É hora do povo ir para as ruas

O poeta Olavo Bilac dizia que “a praça pertence ao povo assim como os céus pertencem ao condor”. Nenhuma mídia supera ainda o povo nas ruas exigindo seus direitos desde que cumpra seus deveres. A corrupção no Brasil extrapolou todos os limites imaginários. Como dizia o Pe. Antonio Vieira, “conjuga-se o ver roubar em todos os tempos, modos e pessoas”.

A impunidade se tornou tão lamentável que o roubo e a corrupção são estimulados já que ninguém é punido. Desde o mensalão, os dólares nas cuecas, os maços de dinheiro colocados nos paletós – e devidamente filmados – …tudo é permitido, muitas vezes denunciados pela Imprensa, mas ninguém é punido. O governo se limita num jogo de cena substituir os ministros dos transportes, da agricultura, do turismo, mas tudo continua no mesmo. Quem foi punido? Quem foi para a cadeia? Digam os nomes. A copa do mundo promete um mar de lama…

Um editorial da  REVISTA VEJA  (27/7/2011) – intitulado “CADÊ A INDIGNAÇÃO” diz que “o relatório da maior investigação já realizada pelo Tribunal de Contas da União sobre o sistema de compras do governo federal, esquadrinhou 142.000 contratos do governo Lula, envolvendo gastos totais superiores a 100 bilhões de reais. Os auditores encontraram mais de 80.000 indícios de irregularidades que foram catalogadas em sete modalidades principais de fraude.”

A Folha de SP (4/9/11) denunciou que “Na última década, estima-se que ao menos R$ 6 bilhões desapareceram por ano no caminho que leva os recursos federais de Brasília para os municípios”. E na matéria especial sobre a corrupção diz que “Governo não sabe para onde foi o dinheiro de 1.641 convênios assinados desde 2007”. Não sabe e parece não querer saber.  E mais: “MAIORES CASOS DE CORRUPÇÃO DA HISTÓRIA RECENTE SE ARRASTAM ATÉ 20 ANOS NA JUSTIÇA”. Um país onde  a Justiça humana não funciona de fato.

Na Índia, Anna Hazare, comparado a Gandhi, fez jejum 12 dias, o povo foi para as ruas e obrigou o Parlamento indiano a tomar sérias medidas contra a corrupção. E no Brasil? Por que o povo ainda não foi para as ruas ainda, ordeiramente? Será por que os políticos corruptos não deixam? Será por que as ONGs que mamam nas tetas do governo não estimulam? Por que os movimentos sociais estão satisfeitos com as verbas do governo? Por que a UNE – União Nacional dos Estudantes – esta´ anestesiada com as benesses que recebe do governo para seus congressos e festas? Por que o povo alienado da política e da cultura, e enganado, está satisfeito com o pão e o circo dos imperadores?

Quaisquer que sejam os motivos que impedem uma ação popular, organizada, madura e ordeira, com o povo nas ruas, exigindo respeito pelo bem público e pelo dinheiro dos impostos – cada vez mais escorchantes -, a única maneira de quebrar a corrupção institucionalizada nos órgãos dos governos, será uma forte manifestação da opinião pública.
O Brasil não pode se tornar uma nação amorfa como Cuba que aceitou calada uma ditadura cruel por mais de cinquenta anos. A Índia é melhor exemplo.
No 7 de Setembro começaram as manifestações públicas, e elas precisam crescer, até que os corruptos comecem a perceber que não é só no Oriente que o povo está indo para as ruas contra os ladrões do povo…
 O carro de som da manifestação em Brasilia cantava: “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão.” Era o samba “Reunião de Bacana” que deu o tom das passeatas contra a corrupção, que pipocaram em várias capitais no Sete de Setembro.

Chegou a hora da verdadeira independência do Brasil; se libertar dos corruptos, dos ladrões do povo, daqueles que roubam o dinheiro dos hospitais, dos doentes, dos pobres, das crianças, da casa do povo, da boa escola, da segurança, dos investimentos que o país precisa.

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Prof. Dr. Felipe Aquino

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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