Conselho Pontifício para a Família: Controle dos Nascimentos e Implosão Demográfica

Michel Schooyans

Professor emérito da Universidade de Lovaina. Professor em São Paulo e em várias universidades latino-americanas. Pesquisador sobre filosofia política, ideologias contemporâneas e políticas da população. Várias publicações.

[Resumo]

A necessidade do controle dos nascimentos fez-se patente desde a antiguidade. Nesta história, um nome se destaca: o de Malthus, que, já no final do século XVIII, sustentava que a humanidade se dirigia rumo à catástrofe, já que, em seu ponto de vista, a população cresce com uma projeção geométrica enquanto os recursos alimentares aumentam somente segundo uma progressão aritmética. As razões aqui invocadas são primeiramente de ordem econômica, mas os discípulos de Matos se encarregaram de completar as argumentações do célebre pastor anglicano com considerações geográficas, políticas, eugênicas, como também com uma moral do prazer. Todos estes motivos ecoam nas grandes assembléias internacionais onde se trata de população e de desenvolvimento. As razões inventadas para justificar o controle dos nascimentos não resistem à análise científica. De fato, em todas as partes, as populações envelhecem e algumas vezes diminuem. A proporção das pessoas anciãs não pára de aumentar e as tensões entre as gerações se acentuam. Os sistemas de segurança social vacilam. Pode-se falar com fundamento, portanto, de uma implosão e é a esta que conduzem as políticas de controle de nascimentos. Diante deste crash, devem-se redefinir políticas que levem em consideração conclusões científicas indiscutíveis: não existe correlação evidente entre população e desenvolvimento; o crescimento da população resulta em primeiro lugar do aumento da expectativa de vida desde o nascimento; o recurso mais importante é o capital humano. Assim, longe de ser ameaçada por uma “implosão demográfica”, a humanidade é, ao invés, confrontada com uma implosão anunciada, que pode, porém, ser esconjurada se, ao contrário de cultivar a morte, a humanidade decidisse edificar uma cultura da vida, uma cultura cuja construção passa através da promoção da família e que tem como horizonte uma civilização do amor.

(Demografia, transição demográfica e política demográfica; Economia doméstica; Família e desenvolvimento sustentável; Família e princípio de subsidiariedade; Fertilidade e continência; Implosão demográfica na Europa?; Mentalidade contraceptiva; Novo modelo de “Welfare State”; Paternidade responsável).

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Leia o texto integral, entre outros, em Lexicon: termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas,  Pontifício Conselho para a Família, Edições CNBB.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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