Descobrindo o óbvio

O governo federal lançou o programa de erradicação da miséria e do analfabetismo no Brasil, considerando o analfabeto formal e funcional. Analfabeto formal: quem não sabe ler, escrever, fazer as quatro operações aritméticas. Analfabeto funcional: quem não possui condições para estudar, nem acesso à capacitação profissional qualificada. A escravidão é fruto da ignorância, uma forma perversa que perpetua o atraso e gera a exclusão social. Após a escravatura milhares de negros apenas mudaram de dono…

O analfabetismo formal e funcional impede o desenvolvimento de 30 milhões de brasileiros, considerados alguns critérios modernos de ensino, aprendizado e habilidades. Na faixa etária dos 15 aos 64 anos, entre quatro, somente um brasileiro é alfabetizado. Dados recentes da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) revelam que o Brasil é o 8º pior entre os países no ranking de analfabetismo. Ocupamos o 88º lugar na dimensão educacional! Na esfera mundial contam-se 67 milhões de analfabetos adultos, contrastando com o Brasil, com 14 milhões, superando a média de analfabetos da América Latina.

O IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) revela que 98% das crianças brasileiras dos 7 aos 14 anos obtêm matrícula nas escolas, porém, a qualidade da educação fundamental é sofrível. A situação se agrava com o fenômeno da evasão escolar. O Brasil investe R$ 1.900/ano em cada estudante do ensino básico e investe R$ 13 mil em cada estudante do ensino superior. Ao longo dos últimos sete anos, o número de matrículas no ensino superior passou de 3,5 para 5,9 milhões. A ausência quase total de investimentos em pesquisas científicas e tecnológicas compromete o bom desempenho do ensino superior nas universidades brasileiras. Comparando-nos à média das universidades dos países mais desenvolvidos, envergonhados reconhecemos o atraso das nossas universidades na esfera das teorias, sem efetiva integração com o desenvolvimento regional.

Se não houver impacto producente com projetos de desenvolvimento humano e social, regional e local, vinculados às esferas científicas e tecnológicas, para que então serve uma universidade? Desse jeito nunca vamos garantir mão-de-obra qualificada. Embora o Brasil ocupe a 7ª posição de destaque entre as potências econômicas emergentes, faltam milhares de jovens qualificados para o desenvolvimento pleno do nosso país. O “Times Higher Education” registra indicadores de qualificação profissional dada nas universidades mundiais. Nenhuma universidade brasileira se encontra entre as 100 melhores do mundo.

A mediocridade acadêmica pode ser socorrida pelo Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego). O governo destina R$ 1 bilhão aplicando-o em 200 escolas técnicas até 2014. Mais R$ 700 milhões serão aplicados em bolsas de estudo e mais R$ 300 milhões em financiamento estudantil. Tais investimentos urgentes tem a finalidade de reduzir os índices de desqualificação de mão-de-obra, tão necessária nos diversos setores de serviços, sobretudo, na indústria e agricultura moderna.

A prevenção e a superação da violência, provocada e sustentada pelo narcotráfico, reside no fator trabalho para adolescentes e para jovens. O desenvolvimento ético e espiritual, bem como o crescimento econômico e material do povo brasileiro, depende de investimentos na qualificação para o trabalho, portador de melhorias da vida dos cidadãos. A qualificação da educação das novas gerações é garantia de vida digna para o povo, reduzindo e erradicando a corrupção, a criminalidade e a violência.

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Dom Aldo Pagotto
Arcebispo Metropolitano da Paraíba – PB

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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