Ensinamentos de São João da Cruz -Parte 1

Ensinamentos

Você sabe quem foi São João da Cruz?

 João de Yepes, nasceu em 1542, em Fontiveros na Espanha. Foi um dos santos mais desconcertantes e ao mesmo tempo, mais transparente da mística moderna. Era 27 anos mais jovem do que sua amiga Santa Teresa de Ávila, que o chamava de seu “pequeno sêneca”, devido a sua baixa estatura. Ela também o chamava de “meio homem”, mas não hesitava em considerá-lo pai de sua alma. Foi um grande mestre da vida espiritual.

Aos 21 anos ingressou na Ordem dos Carmelitas. No entanto, foi atacado por uma grande desilusão devido ao relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Logo em seguida fundou em Durvelo o primeiro convento dos carmelitas descalços, foi então que mudou seu nome para João da Cruz.

Essa volta à mística religiosidade do deserto custou ao santo maus tratos físicos e difamações, chegando até a ser preso no cárcere de Toledo. Foi aó que floresceu a sua grande poesia espiritual.

Morreu aos 49 anos, em novembro de 1591. Foi canonizado em 1726 e dois séculos depois o Papa Pio XII lhe conferiu o título de Doutor da Igreja.

Conheça alguns de seus ensinamentos

“Não se contentar com o que diz o confessor é orgulho e falta de fé”.

“Sofrer e ser desprezado por Vós”.

“Sem o amor nada são todas as obras reunidas”.

“O mais leve movimento de uma alma animada de puro amor é mais proveitoso à Igreja do que todas as demais obras reunidas”.

“Meus são os Céus e minha é a Terra, meus são os homens, e os justos são meus; e meus são os pecadores. Os Anjos são meus, e a Mãe de Deus, todos as coisas são minhas. O próprio Deus é meu e para mim, pois Cristo é meu e todo para mim. (Sobre a Eucaristia)”.

“Não faça coisa alguma, nem diga palavra alguma, que Cristo não faria ou não diria se encontrasse nas mesmas circunstâncias”.

“Nada peça a não ser a cruz, e precisamente sem consolação, pois isso é perfeito”.

“Renuncie aos desejos e encontrará o que o seu coração deseja”.

“Quem não procura a Cruz de Cristo não procura a glória de Cristo”.

“Quem se queixa ou murmura não é cristão perfeito, nem mesmo um bom cristão”.

 “Um coração puro encontra em tudo o conhecimento de Deus”.

“As criaturas são os vestígios das pegadas de Deus, pelas quais se reconhece sua grandeza, poder e sabedoria”.

“Os incomensuráveis bens de Deus só podem ser acolhidos por um coração vazio”.

“Senhor, quero padecer e ser desprezado por amor de Vós”.

“A pessoa que está presa por algum afeto a alguma coisa, mesmo pequena, não alcançará a união com Deus, mesmo que tenha muitas virtudes. Pouco importa se o passarinho está com um fio grosso ou fino… ficará sempre preso e não poderá voar”.

“O Verbo Filho de Deus, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, está essencial e realmente escondido no íntimo de cada ser”.

“É em teu próprio ser que podes desejá-Lo e adorá-Lo não o procures fora de ti porque te distrairás e cansarás. Não o encontrarás nem gozarás dele com maior segurança,  em mais depressa, nem mais de perto, do que dentro de ti mesmo”.

“Se está em mim aquele a quem minha alma ama, como não o encontro nem o sinto? É por estar ele escondido. Mas não te escondas também; assim podes encontrá-Lo e senti-Lo”.

“Para O encontrares, convém, pois, que esqueças todas as tuas coisas e te desligues de todas as criaturas, e te escondas no aposento interior do teu espírito. Fecha a porta sobre ti (isto é, tua vontade a todas as coisas) e ora a teu Pai em segredo”.

“A alma que verdadeiramente ama a Deus, não deixa de fazer o que pode para achar o Filho de Deus, seu Amado. Mesmo depois de haver empregado todos os esforços, não se contenta e julga não ter feito nada”.

“Quem deseja a Deus não pode achar consolo na companhia de criatura alguma. Pelo contrário tudo lhe causa grande solidão, enquanto não encontra seu Amado”.

“Se a alma procura desapegar-se de todas as coisas e permanecer vazia e despojada de tudo ‘tendo feito tudo o que era de sua parte’ é impossível que Deus deixe de fazer a dele, de comunicar-se a ela pelo menos em segredo e no silêncio”.

“O que pretendes e o que mais desejas, não o conseguirás, nem por esse caminho que percorres, nem por meio de alta contemplação, mas sim na humildade e simplicidade de todo o teu ser”.

“Para buscar a Deus, requer-se um coração despojado e forte, livre de tudo o que não é puramente Deus”.

“O estado de união consiste na transformação total da vontade humana na divina, de modo que nela nada haja de contrário a essa vontade, mas seja sempre movida, em tudo, pela vontade de Deus. Por isso dizemos que, nesse estado, as duas vontades formam uma só: a de Deus”.

“Para possuir Deus plenamente, é preciso nada ter; porque se o coração pertence a ele, não pode voltar-se para outro”.

“Quando a pessoa abre e se liberta de todo condicionamento, e une perfeitamente sua vontade à de Deus, transforma-se naquele que lhe comunica o ser sobrenatural, de tal maneira que se parece com o próprio Deus e se deixa possuir totalmente por ele”.

“O amor consiste em despojar-se e desapegar-se, por Deus, de tudo o que não é ele”.

“Embora seja certo que uma alma, segundo sua maior ou menor capacidade, pode chegar à união com Deus, ela, porém, tem modos diversos de conquistá-Lo conforme ele mesmo conceder”.

“Como acontece aos bem-aventurados no céu: uns vêem mais a Deus e outros menos; mas todos o contemplam e todos estão felizes,
porque cada um pode satisfazer a própria capacidade”.

“O centro da alma é Deus. Quando a pessoa se encontra com ele, em todas as suas faculdades, energias e desejos, terá atingido o cerne
e a raiz mais profunda de si mesma, que é Deus”.

“O demônio teme a alma unida a Deus como ao próprio Deus”.

“Para atingir o estado sublime de união com Deus, é indispensável atravessar a noite escura da mortificação dos desejos desregrados
e da renúncia a todos os prazeres deste mundo”.

“Quem não procura senão a Deus, não anda nas trevas, por mais fraco e pobre que seja”.

“Afeiçoar-se ao mesmo tempo a Deus e à criatura são coisas contrárias: não podem coexistir numa só pessoa”.

“A alma, presa pelos encantos de qualquer criatura, torna-se sumamente desagradável a Deus, e não pode, de forma alguma, transformar-se na verdadeira beleza que é Deus”.

“Deus é inacessível. Não repares, portanto, no que as tuas faculdades podem compreender, nem teus sentidos experimentar, para que não te satisfaças com menos e assim perderes a presteza necessária para chegar a ele”.

“As visões e apreensões dos sentidos não têm proporção alguma com Deus: não podem servir de meio para a união com ele”.

“O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e
semelhança, porque é próprio do amor tornar aquele que ama semelhante ao amado”.

“Os apetites causam à alma um duplo prejuízo: primeiro, privam-na do espírito de Deus; segundo, a afadigam, atormentam, obscurecem, mancham e a enfraquecem. Estes dois efeitos são causados por qualquer ato desordenado”.

“Que comparação se pode estabelecer entre a fome, causada por todas as criaturas, e a fartura que proporciona o espírito divino?”

“Para buscar a Deus, requer-se um coração despojado e forte, livre de tudo o que não é puramente Deus”.

“Dar tudo pelo Tudo”.

“Quando a pessoa ama alguma coisa fora de Deus, torna-se incapaz de se transformar nele e de se unir a ele”.

“A alma não receberá a fartura incriada de Deus, enquanto não tiver perdido aquela fome material de seus apetites; pois a fome e a artura não podem coexistir numa única pessoa”.

“A criatura atormenta, o espírito de Deus gera alegria”.

“Quem tiver alguma afeição desregrada não pode confiar nas próprias capacidades, nem em dons recebidos de Deus, julgando que não
ficará cego e insensível e não cairá no mal”.

“Os prazeres não dominados chegam ao ponto de obstruir numa pessoa a vida divina, porque não os matou primeiro, mas os deixou viver”.

“Como a prática de uma só virtude aumenta e fortalece todas as outras, assim, sob a ação de um único vício, todos os vícios crescem e
multiplicam suas consequências”.

“A mosca que pousa no mel, não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer, sente-se impedida em sua liberdade e contemplação”.

“Qualquer prazer desordenado causa na alma cinco danos: inquieta, perturba, macula, enfraquece, embaraça”.

“A pessoa que caminha para Deus e não afasta de si as preocupações, nem domina suas paixões, caminha como quem empurra um carro encosta acima”.

“Venceu verdadeiramente todas as coisas aquele a quem nem o gosto delas leva ao gozo, nem o seu amargor causa tristeza”.

“O caminho da vida é de muito pouco ativismo e barulho”.

“Requer mais mortificação da vontade do que muito saber. Caminhará mais quem carregar consigo menos coisas e desejos”.

Conheça outros ensinamentos no livro: “Na escola dos santos doutores”

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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