”Eis que estou à porta e bato…” – EB

Revista: “PERGUNTE E
RESPONDEREMOS”

D. Estevão Bettencourt, osb

Nº 404 – Ano 1996 – p. 1

 

(Ap 3,20)

“Eis que estou à porta, e
bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei, e cearei com ele,
e ele comigo” (Ap 3,20).

Este é um dos mais belos
textos do Apocalipse ou mesmo de toda a Escritura Sagrada, indica um encontro
pessoal e muito vivo do Senhor com aquele que tem a delicadeza de lhe abrir a
porta do coração. A ceia daí decorrente é o antegozo, na terra, da “ceia da
vida eterna” de que fala Senhor em Lc 12,36.

Os antecedentes deste
versículo ilustram o seu significado. O Senhor Jesus se dirige à comunidade
cristã de Laodicéia, cidade cheia de lojas comerciais e Bancos, famosa por suas
fábricas de lã preta e  vestes, renomada
por seus médicos e seus colírios exportados para o resto do mundo romano. Os
laodicenos gozavam de bem-estar, que os tornava tíbios ou indiferentes aos
valores religiosos. Não eram nem quentes nem frios, mas acomodados e pusilânimes
na sua mornura espiritual. O Senhor censura veementemente tal atitude (“eu te
vomitarei…”), pois é necessário que cada criatura humana se empenhe por algo
de grande, ou tenha um ideal, tenha a coragem de sair de si ou do seu
egocentrismo; mesmo aquele que se sacrifica em prol de uma falsa meta, embora
esteja errando, tem o mérito de não ser covarde ou mesquinho; cf. Ap 3, 16.

Apesar de indiferente a
valores nobres, o Senhor ama a comunidade de Laodicéia e quer tirá-la da sua tepidez.
A misericórdia é tanto maior quanto mais severa foi a censura. E que remédio
aplicará? – “Aqueles que eu amo, eu os repreendo da Providência Divina drástica
e desinstaladora é, muitas vezes, salutar na vida de quem está “adormecido”, os
choques e abalos ajudam a abrir os olhos e refazer a escala de valores segundo
critérios certos … Eis como o Senhor tenciona chamar os laodicenos (e, de
modo geral, … os cristãos “adormecidos”) à conversão; é o amor de Deus que
permite, por vezes, frustrações e decepções na vida presente para que a
criatura não se deixe iludir por sonhos fantasiosos; os males que afetam o
cristão “instalado” são apelos de Deus à tomada de consciência de que esta vida
é a semeadura de valores que serão colhidos no além; é preciso, pois, viver
conscientemente e semear de mãos cheias. Cada instante do presente tem sua
repercussão na existência póstuma. – Verdade é que nem todos possuem ouvidos
para atender a tal tipo de chamado. Se, porém, o cristão concebe a coragem de
despertar da mornura sonolenta  para a
lucidez de mente, ele abre a porta de sua morada interior e ceia com Jesus,
isto é, começa a desfrutar os bens prometidos em plenitude para o além, mas já
outorgados sob forma seminal a cada cristão que participe da S. Eucaristia.

Um novo ano se abre, (…)
oportunidade de despertarmos do sono da rotina e semeamos com largueza no
decorrer de cada novo dia!

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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