Como ser banqueiro e cristão

Em “Al trabajo con Dios”, Ken Costa explica como conciliar fé e trabalho

ROMA, quinta-feira, 10 de março de 2011 (ZENIT.org) – “Muitos de nós se cansam de imaginar Deus como um criador que está trabalhando incansavelmente 24 horas por dia. Eu o imagino mais como um ator afastado do palco e relegado a um show dominical para um público cada vez menor.”

“Por isso, falar sobre a fé ativa no local de trabalho pode parecer excêntrico. Mas, se percebêssemos que nosso trabalho é precioso para Deus, não faríamos outra coisa a não ser levar a fé para o trabalho.”

Quem disse estas palavras não foi um sacerdote, nem um bispo, nem um religioso, mas o diretor de um banco, cujo nome é Ken Costa e que recentemente escreveu um livro intitulado “Al trabajo con Dios” (“Trabalhando com Deus”, ed. Messaggero Padova), que está gerando comentários consideráveis.

Ken Costa é um dos dirigentes bancários mais importantes da nossa geração, conhecido por sua paixão, criatividade, liderança e pensamento estratégico em sua vida profissional; também é uma pessoa de profunda fé cristã.

Acredita-se que Deus e os negócios não se misturam. No entanto, o autor do livro explica que “o Deus que criou e sustenta o mundo é também o Deus do local de trabalho” e que, “se a fé cristã não for relevante no trabalho, não será relevante em lugar nenhum”.

A partir da leitura do Evangelho, Costa se convenceu de que “o capitalismo democrático, apesar de todos os seus defeitos, era o sistema econômico que melhor servia o bem comum e que melhor refletia os princípios do Novo Testamento de justiça, de liberdade individual”.

“A economia de mercado – observou ele – é um bom servo, mas um amo ruim: é necessário trabalhar dentro de um contexto moral mais amplo, que considere preciosos todos os seres humanos e preciosos todos os recursos do mundo, precisamente porque têm valor para Deus.”

“Sem uma estrutura baseada em valores – afirmou -, a economia de mercado é fraca em seus próprios alicerces.”

Sobre a presença de Deus e seu espaço no trabalho cotidiano, Costa disse que “a vida do cristão no trabalho é uma tensão em direção ao bem. Dia a dia, podemos perceber a vida de Deus, enquanto evitamos a escuridão. Nós tentamos caminhar ao longo deste estreito limite, procurando alcançar a luz”.

“Algumas pessoas pensam que a fé nos torna imunes a fazer escolhas erradas… Eu gostaria que fosse assim. Deus nos dá os recursos espirituais para crescer através da fraqueza e recuperar-nos quando sucumbimos às tentações onipresentes”, acrescentou.

Quando perguntado sobre “por que trabalhamos?”, Costa respondeu com muitas razões contidas na Bíblia, ou seja: criar riqueza, sustentar a nós mesmos e nossas famílias, sentir-nos realizados e ter um objetivo, evitar ser um fardo para outros, ser novas pessoas, através de um esforço colaborativo.

O autor afirma estar convencido de que “Deus tem no coração o bem da sociedade” e, por isso, quando questionado sobre sua fé, responde: “Meu local trabalho é o meu lugar de oração”.

(Antonio Gaspari)

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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