Ecumenismo e Inculturação

O Concílio Vaticano II
mostrou a importância do Ecumenismo e da Inculturação do Evangelho nas culturas
do povo. Sobre isto o Papa João Paulo II falou claramente na Carta Encíclica Ut
unum sint (Que todos sejam um-UUS).

Infelizmente, porém,  têm havido abusos e erros nestes dois
assuntos importantes. No discurso que o Papa dirigiu aos Bispos do Brasil que
estiveram com ele, em setembro de 1995, falou sobre  isso:

“Em diversas ocasiões a
Providência divina permitiu-me insistir naquela conclusão básica do Concílio
Vaticano II, segundo a qual é decisão da Igreja assumir a tarefa ecumênica em
prol da unidade dos cristãos e de a propor convicta e
vigorosamente”(UR,1).

É  preciso entender que o Ecumenismo é  com as igrejas cristãs, aquelas abertas ao
diálogo, como a Igreja Ortodoxa do oriente, a Anglicana da Inglaterra, e
as  tradicionais, históricas, derivadas
do protestantismo; mas não com as seitas, às quais o Papa se referiu aos bispos
como “uma ameaça para a Igreja Católica” na América. Ele disse aos
nossos bispos, falando dos perigos de um falso ecumenismo ou de uma falsa
inculturação:

“Já tive ocasião de
comentar, mesmo recentemente, que , ‘não se trata de modificar o depósito da
fé, de mudar o significado dos dogmas, de banir deles palavras essenciais, de
adaptar a verdade aos gostos de uma época, de eliminar certos artigos do Credo
com o falso pretexto de que hoje já não se compreendem. A unidade querida por
Deus só se pode realizar na adesão comum ao conteúdo integral da fé revelada’
(UUS,18). Falando aos representantes do mundo da cultura em Salvador, Bahia, eu
lembrava que ‘a inculturação do Evangelho não é uma adaptação mais ou menos
oportuna aos valores da cultura ambiente, mas uma verdadeira encarnação nesta
cultura para purificá-la e remi-la ‘(Discurso, 20.X.1991,4).”

“O mesmo vale no campo
ecumênico. Com efeito, no campo da inculturação como no do ecumenismo, nota-se
uma certa facilidade com que  a busca do
entendimento, do acolhimento ou da simpatia com outros grupos  ou confissões religiosas têm levado a sérias
mutilações na expressão clara do mistério da fé católica, na oração litúrgica,
ou a concessões indevidas quanto às exigências objetivas da moral católica.
Ecumenismo não é irenismo (cf.UR, 4 e10). 
Não se trata de buscar a unidade a qualquer preço”. (g.m.)

“Este
diálogo[ecumênico], que somente tem sentido se for uma busca sincera da
verdade, poderá nos pedir que deixemos de lado elementos secundários que
poderiam constituir um obstáculo de ordem psicológica para nossos irmãos de
distintas denominações religiosas. Mas nunca será verdadeiro, autêntico, se
implicar na mais mínima mutilação duma verdade da fé, no abandono da legítima
expressão da piedade tradicional do povo cristão ou no enfraquecimento das
exigências de séculos da disciplina eclesiástica ou das  veneráveis 
tradições litúrgicas do Oriente, da Igreja Romana e outras igrejas do
Ocidente”.

Se o Papa quis dirigir essas
palavras marcantes aos nossos Bispos, certamente é porque  aqui têm havido  ensaios infelizes de inculturação e
ecumenismo. É importante ressaltar certas coisas frisadas pelo Papa. Ele afirma
que “não se trata de modificar o depósito da fé”, nem com a “mais
mínima mutilação de uma verdade da fé”, e que a unidade que Deus quer só
poderá se realizar “na adesão  comum
ao conteúdo integral da fé revelada”. Sem observar isso o ecumenismo é
falso. Por outro lado, ele chama a atenção para o cuidado com a prática da
inculturaçào do Evangelho, dizendo que “não é uma adaptação mais ou menos
oportuna aos valores da cultura ambiente, mas uma verdadeira encarnação nesta
cultura para purificá-la e remi-la”. Sabemos que neste campo têm havido
abusos.

É importante observar que o
Papa diz que, “no campo da inculturação como no do ecumenismo, nota-se uma
certa facilidade com que a busca do entendimento (…), tem levado a sérias
mutilações na expressão clara do mistério da fé católica, na oração
litúrgica,  ou a concessões indevidas
quanto às exigências objetivas da moral católica”.E ele, diz que: “ecumenismo
não é irenismo. Não se trata de buscar a unidade a qualquer preço”.

Em 1981, a Santa Sé, através
da Sagrada Congregação dos Ritos, proibiu a chamada missa dos Quilombos e todas
as formas de missas dedicadas às minorias; para que a Missa, Sacrifício de
Cristo oferecido ao Pai, não sofresse qualquer manipulação ou conotação
política. Há celebrações de “missa afro, missa do caboclo, etc”. Como disse D.
Estevão Bettencourt, essas celebrações são mais “festejos folclóricos do
nosso povo, associado a Carnaval e a cultos não cristãos” (Revista
Pergunte e Responderemos, n.403/1995, p.32ss). No mesmo artigo D. Estevão afirma
que “nos últimos tempos algumas paróquias do Brasil têm apresentado aos
fiéis o espetáculo de Missa com instrumentos musicais, cantos, gestos e símbolos
que lembram fortemente o folclore popular ou mesmo o Candomblé, a Umbanda, o Carnaval…que
contrariam as instruções oficiais da Santa Sé”.

Para dar um exemplo disso,
basta dizer que no 9° Encontro das Comunidades Eclesiais de Base em São Luiz do Maranhão, em
julho de 1997, no encerramento do Encontro foi divulgada A Carta de S.Luiz,
onde se lê que “lado a lado estavam, o arcebispo, o pastor evangélico, a
mãe de santo e o pagé indígena – todos orando juntos (…)” .

Fato mais triste ainda, foi
a Parábola de autoria de Frei Carlos Mesters, publicada no Boletim de
preparação do citado Encontro das Cebs. Nela, Jesus é apresentado um em
terreiro de Candomblé, chamando a mãe de santo de “Mãe” (como se
fosse Maria), colocando-se na fila para receber “passes”, dançando,
invocando “orixás”,  e outras
coisas inacreditáveis, além de afirmar que “ali está o Reino de
Deus”. Tudo isso nos parece uma grande profanação à pessoa de Jesus.

Em artigo na revista PR
(n.423, agosto de 97), D. Estevão Bettencourt, classificou a Parábola de Carlos
Mesters, como  blasfêmica.

Prof. Felipe Aquino

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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