os à conversão, sem a qual não se pode entrar no Reino.

OS SINAIS DO REINO DE DEUS

547. Jesus acompanha suas palavras com numerosos “milagres, prodígios e sinais” (At 2,22) que manifestam que o Reino está presente nele. Atestam que Jesus é o Messias anunciado.

549. Ao libertar certas pessoas dos males terrestres da fome, da injustiça, da doença e da morte, Jesus operou sinais messiânicos; não veio, no entanto, para abolir todos os males da terra, mas para libertar os homens da mais grave das escravidões, a do pecado, que os entrava em sua vocação de filhos de Deus e causa todas as suas escravidões humanas.

550. O advento do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás:

“Se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já  chegou a vós” (Mt 12,28).
Os exorcismos de Jesus libertam homens do domínio dos demônios. Antecipam a grande vitória de Jesus sobre “o príncipe deste mundo”.
E pela Cruz de Cristo que o Reino de Deus ser  definitivamente estabelecido: “Regnavit a ligno Deus – Deus reinou do alto do madeiro”.

“AS CHAVES DO REINO”

551. Jesus escolhe homens em número de doze para estar com Ele e para participar de sua missão; dá-lhes participação em sua autoridade “e enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar” (Lc 9,2). Permanecem eles para sempre associados ao Reino de Cristo, pois Jesus dirige a Igreja por intermédio deles: Disponho para vós o Reino, como meu Pai o dispôs para mim,  e vos senteis em tronos para julgar as doze tribos de Israel (Lc 22,29-30).

552. No colégio dos Doze, Simão Pedro ocupa o primeiro lugar. Jesus confiou-lhe uma missão única.  “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as Portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).
Cristo, “Pedra viva”; garante a sua Igreja construída sobre Pedro a vitória sobre as potências de morte. Pedro permanecerá como a rocha inabalável da Igreja.
Terá  por missão defender esta fé de todo desfalecimento e confirmar nela seus irmãos. (Lc 22,32)

“Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,15-17).

A TRANSFIGURAÇÃO

554. A partir do dia em que Pedro confessou que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, o Mestre “começou a mostrar a seus discípulo que era necessário que fosse a
Jerusalém e sofresse… que fosse morto e ressurgisse ao terceiro dia” (Mt 16,21):
Pedro rechaça este anúncio, os demais também não o compreendem.
O rosto e as vestes de Jesus tornam-se fulgurantes de luz, Moisés e Elias aparecem, “falavam de sua partida que iria se consumar em Jerusalém” (Lc 9,31). Uma nuvem os cobre e uma voz do céu diz: “Este é o meu Filho, o Eleito; ouvi-o” (Lc 9,35).
555.  Jesus mostra sua glória divina, confirmando, assim, a confissão de Pedro. Mostra também que, para “entrar em sua glória” (Lc 24,26), deve passar pela Cruz em Jerusalém.

556. A Transfiguração dá-nos um antegozo da vinda gloriosa do Cristo, “que transfigurar  nosso corpo humilhado, conformando-o ao seu corpo glorioso” (Fl 3,21).

Mas ela nos lembra também “que é preciso passarmos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus” (At 14,22).

A SUBIDA DE JESUS A JERUSALÉM

557. “Ora, quando se completaram os dias de sua elevação, Jesus tomou resolutamente o caminho de Jerusalém” (Lc 9, 51). “Não convém que um profeta pereça fora de Jerusalém” (Lc 13,33).

558. “Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha recolhe seus pintainhos debaixo das asas… e não o quiseste” (Mt 23,37b). Chora sobre a cidade (Lc 19,42).

A ENTRADA MESSIÂNICA DE JESUS EM JERUSALÉM

559. É aclamado como o filho de Davi, aquele que traz a salvação (“Hosana” quer dizer salva-nos!”, “dá a salvação!”,
O “Rei de Glória” (Sl 24,7-10) entra em sua cidade “montado em um jumento” (Zc 9,9): não conquista a Filha de Sião figura de sua Igreja, pela astúcia nem pela violência, mas pela humildade que dá  testemunho da Verdade. 

ARTIGO 4 – “JESUS CRISTO PADECEU SOB PÔNCIO PILATOS, FOI CRUCIFICADO, MORTO E SEPULTADO”

571.O projeto salvador de Deus realizou-se “uma vez por todas” (Hb 9,26) pela morte redentora de seu Filho, Jesus Cristo. “Não era preciso que Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória?” (Lc 24,26).

576.  Jesus parece agir contra as instituições essenciais do Povo eleito:
– a submissão à Lei na integralidade de seus preceitos escritos e, para os fariseus, na interpretação da tradição oral;
– a centralidade do Templo de Jerusalém como lugar santo, em que Deus habita de forma privilegiada;
– a fé no Deus único, cuja glória nenhum homem pode compartilhar.

Muitos judeus abraçaram a fé:
“Um bom número deles creu nele”, ainda que de forma bem imperfeita (Jo 12,42).
No dia seguinte a Pentecostes “uma multidão de sacerdotes obedecia à fé” (At 6,7) e que “alguns do partido dos fariseus haviam abraçado a fé” (At 15,5).
“Zelosos partidários da Lei, milhares de judeus abraçaram a fé” (At 21,20).

OS JUDEUS NÃO SÃO COLETIVAMENTE RESPONSÁVEIS PELA MORTE DE JESUS
 
597. “Aquilo que se perpetrou em sua Paixão não pode indistintamente ser imputado a todos os judeus que viviam então, nem aos de hoje…
Os judeus não devem ser apresentados nem como condenados por Deus nem como amaldiçoados, como se isto decorresse das Sagradas Escrituras”.(Nostra Aetate, 5)

598. “Foram os pecadores como tais os autores e como que os instrumentos de todos os sofrimentos por que passou o Divino Redentor” (Cat. Rom 1,5).
Levando em conta que nossos pecados atingem o próprio Cristo, a Igreja não hesita em imputar aos cristãos a responsabilidade mais grave no suplício de Jesus.

“De sua parte crucificam de novo o Filho de Deus e o expõem as injúrias” (Hb 6,6).
598 – Nosso próprio crime é maior do que o dos judeus. Pois estes, como testemunha o Apóstolo, “se tivessem conhecido o Rei da glória, nunca o teriam crucificado” (1Cor 2,8). “Nós, porém, fazemos profissão de conhecê-lo. E, quando o negamos por nossos atos, de certo modo levantamos contra Ele nossas mãos homicidas” (Cat. Rom.).

“Os demônios, então, não foram eles que o crucificaram; és tu que com eles o crucificaste e continuas a crucificá-lo, deleitando-te nos vícios e. nos pecados”. (S. Francisco)

599. “Ele foi entregue segundo o desígnio determinado e a presciência de Deus” (At 2,23).
Esta linguagem bíblica não significa que os que “entregaram Jesus” tenham sido apenas executores passivos de um roteiro escrito de antemão por Deus.

600. Para Deus, todos os momentos do tempo estão presentes em sua atualidade. Ele estabelece, portanto, seu projeto eterno de “predestinação” incluindo nele a resposta livre de cada homem à sua graça.

Cristo morreu pelos nossos pecados:

“Fostes resgatados da vida fútil que herdastes de vossos pais, pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeitos e sem mácula… manifestado, no fim dos tempos, por causa de vós” (1Pd 1,18-20).
Os pecados dos homens, depois do pecado original, são punidos pela morte. “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por ele, nos tornemos justiça de Deus” (2Cor 5,21).

603. Jesus nos assumiu na perdição de nosso pecado em relação a Deus a ponto de poder dizer em nosso nome, na cruz: “Meu Deus, meu Deus por que me abandonaste?” (Mc 15,34).
Tendo-o tornado solidário de nós, pecadores, “Deus não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós” (Rm 8,32), a fim de que fôssemos “reconciliados com Ele pela morte de seu Filho” (Rm 5,10).

“Deus demonstra seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando éramos ainda pecadores” (Rm 5,8).

“Assim, também, não é da vontade de vosso Pai, que está  nos céus, que um destes pequeninos se perca” (Mt 18,14). Afirma ele “dar sua vida em resgate por muitos” (Mt 20,28); este último termo não é restritivo. (§605)

605. “Não há, não houve e não haverá  nenhum homem pelo qual Cristo não tenha sofrido”. (Conc. de Quiercy, 853)

TODA A VIDA DE CRISTO É OFERENDA AO PAI

“Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar sua obra” (Jo 4,34).

“O CORDEIRO QUE TIRA O PECADO DO MUNDO” (Jo 1,29)

§610. NA CEIA, JESUS ANTECIPOU A OFERTA LIVRE DE SUA VIDA

“Isto é o meu corpo que é dado por vós” (Lc 22,19). “Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado por muitos para remissão dos pecados” (Mt 26,28).

611. “Fazei isto em memória de mim”  – institui seus Apóstolos sacerdotes da Nova Aliança.

612. A AGONIA NO GETSÊMANI

“Meu Pai, se for possível, que passe de mim este cálice…” (Mt 26,39).

“Carrega em seu próprio corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (1Pd 2,24).

613.”Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (1Cor 15,3).

“obediente até a morte de cruz” (Fl 2,8),

“Foi Ele quem nos amou e enviou seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados” (1Jo 4,10).

“Foi Deus que em Cristo reconciliou o mundo consigo” (2 Cor 5,19).

JESUS CRISTO FOI SEPULTADO

624.”Pela graça de Deus, Ele provou a morte em favor de todos os homens” (Hb 2,9).

630. Durante a permanência de Cristo no túmulo, sua Pessoa Divina continuou a assumir tanto a sua alma como o seu corpo, embora separados entre si pela morte. Por isso o corpo Cristo morto “não viu a corrupção” (At 2,27).

636. Na expressão “Jesus desceu à mansão dos mortos”, o Símbolo confessa que Jesus morreu realmente e que, por sua morte por nós, venceu a morte e o Diabo, “o dominador da morte. (Hb 2,14)

637. O Cristo morto, em sua alma unida à sua pessoa divina, desceu à Morada dos Mortos. Abriu as portas do Céu aos justos que o haviam precedido.

638. NO TERCEIRO DIA RESSUSCITOU DOS MORTOS

“Anunciamo-vos a Boa Nova: a promessa, feita a nossos pais, Deus a realizou plenamente para nós, seus filhos, ressuscitando Jesus” (At 13,32-33).
São Paulo – ano de 56: “Eu vos transmiti… o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Apareceu a Cefas, e depois aos Doze” (1Cor 15,3-4).

640. “Por que procurais entre os mortos Aquele que vive? Ele não esta aqui; ressuscitou” (Lc 24,5-6).

Os Evangelhos nos apresentam discípulos abatidos, “com o rosto sombrio” (Lc 24,17) e assustados.

Não acreditaram nas mulheres que voltavam do sepulcro, e “as palavras delas pareceram-lhes desvario” (Lc 24,11).

658. Cristo, “primogênito dentre os mortos” (Cl 1,18), é o princípio de nossa própria ressurreição, desde já  pela justificação de nossa alma, mais tarde pela vivificação de nosso corpo”.

ARTIGO 6 – “JESUS SUBIU AOS CÉUS, ESTÁ SENTADO  À DIREITA DE DEUS PAI TODO-PODEROSO”

659.”E o Senhor Jesus, depois de ter-lhes falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus” (Mc 9).

660. “Ainda não subi para o Pai. Mas vai aos meus irmãos e dizer-lhes Eu subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus (Jo 20,17). Isso indica uma diferença de manifestação entre a glória de Cristo ressuscitado (velada)e a de Cristo exaltado à direita do Pai.

Jesus Cristo, o Único Sacerdote da nova e eterna Aliança, não “entrou em um santuário feito por mão de homem… e sim no próprio céu, a fim de comparecer agora diante da face de Deus a nosso favor” (Hb 9,24).
No céu, Cristo exerce em caráter permanente seu sacerdócio, “por isso é capaz de salvar totalmente aqueles que, por meio dele, se aproximam de Deus, visto que ele vive eternamente para interceder por eles” (Hb 7,25).
Como “sumo sacerdote dos bens vindouros” (Hb 9,11) ele é o centro é o ator principal da liturgia que honra o Pai nos Céus.

664. O sentar-se à direita do Pai significa a inauguração do Reino do Messias. A partir desse momento, os apóstolos se tomaram as testemunhas do “Reino que não terá  fim”. (Dn 7,14).

ARTIGO 7 – “DONDE VIRÁ JULGAR OS VIVOS E OS MORTOS”

668. “Cristo morreu e reviveu para ser o Senhor dos mortos e dos vivos” (Rm 14,9).

670. Desde a Ascensão, o desígnio de Deus entrou em sua consumação. Já  estamos na “última hora” (1Jo 2,18)”.

“Portanto, a era final do mundo já  chegou para nós, e a renovação do mundo está  irrevogavelmente realizada.”

673. A partir da Ascensão, o advento de Cristo na glória é iminente, embora não nos “caiba conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade” (At 1,7).

674. A vinda do Messias glorioso depende a todo momento da história do reconhecimento dele por “todo Israel”. Uma parte desse Israel se “endureceu” (Rm 5) na
“incredulidade” (Rm 11,20) para com Jesus.

” A entrada da “plenitude dos judeus” na salvação messiânica, depois da “plenitude dos pagãos, dará  ao Povo de Deus a possibilidade de “realizar a plenitude de Cristo” (Ef 4, 13), na qual “Deus ser  tudo em todos” (1Cor 15,28).

A PROVAÇÃO DERRADEIRA DA IGREJA

675. Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalar  a fé de muitos crentes… desvendará  o “mistério de iniquidade” sob a forma de uma impostura religiosa que há  de trazer aos homens uma solução aparente a seus problemas, à custa da apostasia da verdade.

A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudo-messianismo em que o homem glorifica a si mesmo em lugar de Deus e de seu Messias que veioA Igreja só entrará  na glória do Reino  na carne.

677. por meio desta derradeira Páscoa, e seguirá  seu Senhor em sua Morte e Ressurreição. Portanto, o Reino não se realizará  por um triunfo histórico da Igreja, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal, que fará  sua Esposa descer do Céu.

Para julgar os vivos e os mortos

678. Jesus anunciou em sua pregação o Juízo do último Dia.
Então será revelada a conduta de cada um e o segredo dos corações.
Será também condenada a incredulidade culpada que fez pouco caso da graça oferecida por Deus.

679. É pela recusa da graça nesta vida que cada um já  se julga a si mesmo; recebe de acordo com suas obras e pode até condenar-se para a eternidade ao recusar o Espírito de amor. 

681. No dia do juízo, por ocasião do fim do mundo, Cristo virá na glória para realizar o triunfo definitivo do bem sobre o mal os quais, como o trigo e o joio, terão crescido juntos ao longo da história.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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