Dom Orani aborda atualidade do Concílio Vaticano II em artigo

Rio de Janeiro (06-02-2012 – Gaudium Press) – Começou hoje no Rio de Janeiro, 06, o Curso para Bispos, criado há mais de duas décadas. O evento segue até o dia 10 de fevereiro reunindo mais de 100 bispos em torno do tema “50 anos após o Concílio Vaticano II. Novo dinamismo e as novas Interrogações para a Igreja”. Neste sentido, o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, dedicou o seu mais recente à temática.

Conforme Dom Orani, o Curso para os Bispos se insere no desejo do Papa Bento XVI de proclamar no dia 11 de outubro – data que marca os 50 anos da inauguração do Concilio Vaticano II – o “Ano Da Fé”, cujo objetivo é “redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo”. Neste sentido, o prelado vai afirmar que Concílio tem muito a ver com o Ano da Fé. “Basta recordar o ‘Credo do Povo de Deus’, do saudoso Papa Paulo VI”, escreve o prelado.

A fim de tornar mais clara a relação entre o Ano da Fé e o Concílio, Dom Orani lança mão da carta de Bento XVI Porta Fidei, em que o pontífice fez o anúncio sobre o Ano da Fé. Na missiva, o Papa fala sobre alguns textos deixados por padres conciliares, afirmando que até hoje estes não perderam seu valor e beleza e que “devem ser conhecidos e assimilados como texto qualificativos e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja”. Na missiva, o Santo Padre se refere a eles como “uma bússola segura para nos orientar neste século”.

Para Dom Orani, estas palavras de Bento XVI deixam bem evidente a importância do Concílio Vaticano II para que o Ano da Fé seja vivido com sucesso. “É muito interessante observar como a Carta Apostólica Porta Fidei apresenta os diversos documentos conciliares como um programa a ser seguido para alcançar os objetivos do Ano da Fé”, diz o prelado. Nelas, o Santo Padre fala do materialismo, do ceticismo, da indiferença religiosa e do relativismo, que só podem ser combatidos por meio de Cristo.

“O cristão não possui armas, possui a Cristo, o verbo encarnado, a luz dos povos, nossa alegria e esperança. É através dos sacramentos, da vivência litúrgica, de uma profunda vida de oração, do encontro com Cristo e da vida em comunidade que brota a força e a beleza do ser Cristão, do ser de Cristo. Devemos despertar este profundo renovar em Cristo em cada um de nós”, afirma Dom Orani.

A problemática atual relativa ao Concílio Vaticano II também é abordada pelo arcebispo do Rio de Janeiro em seu artigo. Conforme o prelado, a respeito deste ponto o pontífice faz algumas interrogações que merecem uma reflexão. “Qual foi o resultado do Concílio? Foi recebido de modo correto? O que, na recepção do Concílio, foi bom, o que foi insuficiente ou errado? O que ainda deve ser feito? […] por que a recepção do Concílio, em grandes partes da Igreja, até agora teve lugar de modo tão difícil?”, escreve Dom Orani.

De acordo com o arcebispo, os 50 anos que já se passaram desde a realização do Concílio Vaticano II, possibilita uma reflexão “mais madura” no sentido de responder às indagações do pontífice. “Guiados pelos documentos conciliares, aplicados à realidade humana, apostólica, intelectual, pastoral e espiritual de cada diocese poderemos responder, auxiliados pelo Espírito Santo, aos diversos desafios que se apresentam”, diz o prelado.

Após louvar a crescente participação dos leigos na vida da Igreja, Dom Orani passa à conclusão de seu artigo, destacando que as indagações postas pelo Papa guiarão o trabalho dos bispos reunidos no Curso. Segundo o arcebispo, durante os cinco dias atividades, serão aprofundados, com a participação de especialistas internacionais, os temas do ecumenismo, da educação e da Palavra de Deus. “Com esses três temas estaremos abordando três importantes documentos do Concílio e percorrendo seus caminhos nestes 50 anos. Esses assuntos debatidos, aprofundados nos ajudarão em nossa missão como sucessores dos Apóstolos na Igreja no Brasil. Questões que meditaremos no silêncio de nossas orações pessoais, comunitárias e litúrgicas”.

“Em Cristo, e à luz do Concilio Vaticano II e com a força e a graça do Espirito Santo renovaremos, mais uma vez, nossa adesão a Cristo, à Igreja e ao Papa. Fortaleceremos nosso compromisso constante, apoiados pela Santíssima Virgem, de entregar até a última gota de nossas vidas ao serviço do Evangelho, através de um esforço contínuo para transformar a sociedade e conduzi-la a Cristo, renovando a fé de seus seguidores e mostrando a beleza do cristianismo a todas as nações”, conclui Dom Orani.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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