Conclusões acerca do Criacionismo

Para aqueles que, de preferência, tenham lido pelo menos a maior parte de meus textos sobre o assunto, ou para aqueles que queiram de antemão conhecer minhas conclusões antes de meus argumentos, vou agora enunciar a que resultados cheguei após um exame detalhado da questão do Criacionismo.

CRIACIONISMO NÃO É CIÊNCIA

Pois CIÊNCIA como um corpo de conhecimento coeso, definido e pautado no Empirismo e Racionalismo, não dá suporte a nenhuma suposição de que as espécies tenham sido criadas subitamente e não tenham sofrido mudanças através dos tempos, e que isso tenha ocorrido há menos do que Milhões e Bilhões de anos.

Nenhuma instituição Criacionista faz pesquisas de campo, nem realizam experimentos, e não há nenhum criacionista envolvido em qualquer pesquisa importante.

CRIACIONISMO NÃO É NEM PSEUDOCIÊNCIA

Pois para ser PSEUDOCIÊNCIA, ou PARA CIÊNCIA, é necessário que haja pelo menos alguns elementos de Ciência.

Geralmente as Para Ciências, Pseudo Ciências, Ciências Alternativas e similares, fazem experiências, pesquisas e usam parte do método científico, deixando de lado outra parte. Ou seja, fazem uma Ciência pela metade, misturando-a com outras atividades, e por isso são consideradas Pseudo Científicas.

O Criacionismo não faz nada disso. Nem passa perto de qualquer atividade que lembre pesquisa ou empirismo.

CRIACIONISMO NÃO É FILOSOFIA

Não no sentido primordial de FILOSOFIA, pois esta exige um acuidade racional que o Criacionismo simplesmente não tem. Ele comete falhas óbvias em suas premissas, como as que podem ser mostradas em QUESTÕES SIMPLES QUE O CRIACIONISMO NÃO RESPONDE.

Por outro lado o Criacionismo está claramente vinculado à TEOLOGIA, que inicialmente é parte da Filosofia. Porém relaciona-se a parte da Teologia de menor acuidade racional, cheia de antinomias, paradoxos, racionalmente insolúveis, o que a leva a um campo mais próximo do meramente Religioso.

É claro que num certo sentido ele pode ser considerado Filosofia, mas inverto as palavras do famoso Henry Morris, que afirmou ser o Evolucionismo constituído de 10% de Má Ciência e 90% de Má Filosofia.

Eu digo então que:

“O CRIACIONISMO É CONSTITUÍDO DE 30% DE MÁ FILOSOFIA E 70% DE RELIGIÃO”

Ou pode-se variar os dados de porcentagem desde que o de Religião seja majoritário.

CRIACIONISMO É TEOLOGIA DOGMÁTICA CRISTÃ

Principalmente da linha Protestante Batista. Intrinsecamente misturado a uma série de outras doutrinas, como a “Arqueologia” ou “Historiografia” Bíblicas, que não tem por objetivo colher dados de pesquisa autênticos mas sim confirmar a todo custo a veracidade bíblica, se apossando de qualquer informação favorável e ignorando ou mesmo negando qualquer dado contrário.

Mas há um segmento da Teologia à qual o Criacionismo se encaixa perfeitamente. Ele foi criado e é usado única e exclusivamente como uma espécie de defesa da veracidade da Bíblia, que nesse ponto de vista crê ser a Evolução uma ameaça ao
Cristianismo.

Trata-se então da APOLOGÉTICA. O discurso em defesa da autoridade e sacralidade da Bíblia e das Doutrinas Cristãs.

Entretanto há vários segmentos do Cristianismo que são evolucionistas, harmonizando a Bíblia com os dados da Ciência através de interpretações mais flexíveis. A própria Igreja Católica em geral admite serem os eventos narrados no Gênesis, e as demais passagens fantásticas da Bíblia, alegóricas. O Mesmo ocorre com boa parte dos intérpretes judaicos.

Sendo assim ser Cristão não implica de forma alguma em ser Criacionista, embora nesse caso, ser Criacionista necessariamente implica em ser Cristão, de uma parte específica do Cristianismo.

A meu ver o Criacionismo só faz sentido dentro de uma ótica religiosa radical, que não pode abrir mão da interpretação literal de suas lendas e mitos, seja lá com que consequência simbólica e alegórica isso possa ter.

Essa ótica é a que não admite flexibilidade em suas interpretações. É por isso que concluo que:

“O CRIACIONISMO SÓ FAZ SENTIDO NUMA PERSPECTIVA FUNDAMENTALISTA”

É essa a conclusão a que cheguei a respeito. O CRIACIONISMO pode ser definido então como:

APOLOGÉTICA GENÊSICA FUNDAMENTALISTA

Digo “Genêsica”, referente a Gênesis, para ser mais específico, mas na realidade há uma defesa de toda a Bíblia, de modo que se torna um APOLOGÉTICA BÍBLICA, servindo às vertentes fundamentalistas da religião Cristã, e em raros casos a grupos judeus ou islâmicos mais conservadores.

E na realidade, há muitos Criacionistas que concordam com isso.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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