Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

escapularionossa-senhora-do-carmoO escapulário é um sacramental

Uma das devoções marianas mais difundidas é o escapulário do Carmo.

Assim como a água benta, o terço, as medalhas e as estampas bentas, o escapulário do Carmo é um sacramental.

A palavra sacramental assemelha-se muito à palavra sacramento, e com razão, pois sacramental significa “algo semelhante a um sacramento”, embora haja uma grande diferença entre um e outro. Um sacramento é um sinal externo instituído por Jesus Cristo para comunicar a graças às nossas almas, Um sacramental é também um sinal externo, mas os sacramentais foram instituídos pela Igreja e não trazem a graça por si mesmos, antes nos preparam para a graças, despertando em nós sentimentos de fé e de amor; e, além disso, tem o grande valor de uma intercessão da Igreja, diante de  Deus, para que Ele nos conceda a sua graça. Qualquer graça que possamos obter pelo uso dos sacramentais depende do poder da oração da Igreja e das nossas disposições, conforme podemos observar no Catecismo da Igreja Católica §1670.

Portanto, o escapulário não dispensa os Sacramentos, que são os meios instituídos por Nosso Senhor como via normal para nos santificar, nem dispensa da prática das virtudes. Não leva automaticamente para o Céu as almas em pecado mortal, mas ajuda a buscar a conversão da alma, a receber bem os Sacramentos e a perseverar no bem. Ajuda aquele que tiver um mínimo de boa vontade e se arrependa, a sair do estado de pecado mortal e alcançar a graça da perseverança final.

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O costume de usar o escapulário data da Idade Média. Naquela época, era frequenta permitir-se aos leigos ingressarem nas ordens religiosas como oblatos ou membros associados. Esses oblatos participavam das orações e boas obras dos monges, e era-lhes permitido usar o escapulário monástico. O escapulário era então uma longa peça de pano igual à que se enfia pela cabeça do monge, cobrindo-lhe a frente e as costas, sobre a túnica. Para ficarem mais práticos, os escapulários usados pelos membros leigos das ordens terceiras começaram a diminuir de tamanho, até chegarem às pequenas dimensões dos escapulários de hoje.

Nos nossos dias, há um total de dezoito tipos de escapulários difundidos entre os católicos, cada um originado numa ordem religiosa diferente. Mas o mais usado é o escapulário marrom da ordem Carmelita, cuja especial padroeira é a Virgem do Carmo. A popularidade do escapulário marrom é devida, em parte, às graças específicas que estão associadas pela própria Virgem Maria nas suas aparições a São Simão Stock e ao Papa João XII: a garantia de todo aquele que o usar devotamente não morrerá em pecado mortal, e o privilégio sabatino.

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No entanto, é preciso entender corretamente o conteúdo dessa promessa feita pela Virgem: a perseverança final- isto é, a salvação- para quem morrer usando o escapulário. A graça que Nossa Senhora concede aos que usam o escapulário e morrem com ele é a de se arrependerem de todos os pecados cometidos em vida, já que é uma verdade de fé que só se pode salvar quem estiver em estado de graça na hora da morte.

Em suma, para alcançar o privilégio da perseverança é preciso:

1) Usar o escapulário do Carmo, imposto e abençoado devidamente pelo sacerdote;

2) Usá-lo piedosamente, ou seja, esforçando-se por cumprir os deveres cristãos;

3) Levá-lo posto na hora da morte.

Fonte: Clemente, R.(Org.). O Escapulário do Carmo. Cultor de Livros. São Paulo.

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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