Desastres nunca são um castigo de Deus

Para Pe. Cantalamessa, dizer isso seria “ofender a Deus e os homens”

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 22 de abril de 2011 (ZENIT.org) – Em um momento em que o mundo cristão “volta a ser visitado pela prova do martírio” e em que se veem tantos “sofrer e morrer ao nosso redor”, os cristãos podem oferecer ao mundo “a certeza da nossa fé de que há um resgate para a dor”.

O padre Raniero Cantalamessa, ofmcap., fez essa afirmação na homilia da cerimônia desta Sexta-feira Santa, presidida pelo Papa, na Basílica de São Pedro.

“Há uma verdade a se proclamar com força na Sexta-feira Santa. Aquele que contemplamos sobre a cruz é Deus ‘in persona’. Sim, é também o homem Jesus de Nazaré, mas esta é uma pessoa com o Filho do Pai Eterno.”

“Até que não se reconheça e leve a sério o dogma fundamental da fé cristã – o primeiro definido dogmaticamente em Niceia – que Jesus Cristo é o Filho de Deus, o próprio Deus, da mesma substância do Pai, a dor humana permanecerá sem resposta”, disse.

Segundo o pregador do Papa, os cristãos possuem uma “pérola”: a “Ressurreição!”. Citando o apóstolo Paulo e o Apocalipse, disse: “‘Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada’ (Rm 8, 18), e ainda ‘Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição’ (Ap 21, 4).”

Cantalamessa indicou ainda que os cristãos, no anúncio da ressurreição e da vida, nunca se esqueçam de “sofrer com os que sofrem, chorar com os que choram”.

“Neste momento, sofrer e chorar em particular com o povo japonês, imerso em uma das mais terríveis catástrofes naturais da história. Podemos dizer a esses nossos irmãos em humanidade que estamos admirados por sua dignidade e exemplo de postura e ajuda mútua que deram ao mundo.”

“A globalização tem ao menos este efeito positivo: a dor de um povo se torna a dor de todos, suscita a solidariedade de todos. Dá-nos a chance de descobrir que somos uma família humana, ligada no bem e no mal. Ajuda-nos a superar as barreiras de raça, cor e religião”, disse.

Catalamessa indicou ainda que se recolha o ensinamento de eventos como este. “Terremotos, furacões e outros desastres que atingem inocentes e culpáveis nunca são um castigo de Deus. Dizer o contrário disso significa ofender a Deus e os homens”, disse.

“Mas servem de alerta: neste caso, a advertência de não se iludir que bastam a ciência e a técnica para se salvar. Se não formos capazes de estabelecer limites, nós mesmos podemos nos tornar, estamos vendo, a ameaça mais grave de todas.”

Ele recorda que também houve um terremoto no momento da morte de Cristo: ‘O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus!’ (Mt 27, 54).

“Mas houve um outro ainda ‘maior’ no momento de sua ressurreição: ‘E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela’ (Mt 28, 2).”

“Assim será sempre – afirmou o pregador do Papa -. A cada terremoto de morte sucederá um terremoto de ressurreição de vida.”

“Alguém disse: ‘Agora só um deus pode nos salvar’. Temos a garantia de que o fará porque ‘de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único'”.


Na internet, íntegra da prédica:
http://www.zenit.org/article-27806?l=portuguese

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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