Conselho Pontifício para a Família: Genoma e Família

Roberto Colombo

Professor de biologia e bioética na Universitá degli Studi di Milano, na Universidade Católica Sacro Cuore de Milão, onde é diretor da Unidade de Pesquisa em Biologia Humana e Genética, e do Pontifício Instituto João Paulo II de Roma. Membro correspondente da Pontifícia Academia para a Via. Numerosas publicações.

[Resumo]

Na sua carta às famílias, Gratissimam Sane, 9, o Papa João Paulo II afirma que “a paternidade e a maternidade humanas têm suas raízes na biologia e ao mesmo tempo a superam”. A genética, nascida na metade do século XIX chegou a manipular o material genético e até mesmo a modificar o patrimônio genético. O autor questiona-se como o conhecimento científico poderá influenciar a compreensão do homem e da família. Numa visão reducionista, teme-se que seja tomado em consideração só um ou mais fatores da realidade, e isto sob o comando de ideologias do pensamento científico. Assim, a essência da pessoa humana seria reduzida a uma série de cromossomos, que controlam o desenvolvimento corporal, e a vocação dos pais seria a de meros provedores de gametas, sendo esquecida a dimensão pessoal e familiar do ser humano. Ao contrário, uma visão determinista, onde tudo depende eventualmente dos genes, constitui-se uma ameaça à liberdade e à responsabilidade das pessoas, ao negar o papel da educação na formação da personalidade. O segundo aspecto é o poder biotecnológico, que corre o risco de perder de vista o fato que o ser humano tem uma natureza biológica humana, a qual possui um valor antropológico e moral com a mesma natureza da pessoa humana. É o risco que as intervenções genéticas não estritamente terapêuticas apresentam de reduzir a vida a um objeto. O último aspecto apresentado é a necessidade de uma educação para a liberdade e a responsabilidade, a fim de que seja garantido um uso correto do conhecimento sobre genoma humano. Nesse último campo, a Igreja possui uma especial vocação para educar para a liberdade e a responsabilidade, em favor da vida, sobretudo na sua dimensão espiritual. É um apelo também a viver no respeito à humanidade integral da pessoa.
 
(Consulta genética neutral; Contragestação; Procriação assistida e FIVET; Seleção e redução embrionária).


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Leia o texto integral, entre outros, em Lexicon: termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas,  Pontifício Conselho para a Família, Edições CNBB.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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