Escola da Fé: Catecismo da Igreja – Parte 1

Constituição Apostólica “Fidei Depósitum” – João Paulo II

11 de outubro de 1992

Guardar o Depósito da Fé é missão que o Senhor confiou à sua Igreja e que ela cumpre em todos os tempos.
 
“Para mim o Concílio  Vaticano II foi sempre, e é de modo particular nestes anos do meu Pontificado, o constante ponto de referência de toda a minha ação pastoral… É preciso incessantemente recomeçar daquela fonte”.

Neste espírito, a 25 de janeiro de 1985, convoquei uma Assembléia Extraordinária do Sínodo dos Bispos…

A finalidade desta Assembléia era celebrar as graças e os frutos espirituais do Concílio Vaticano II, aprofundar o seu      ensinamento para aderir melhor a ele e promover o conhecimento e a aplicação do mesmo.

Nessa ocasião, os Padres sinodais afirmaram: “Muitíssimos expressaram o desejo de que seja composto um Catecismo ou compêndio de toda a doutrina católica, tanto em matéria de fé como de moral, para que ele seja como um ponto de referência para os catecismos ou compêndios que      venham a ser preparados nas diversas regiões.

Como não havemos de agradecer de todo o coração ao Senhor, neste dia em que podemos oferecer a toda a Igreja, com o título de “Catecismo da Igreja Católica”, este “texto de referência” para uma catequese renovada nas fontes.

Este Catecismo trará um contributo muito importante àquela obra de renovação da vida eclesial inteira, querida e iniciada pelo Concílio Vaticano II, vivas da fé!

O “Catecismo da Igreja Católica” é fruto de uma vastíssima colaboração: foi elaborado em seis anos de intenso trabalho…

Em 1986, confiei a uma Comissão de doze Cardeais e Bispos, presidida pelo senhor Cardeal Joseph Ratzinger, o encargo de preparar um projeto para o Catecismo requerido pelos Padres do Sínodo.

A Comissão de redação assumiu a responsabilidade de escrever o texto e lhe inserir as modificações pedidas pela Comissão [de Cardeais] e de examinar as observações de numerosos teólogos, exegetas e   catequistas, e sobretudo dos Bispos do mundo inteiro, a fim de melhorar o texto.

O projeto tornou-se objeto de vasta consultação de todos os Bispos católicos, das suas Conferências Episcopais ou dos seus Sínodos, dos Institutos de teologia e de catequética.

No seu conjunto, ele teve um acolhimento amplamente favorável da parte do Episcopado. É justo afirmar que este Catecismo é o fruto de uma colaboração de todo o Episcopado da Igreja Católica.

Um catecismo deve apresentar, com fidelidade e de modo orgânico, o ensinamento da Sagrada Escritura, da Tradição viva na Igreja e do Magistério autêntico, bem como a herança espiritual dos Padres, dos Santos e das Santas da Igreja, para permitir conhecer melhor o mistério cristão e reavivar a fé do povo de Deus.

Deve ter em conta as explicitações da doutrina que, no decurso dos tempos, o Espírito Santo sugeriu à Igreja.

É também necessário que ajude a iluminar, com a luz da fé, as novas situações e os problemas que ainda não tinham surgido no passado.

O “Catecismo da Igreja Católica” retoma a “antiga” ordem seguida pelo Catecismo de São Pio V [1565], articulando o conteúdo em      quatro partes:
1 – o Credo [lex credendi];
2 – a sagrada Liturgia (lex celebrandis), com os sacramentos e sacramentais
3 – o agir cristão [Moral católica – lex vivendi],   10 Mandamentos;
4 – a oração cristã [lex orandi – Pai Nosso].

Lendo o “Catecismo da Igreja Católica”, pode-se captar a maravilhosa unidade do mistério de Deus, do seu desígnio de salvação, bem como a centralidade de Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, enviado pelo Pai, feito homem no seio da Santíssima Virgem Maria por obra do Espírito Santo, para ser o nosso Salvador.

VALOR DOUTRINAL DO TEXTO

O “Catecismo da Igreja Católica”, que aprovei no passado dia 25 de junho e cuja publicação hoje ordeno em virtude da autoridade apostólica, é uma exposição da fé da Igreja e da doutrina católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela Tradição apostólica e pelo Magistério da      Igreja.

Vejo-o como um instrumento válido e legítimo a serviço da comunhão eclesial e como uma norma segura para o ensino da fé. Sirva ele para a renovação, à qual o Espírito Santo chama incessantemente a Igreja de Deus, Corpo de Cristo, peregrina rumo à luz sem sombras do Reino!

Peço, portanto, aos Pastores da Igreja e aos fiéis que acolham este Catecismo em espírito de comunhão, e que o usem assiduamente ao cumprirem a sua missão de anunciar a fé e de apelar para a vida evangélica.

Este Catecismo lhes é dado a fim de que sirva como texto de referência, seguro e autêntico, para o ensino da doutrina católica…

É também oferecido a todos os fiéis que desejam aprofundar o conhecimento das riquezas inexauríveis da salvação (cf. Jo 8,32).

O “Catecismo da Igreja Católica”, por fim, é oferecido a todo o homem que nos pergunte a razão da nossa esperança (cf. lPd 3,15) e queira conhecer aquilo em que a Igreja Católica crê.
 
CATECISMO – RESUMO

CAPÍTULO 1- O HOMEM É “CAPAZ” DE DEUS

44. O homem é, por natureza e por vocação, um ser religioso. Porque provém de Deus e para Ele caminha, o homem só vive uma vida plenamente humana se viver livremente sua relação com Deus.

45. O homem é feito para viver em comunhão com Deus, no qual encontra sua felicidade: “Quando eu estiver inteiramente em Vós, nunca mais haverá dor e provação; repleta de Vós por inteiro, minha vida será verdadeira” (S. Agostinho – Confissões, 10,28,39) .

46. Quando escuta a mensagem das criaturas e a voz de sua consciência, o homem pode atingir a certeza da existência de Deus, causa e fim de tudo.

47. A Igreja ensina que o Deus único e verdadeiro, nosso Criador e Senhor, pode ser conhecido com certeza por meio de suas obras graças à luz natural da razão humana. (Conc. Vat. I, DS 3026)

48. Podemos realmente falar de Deus partindo das múltiplas perfeições das criaturas, semelhanças do Deus infinitamente perfeito, ainda que nossa linguagem limitada não esgote seu mistério.

49. “Sem o Criador, a criatura se esvai” (GS, 36).
Eis por que os crentes sabem que são impelidos pelo amor de Cristo a levar a luz do Deus vivo àqueles que o desconhecem ou o recusam.
S. Tomás de Aquino: “Quanto mais o homem se afasta de Deus mais se aproxima do seu nada”.

CAPÍTULO 2- DEUS VEM AO ENCONTRO DO HOMEM

 1) A REVELAÇÃO DE DEUS

68. Por amor, Deus revelou-se e doou-se ao homem. Traz assim uma resposta definitiva e superabundante às questões que o homem se faz acerca do sentido e do objetivo de sua vida.

70. Para além do testemunho que Deus dá de si mesmo nas coisas criadas, ele manifestou-se pessoalmente aos nossos primeiros pais. Falou-lhes e, depois da queda, prometeu-lhes a salvação e ofereceu-lhes sua aliança.

71. Deus fez com Noé uma aliança eterna entre Ele e todos os seres vivos. Esta há de durar enquanto durar o mundo.

72. Deus escolheu Abraão e fez uma aliança com ele e sua descendência. Daí formou seu povo, ao qual revelou sua lei por intermédio de Moisés. Pelos profetas preparou este povo a acolher a salvação destinada à humanidade inteira.

73. Deus revelou-se plenamente enviando seu próprio Filho, no qual estabeleceu sua Aliança para sempre. O Filho é a Palavra definitiva do Pai, de sorte que depois dele não haverá outra Revelação.

2) A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA

96. O que Cristo confiou aos Apóstolos, estes o transmitiram por sua pregação e por escrito, sob a inspiração do Espírito Santo, a todas as gerações, até a volta gloriosa de Cristo.

97. “A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só sagrado depósito da Palavra de Deus” (Dei Verbum, n.8), no qual, como em um espelho, a Igreja peregrinante contempla a Deus, fonte de todas as suas riquezas.

100. “O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus foi confiado exclusivamente ao Magistério da Igreja, ao Papa e aos bispos em comunhão com ele.” (DV 10)
 
3) A SAGRADA ESCRITURA

120. Foi a Tradição apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deviam ser enumerados lista dos Livros Sagrados”. “Cânon” das Escrituras.

“Segundo o sapientíssimo plano divino a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja estão de tal maneira entrelaçados e unidos que um perde sua consistência sem os outros…” (DV 10)

“A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura estão, portanto, estreitamente conexas e interpenetradas.”

“Não é através da Escritura apenas que a Igreja consegue sua certeza a respeito de tudo que foi revelado. Por isso, ambas – Escritura e Tradição – devem ser recebidas e veneradas com igual sentimento de piedade e reverência

135. “As Sagradas Escrituras contêm a Palavra de Deus e, por serem inspiradas, são verdadeiramente Palavra de Deus.” (DV 24)

136. Deus e o autor da Sagrada Escritura ao inspirar seus autores humanos; age neles e por meio dele. Fornece assim a garantia de que seus escritos ensinem sem erro a verdade salvífica. (DV 11)

138. A Igreja recebe e venera como inspirados os 46 livros do Antigo e os 27 livros do Novo Testamento.

“A Santa Mãe Igreja firme e constantemente creu e crê que os quatro mencionados Evangelhos, cuja historicidade afirma sem hesitação, transmitem fielmente aquilo que Jesus, Filho de Deus, ao viver entre os homens, realmente fez e ensinou para salvação deles, até o dia em que foi elevado (cf. At 1, l-2). (DV 19)

CAPÍTULO 3- A RESPOSTA DO HOMEM A DEUS

 1) EU CREIO  –  2) NÓS CREMOS

176. A fé é uma adesão pessoal do homem inteiro a Deus que se revela. Ela inclui uma adesão da inteligência e da vontade à Revelação que Deus fez de si mesmo por suas ações e palavras.

177. Por conseguinte, “crer” tem uma dupla referência: à pessoa e à verdade; à verdade, por confiança na pessoa que a atesta.

179. A fé é um dom sobrenatural de Deus. Para crer, o homem tem necessidade dos auxílios interiores do Espírito Santo.

181. “Crer” e um ato eclesial. A fé da Igreja precede, gera, tenta e alimenta nossa fé. A Igreja é a mãe de todos os crentes.

“Ninguém pode ter a Deus por Pai, que não tenha Igreja por mãe.” (S .Cipriano de Cartago, Unidade da Igreja).

182. Nós cremos em tudo o que está contido na Palavra de Deus escrita ou transmitida, e que a Igreja propõe a crer como divinamente revelado.”

183. A fé é necessária à salvação. O próprio Senhor afirma: “Aquele que crer e for batizado será salvo; aquele que não crer será condenado” (Mc 16, 16).

184. “A fé é um antegozo do conhecimento que nos tornará bem-aventurados na vida futura”.

1 – “CREIO EM DEUS PAI TODO-PODEROSO, CRIADOR DO CÉU E DA TERRA”

228. “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o Único Senhor…”. (Dt 6,4; Mc 12,29).

“É preciso necessariamente que o supremo seja único, isto é, sem igual… Se Deus não for único não é Deus”

230. Ao revelar-se, Deus permanece Mistério inefável: “Se o compreendesses, ele não seria Deus “. (S. Agostinho)

261. O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Só Deus no-lo pode dar a conhecer, revelando-se como Pai, Filho e Espírito Santo.

262. A Encarnação do Filho de Deus revela que Deus é o Pai eterno, e que o Filho é consubstancial ao Pai, isto é, que ele é no Pai e com o Pai o mesmo Deus único.

263. A missão do Espírito Santo, enviado pelo Pai em nome do Filho e pelo Filho “de junto do Pai” (Jo 15,26), revela que o Espírito é com eles o mesmo Deus único. “Com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.

267. Inseparáveis naquilo que são, da mesma forma o são naquilo que fazem. Mas na única operação divina cada uma delas manifesta o que lhe é próprio na Trindade, sobretudo nas missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo.

278. Se não crermos que o amor de Deus é Todo-Poderoso, como crer que o Pai pôde nos criar, o Filho, remir-nos, o Espírito, santificar-nos?

316. Embora a obra da criação seja particularmente atribuída ao Pai, é igualmente verdade de fé que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são o único e indivisível princípio da criação.

317. Só Deus criou o universo, livremente, diretamente, sem nenhuma ajuda.

318. Nenhuma criatura tem o poder infinito que é necessário para “criar” no sentido próprio da palavra, isto é, produzir e dar o ser àquilo que não o tinha de modo algum (chamar à existência “do nada”).

319. Deus criou o mundo para manifestar e para comunicar sua glória. Que suas criaturas participem de sua verdade, de sua bondade e de sua beleza, é a glória para a qual Deus as criou.

321. A Divina Providência são as disposições pelas quais Deus conduz com sabedoria e amor todas as criaturas até seu fim último.

323. A Providência divina age também por meio da ação das criaturas. Aos seres humanos Deus concede cooperar livremente para seus desígnios.

324. A permissão divina do mal físico e do mal moral é um mistério que Deus ilumina por seu Filho, Jesus Cristo, morto e ressuscitado para vencer o mal. A fé nos dá a certeza de que Deus não permitiria o mal se do próprio mal não tirasse o bem, por caminhos que só conheceremos plenamente na vida eterna.

311. Os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para seu destino último por opção livre e amor preferencial. Podem, no entanto, desviar-se. E, de fato, pecaram. Foi assim que o mal moral entrou no mundo.
Deus não é de modo algum, nem direta nem indiretamente, a causa do mal moral. Todavia, permite-o, respeitando a liberdade de sua criatura e, misteriosamente, sabe auferir dele o bem:

328. A existência dos seres espirituais, não-corporais, que Sagrada Escritura chama habitualmente de anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição.
Porque contemplam “constantemente a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18,10), são “poderosos executores de sua palavra, obedientes ao som de sua palavra” (Sl 103,20).

“Porventura não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?” (Hb 1,14).

Eles estão no  nascimento de Cristo : “Glória a Deus…” (Lc 2,14). Protegem a infância de Jesus, servem a Jesus no deserto, reconfortam-no na agonia.
São os anjos que “evangelizam”, anunciando a Boa Nova da Encarnação e da Ressurreição de Cristo. Estarão presentes no retorno de Cristo, que eles anunciam serviço do juízo que o próprio Cristo pronunciará.

349 .O oitavo dia. Mas para nós nasceu um dia novo: o dia da Ressurreição de Cristo. O sétimo dia encerra a primeira criação. O oitavo dia dá início à nova criação.
Assim, a obra da criação culmina na obra maior da redenção. A primeira criação encontra seu sentido e seu ponto culminante na nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira.

350. Os anjos são criaturas espirituais que glorificam a Deus sem cessar e servem a seus desígnios salvíficos em relação às demais criaturas: – Os anjos cooperam para todos os nossos bens”

352. A Igreja venera os anjos que a ajudam em sua peregrinação terrestre e protegem cada ser humano.
2 out – Santo Anjo da Guarda
29 set – Santos Arcanjos

353.Deus quis a diversidade de suas criaturas e a bondade própria delas, sua interdependência e ordem. Destinou todas a criaturas materiais ao bem do gênero humano. O homem, e por meio dele a criação inteira, destina-se à glória de Deus.

382. O homem é “corpore et anima unus” (uno de corpo e alma). A doutrina da fé afirma que a alma espiritual e imortal é criada diretamente por Deus.

356. De todas as criaturas visíveis, só o homem é “capaz de conhecer e amar seu Criador”; ele é “a única criatura na terra que Deus quis por si mesma”;

358. Deus criou tudo para o homem, mas o homem foi criado, para servir e amar a Deus e oferecer-lhe toda a criação.

359. “Na realidade o mistério do homem só se torna claro verdadeiramente no mistério do Verbo Encarnado.”

366 – Não é, portanto, lícito ao homem desprezar a vida corporal; ao contrario, deve estimar e honrar seu corpo, porque criado por Deus e destinado à ressurreição no último dia.

367. Por vezes ocorre que a alma aparece distinta do espírito (1 Ts 5,23). A Igreja ensina que esta distinção não introduz uma dualidade na alma. “Espírito” significa que o homem está ordenado desde a sua criação para seu fim sobrenatural, e é capaz de ser elevada  à comunhão com Deus.

383. “Deus não criou o homem solitário. Desde o início, ‘Deus os criou varão e mulher’ (Gn 1,27). Esta união constituiu a primeira forma de comunhão de pessoas.”
384. A revelação dá-nos a conhecer o estado de santidade [comunhão com Deus] e de justiça originais [harmonia] do homem e da mulher antes do pecado: da amizade deles com Deus advinha a felicidade da existência deles no Paraíso.

413. “Deus não fez a morte, nem tem prazer em destruir os viventes… Foi pela inveja do Diabo que a morte entrou no mundo” (Sb 1,13, 2,24).

389. A doutrina do pecado original é, por assim dizer, “o reverso” da Boa Notícia de que Jesus é o Salvador de todos os homens, de que todos têm necessidade da salvação e de que a salvação é oferecida a todos graças a Cristo.
A Igreja, que tem o senso de Cristo, sabe perfeitamente que não se pode atentar contra a revelação do pecado original sem atentar contra o mistério de Cristo.

390. A Revelação dá-nos a certeza de fé de que toda a história humana está marcada pelo pecado original cometido livremente por nossos primeiros pais.

414. Satanás ou o Diabo, bem como os demais demônios, são anjos decaídos por terem se recusado livremente a servir a Deus a seu desígnio.

Sua opção contra Deus é definitiva. Eles tentam associar o homem à sua revolta contra Deus.

391. O Diabo e outros demônios foram por Deus criados bons em (sua) natureza, mas se tornaram maus por sua própria iniciativa.

393. É o caráter irrevogável de sua opção, e não uma deficiência da infinita misericórdia divina, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado.

“Não existe arrependimento para eles depois da queda, como não existe para os homens após a morte.” (S.João Damasceno)

395. Contudo, o poder de Satanás não é infinito. Ele não passa de uma criatura, poderosa pelo fato de ser puro espírito, mas sempre criatura: não é capaz de impedir a edificação do Reino de Deus.

A ação do demônio é permitida pela Divina Providência, que dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da atividade diabólica é um grande mistério, mas
“nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam” (Rm 8,28).

415. “Constituído por Deus em estado de justiça, o homem, instigado pelo Maligno, desde o início da história, abusou da própria liberdade. Levantou-se contra Deus, desejando atingir seu objetivo fora dele.”

417. À sua descendência, Adão e Eva transmitiram a natureza humana ferida por seu primeiro pecado, portanto privada da santidade e da justiça originais. Esta privação é denominada “pecado original”.

“Assim como da falta de um só resultou a condenação de todos os homens, do mesmo modo, da obra de justiça de um só (a de Cristo), resultou para todos os homens justificação que traz a vida” (Rm 5,18).

420. A vitória sobre o pecado, conseguida por Cristo, deu-nos bens melhores do que aqueles que o pecado nos havia tirado: “Onde avultou o pecado, a graça superabundou” (Rm 5,20).

410. Depois da queda, o homem não foi abandonado por Deus.
Gen 3,15 – Esta passagem do Gênesis foi chamada de “proto-evangelho”, por ser o primeiro anúncio do Messias redentor, a do combate entre a serpente e a Mulher e a vitória final de um descendente desta última.

412. Mas por que Deus não impediu o primeiro homem de pecar?

São Leão Magno responde: “A graça inefável de Cristo deu-nos bens melhores do que aqueles que a inveja do Demônio nos havia subtraído”.

E Santo Tomás de Aquino:

“Nada obsta’ a que a natureza humana tenha sido destinada a um fim mais elevado após o pecado. Deus permite que os males aconteçam para tirar deles um bem maior. Donde a palavra de São Paulo: ‘Onde abundou o pecado ..superabundou a graça” (Rm 5,20). E o canto do Exultet: “Ó feliz culpa…”.

ARTIGO 2 do CREDO

“E EM JESUS CRISTO, SEU FILHO ÚNICO, NOSSO SENHOR”

422. “Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob a Lei, para remir os que estavam sob a Lei, a fim de que recebêssemos a adoção filial” (Gl 4,4-5).

CRISTO – CENTRO DA CATEQUESE

427. “Na catequese, é Cristo, Verbo Encarnado e Filho de Deus, que é ensinado – todo o resto está  em relação com ele; e somente Cristo ensina; todo outro que ensine,
fá-lo na medida em que é seu porta-voz, permitindo a Cristo ensinar por sua boca…
Todo catequista deveria poder aplicar a si mesmo a misteriosa palavra de Jesus: ‘Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou’ (Jo 7,16).”
JESUS

430. Jesus quer dizer, em hebraico, “Deus salva”.

No momento da Anunciação, o anjo Gabriel dá-lhe como nome próprio o nome de Jesus, por sua identidade e missão.

Uma vez que “só Deus pode perdoar os pecados” (Mc 2,7).

É  Ele que, em Jesus, seu Filho eterno feito homem, “salvará seu povo dos pecados” (Mt 1,21).

“Não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4,12).

“Deus o destinou como instrumento de propiciação, por seu próprio Sangue” (Rm 3,25), quer afirmar que na humanidade deste último “era Deus que em Cristo reconciliava consigo o mundo” (2Cor 5,19).

“Nome acima de todo nome”. (Fl 2,9)

Os espíritos maus temem seu nome.

É em nome dele que os discípulos de Jesus operam milagres.

435. O nome de Jesus está  no cerne da oração cristã. Todas as orações litúrgicas são concluídas pela fórmula “per Dominum nostrum Iesum Christum por Nosso Senhor Jesus Cristo…”. A “Ave-Maria” culmina no “e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus Cristo

436. Cristo vem da tradução grega do termo hebraico “Messias”, que quer dizer “ungido”. Era o caso dos reis, dos sacerdotes e, em raras ocasiões, dos profetas. Esse devia ser por excelência o caso do Messias que Deus enviaria para instaurar definitivamente seu Reino. O Messias devia ser ungido pelo Espírito do Senhor ao mesmo tempo como rei e sacerdote, mas também como profeta .

“Hoje, na cidade de Davi, nasceu-vos um Salvador que é o Cristo Senhor” (Lc 2,11).

Ele é “aquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo” (Jo 10,36).

438 – “Deus o ungiu com o Espírito Santo e poder” (At 10,38), “para que ele fosse manifestado a Israel” (Jo 1,31) como seu Messias. 

“Que toda casa de Israel saiba com certeza: Deus o constituiu Senhor e Cristo, este Jesus que vós crucificastes” (At 2,36).

Jesus Cristo –  Filho Único de Deus

442. Pedro confessa  Jesus como “o Cristo, o Filho do Deus vivo”.  “Não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, e sim meu Pai que está  nos Céus” (Mt 16,17).

“Tu és então o Filho de Deus?”, Jesus respondeu: “Vós dizeis que eu Sou” (Lc 22,70).

444. Batismo e a Transfiguração de Cristo – a voz do Pai a designá-lo como seu “Filho bem-amado”. Jesus designa-se a si mesmo como “o Filho Único de Deus” (Jo 3,16).
Jesus exige a fé “em nome do Filho Único de Deus” (Jo 3,18).

Centurião: “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39), “Nós vimos a sua glória, glória que ele tem junto ao Pai como Filhos Único, cheio de graça e de verdade” (Jo 1,14).

446. Na versão grega  do AT, o nome que Deus se revelou a Moisés, Iahweh, traduzido por “Kýrios” [“Senhor”]. Senhor torna-se desde então o nome mais habitual para designar a própria divindade do Deus de Israel.

O Novo Testamento utiliza o título de “Senhor” para o Pai, e também  para Jesus reconhecido assim como o próprio Deus.

“Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28).

“É o Senhor!” (Jo 21,7).

“Jesus Cristo é Senhor ” (Fl 2,9).

451. A oração cristã é marcava pelo título “Senhor” –  “o Senhor esteja convosco”

“Por Jesus Cristo nosso Senhor”

“Maranatha” (“o Senhor vem!”) ou “Maranatha” (“Vem, Senhor!”)

“Amém, vem, Senhor Jesus!” (Ap 2,20).

ARTIGO 3 do CREDO

“JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, NASCEU DA VIRGEM MARIA”

457 . O Verbo se fez carne para salvar-nos, reconciliando-nos com Deus: “Foi Ele que nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados” (1Jo 4,10). “O Pai enviou seu Filho como o Salvador do mundo” (1Jo 4,14). “Este apareceu para tirar os pecados” (1Jo 3,5):
S. Gregório de Nissa (?340)

“Doente, nossa natureza precisava ser curada; decaída, ser reerguida; morta, ser ressuscitada. Havíamos perdido a posse do bem, era preciso no-la restituir. Enclausurados nas trevas, era preciso trazer-nos à luz; cativos, esperávamos um salvador; prisioneiros, um socorro; escravos, um libertador. Essas razões eram sem importância? Não eram tais que comoveriam a Deus a ponto de fazê-lo descer até nossa natureza humana para visitá-la, uma vez que a humanidade se encontrava em um estado tão miserável e tão infeliz?”

458. O Verbo se fez carne para que, assim, conhecêssemos o amor de Deus:

“Nisto manifestou-se o amor de Deus por nós: Deus enviou seu Filho Único ao mundo para que vivamos por Ele” (1 Jo 4,9).

“Pois Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho Único, a fim de que todo o que crer nele não pereça, mas tenha a Vida Eterna” (Jo 3,16).

459. O Verbo se fez carne para ser nosso modelo de santidade: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim…” (Mt 11,29).

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (Jo 14,6). E o Pai, no monte da Transfiguração, ordena: “Ouvi-o” (Mc 9,7).

Pois Ele é o modelo das Bem-aventuranças e a norma da Nova Lei: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12).

460. O Verbo se fez carne para tornar-nos “participantes da natureza divina” (2Pd 1,4):

“Pois esta é a razão pela qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus, Filho do homem: é para que o homem, entrando em comunhão com o Verbo e recebendo, assim, a filiação divina, se torne filho de Deus”.

462. A Epístola aos Hebreus fala do mesmo mistério:
Por isso, ao entrar no mundo, ele afirmou:
Não quiseste sacrifício e oferenda.

Tu, porém, formaste-me um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não foram de teu agrado. Por isso eu digo: Eis-me aqui… para fazer a tua vontade (Hb 10,5-7, citando Sl 40,7-9 LXX)
 
463. A fé na Encarnação verdadeira do Filho de Deus é o sinal distintivo da fé cristã:

“Nisto reconheceis o Espírito de Deus. Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio na carne é de Deus” (1Jo 4,2).

464. Verdadeiro Deus e verdadeiro homem

Ele se fez verdadeiramente homem permanecendo verdadeiro Deus. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

465. Heresias sobre Jesus Cristo

Docetismo gnóstico – negava encarnação do Verbo

Séc. III Paulo de Samósata –  Conc. Antioquia –  Cristo é Filho de Deus por natureza e não por adoção.

Arianismo – Concílio de Nicéia, em 325, Filho de Deus é “gerado, não criado, consubstancial  ao Pai”.

Nestorianismo  –  Concílio de Éfeso em 431 – “o Verbo, unindo a si em sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, se tornou homem”.

Maria é Theothokos = Mãe de Deus

“Mãe de Deus não porque o Verbo de Deus tirou dela sua natureza divina, mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne”.

Monofisismo – Concílio Ecumênico de Calcedônia, em 451. Herege Êutiques.

467. Na linha dos santos Padres, ensinamos unanimemente a confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o mesmo perfeito em divindade e perfeito em humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto de um alma racional e de um corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial a nós segundo a humanidade, “semelhante a nós em tudo, com exceção do pecado”; gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nesses últimos dias, para nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria, Mãe de Deus, segundo a humanidade. Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único, que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudanças, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é de modo algum suprimida por sua união, mas antes as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas em uma só pessoa”.

V Concílio Ecumênico, em Constantinopla II, em 553:

“Não há senão uma única pessoa, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, Um da Trindade”. Na humanidade de Cristo, portanto, tudo deve ser atribuído à sua pessoa divina como ao seu sujeito próprio; não somente os milagres, mas também os sofrimentos, e até a morte: “Aquele que foi crucificado na carne, nosso Senhor Jesus Cristo, é verdadeiro Deus, Senhor da glória e Um da Santíssima Trindade”.

475. Monoteletismo – Patriarca Sérgio

VI Concílio Ecumênico – Constantinopla III  : Cristo possui duas vontades e duas operações naturais, divinas e humanas, não opostas, mas cooperantes, de sorte que o Verbo feito carne quis humanamente na obediência a seu Pai tudo o que decidiu divinamente com o Pai e o Espírito Santo por nossa salvação.

A vontade humana de Cristo “segue a sua vontade divina sem estar em resistência nem em oposição em relação a ela; mas antes sendo subordinada a esta vontade todo-poderosa”.

471. Apolinário de Laodicéia afirmava que em Cristo o Verbo havia substituído a alma ou o espírito. Contra este erro a Igreja confessou que o Filho assumiu também uma alma racional humana.

“Ele crescia  em sabedoria, em estatura e em graça” (Lc 2,52)

473. “A natureza humana do Filho de Deus, não por si mesma, mas por sua união ao Verbo, conhecia e manifestava nela tudo o que convém a Deus.”(S. Máximo Confessor)

474. Por sua união a Sabedoria divina na pessoa do Verbo encarnado, o conhecimento humano de Cristo gozava em plenitude da ciência dos desígnios eternos que viera revelar. O que ele reconhece desconhecer neste campo declara alhures não ser sua missão revelá-lo.

476 – Iconoclasmo –  rejeição a imagens
     
II CONCÍLIO DE NICÉIA (789)

“Antigamente Deus, que não tem nem corpo nem aparência, não podia em absoluto ser representado por uma imagem. Mas agora que se mostrou na carne e viveu com os homens posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus. (…) Com o rosto descoberto, contemplamos a glória do Senhor.” (S.João Damasceno).

“Na trilha da doutrina divinamente inspirada de nossos santos Padres e da tradição da Igreja católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda certeza e acerto que as veneráveis e santas imagens, bem como as representações da cruz preciosa e vivificante, sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus,
sobre os utensílios e as vestes sacras, sobre paredes e em quadros, nas casas e nos caminhos,  tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, como a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos.” (Conc. Nicéia II, em 789)

1162. “A beleza e a cor das imagens estimulam minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus.”

A contemplação dos ícones santos, associada à meditação da Palavra de Deus e ao canto dos hinos litúrgicos, entra na harmonia dos sinais da celebração para que o mistério celebrado se grave na memória do coração e se exprima em seguida na vida nova dos fiéis”. (São João Damasceno)

Nasceu da Virgem Maria

A Predestinação de Maria:

488. “Deus enviou Seu Filho” (Gl 4,4), mas, para “formar-lhe um corpo” quis a livre cooperação de uma criatura. Por isso, desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galiléia, “uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria” (Lc 1,26-27).

1 – A IMACULADA CONCEIÇÃO

490. Para ser a Mãe do Salvador, Maria “‘foi enriquecida por Deus com dons dignos para tamanha função”. No momento da Anunciação, o anjo Gabriel a saúda como “cheia de graça”.

491. Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, “cumulada de graça” por Deus, foi redimida desde a concepção. E isso que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo papa Pio IX.
 
Proclamação do dogma – Papa Pio IX em 1854 – Bula “Inefabilis Deus”

“A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano foi preservada imune de toda mancha do pecado original.”

Maria também foi salva por Jesus.

492. Mais do que qualquer outra pessoa criada, o Pai a “abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo” (Ef 1,3). Ele a “escolheu nele (Cristo), desde antes da fundação do mundo, para ser santa e imaculada em sua presença, no amor” (Ef 1,4).

493. Os Padres da tradição oriental chamam a Mãe de Deus “a toda santa” (“Pan-hagia”), plasmada pelo Espirito Santo”.
Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida.

494. Padres da Igreja:

“O nó da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de Maria; o que a virgem Eva ligou pela incredulidade a virgem Maria desligou pela fé”.

“Veio a morte por Eva e a vida por Maria”.

2 – A MATERNIDADE DIVINA DE MARIA

495. Denominada nos Evangelhos “a Mãe de Jesus” (João 2,1;19,25), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como “a Mãe de meu Senhor” (Lc 1,43).

495. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos).

3 – A VIRGINDADE DE MARIA

“Eis que a Virgem conceberá…” (Is 7,14)

496. Desde as primeiras formulações da fé, a Igreja confessou que Jesus foi concebido exclusivamente pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, afirmando também o aspecto corporal deste evento: Jesus foi concebido “do Espírito Santo, sem sêmen”.

499. O aprofundamento de sua fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem.

Com efeito, o nascimento de Cristo “não lhe diminuiu, mas sagrou a integridade virginal” de sua mãe. A Liturgia da Igreja celebra Maria como a “Aeiparthenos” (pronuncie ” áeiparthénos”), “sempre virgem”.

“Virgem antes, durante de depois do parto”

S.Agostinho

Santo Inácio de Antioquia  (?107):

“O príncipe deste mundo ignorou a virgindade de Maria e o seu parto, da mesma forma que a Morte do Senhor: três mistérios proeminentes que se realizaram no silêncio de Deus” (Carta, Ef 19,1).

Oração do sec. II: Debaixo da Vossa proteção nos refugiamos ó santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, Virgem gloriosa e bendita. Amém

Os “irmaõs” de Jesus

500. A Igreja sempre entendeu que essas passagens não designam outros filhos da Virgem Maria: com efeito, Tiago e José, “irmãos de Jesus” (Mt 13,55), são os filhos de uma Maria [de Cléofas] discípula de Cristo que significativamente é designada como “a outra Maria” (Mt 28,1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, consoante uma expressão conhecida do Antigo Testamento.

964 – Maria, Mãe de Cristo, Mãe da Igreja:

“Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19,26-27).

4 – ASSUNÇÃO AO CÉU

966. “Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo.” (Munificientíssimus Deus)

A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos.

“Em vosso parto, guardastes a virgindade; em vossa dormição, não deixastes o mundo, ó mãe de Deus: fostes juntar-vos à fonte da vida, vós que concebestes o Deus vivo e, por vossas orações, livrareis nossas almas da morte….” (Festa bizantina da dormição, 15 agosto)

968. “De modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por este motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça.”

969. Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna. (…) Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora, medianeira.”

A MEDIAÇÃO DE MARIA

970. “A missão materna de Maria em favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui a  (1Tm 2,4); pelo contrário, até ostenta sua potência, pois todo o salutar influxo da bem-aventurada Virgem (…) deriva dos superabundantes méritos de Cristo, estriba-se em sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a sua força.” (LG 60). “Com efeito, nenhuma criatura jamais pode ser equiparada ao Verbo encarnado e Redentor

“Mas, da mesma forma que o sacerdócio de Cristo é participado de vários modos, seja pelos ministros, seja pelo povo fiel, e da mesma forma que a indivisa bondade de Deus é realmente difundida nas criaturas de modos diversos, assim também a única mediação do Redentor não exclui, antes suscita nas criaturas uma variada cooperação que participa de uma única fonte.”  (LG 62)

O CULTO DA SANTÍSSIMA VIRGEM

971. “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48):
“A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão”. A Santíssima Virgem “é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja. Com efeito desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de ‘Mãe de Deus’. Este culto  difere essencialmente do culto de adoração que se presta a Deus”.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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