Como se espalhou a Devoção ao Sagrado Coração de Jesus pelo mundo?

imagemsagradocoracaoEm 1673 principiaram as manifestações propriamente ditas do Coração de Jesus a Santa Margarida Maria. “Uma vez, conta ela, estando diante do SS. Sacramento, senti-me tão fortemente penetrada da divina presença, que me esqueci completamente de mim e do lugar onde estava, e abandonei-me a este espírito divino, entregando o meu coração à força do seu amor. Ele então me fez conhecer que o grande desejo que tem de ser amado dos homens lhe fez conceber o designo de lhes manifestar o seu amor”. Eis como o fato se passou: Fez-me descansar por largo tempo sobre o seu peito divino, descobrindo-me as maravilhas do seu amor, e os segredos inexplicáveis do seu Sagrado Coração, que até ali me tinha ocultado. Abriu então pela primeira vez, mas duma forma tão positiva e sensível, que me não deixou a menor dúvida pelos efeitos que esta graça produziu em mim. Eis o que me disse:

“O meu divino Coração está tão apaixonado de amor pelos homens e por ti especialmente, que, não podendo conter por mais tempo as chamas da sua ardente caridade, quero servir-se de ti para as espalhar”.

Esta devoção espalhou-se a pouco e pouco pela Igreja: estabeleceu-se primeiro nos conventos da Visitação e em algumas comunidades. Algumas dioceses a aceitaram também.

A Santa Sé vigiava esse movimento com atenção e muita prudência, animava-o com bênçãos, com indulgências e com outras graças, mas esperava o sinal da Providência para tomar a direção dele. Só em 1899 se manifestou este sinal. Iluminado por uma luz sobrenatural, Leão XIII, anunciou a consagração do mundo inteiro do Sagrado Coração de Jesus para o dia 11 de junho de 1899. Um ato solene precedeu esta consagração: foi a promulgação da oracoesdetodosostemposdaigrejaEncíclica Annum sacrum de 25 de maio, na qual o Vigário de Jesus Cristo apresenta oficialmente a imagem do Sagrado Coração como a nova bandeira dos cristãos, e declara a devoção a este Coração divino como a devoção vital da Igreja, destinada a produzir nos últimos tempos as maravilhas realizadas no primeiros pela cruz.

Depois de recordar o Labarum de salvação mostrado a Constantino, e fazer resenha dos males que afligem a Igreja, o Vigário de Jesus Cristo pronuncia estas palavras memoráveis que são, por assim dizer, a entrega oficial do estandarte do Sagrado Coração à Igreja:

“Em alterun hodie oblatum oculis signum, asuspicatissimum divinissimumque: videlicet Cor Jesu sacratissimum, superimposita Cruce, splendidissimo candore inter flamas elucens. In eo omnes collocandar spes, ex eo hominun petenda atque expectanda salus”.

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Qual a origem da devoção ao Sagrado Coração de Jesus?

Sagrado Coração de Jesus: fonte de toda consolação

“Eis que hoje se oferece aos nossos olhos outros sinais de salvação; sinal diviníssimo de suprema esperança: É o Coração Sacratíssimo de Jesus, que, encimado pela Cruz, resplandece no meio de chamas com o mais vivo fulgor. É nele que havemos de colocar todas as nossas esperanças; a ele havemos de pedir e dele havemos de esperar a salvação dos homens”.

Estas palavras são talvez as mais extraordinárias que os Papas tem pronunciado, depois que S. Melquíades, arvorou oficialmente na Igreja, o estandarte da Cruz, no ano de 312, em seguida à visão de Constantino.paraestarmenor

Por estas palavras tão claras e tão expressivas o Vigário de Jesus Cristo, em virtude de sua autoridade divina, reconhece e levanta o novo estandarte da salvação e de vitória mostrando a Santa Margarida Maria, sob o qual se devem ferir os últimos combates e alcançar os grandes triunfos da Igreja contra o Inferno. “Sim! Este divino Coração reinará! – repita com prazer a serva de Deus! Sim, há de reinar, ele me disse! Esta palavra transporta-me de alegria”.

A fim de preparar e apressar este triunfo, é necessário, como indica Leão XVII, corresponder ao seu chamamento e prestar ao Coração de Jesus as homenagens que ele espera de nós, e que Santa Margarida Maria vai indicar-nos.

Retirado do livro: O Coração de Jesus

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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