”Com clamor e lágrimas.. foi atendido”

Revista “PERGUNTE
E RESPONDEREMOS”

D. Estevão
Bettencourt, osb

Nº 418 –  Ano 1997 –  p. 97

 

(Hb 5,7)

Março de
1977 termina com o Tríduo Sacro ou os dias em que se comemoram a Paixão, a Morte
e a Ressurreição do Senhor Jesus. São os dias mais densos do ano litúrgico…,
cujo conteúdo se encontra compendiado nas palavras do Apóstolo: “Jesus, nos
dias de sua vida terrestre, apresentou pedidos e súplicas, com clamor e lágrimas,
àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido por causa da sua reverência”
  (Hb 5,7).

Estas palavras
começam por recordar a oração do Senhor Jesus posto em agonia no Horto das Oliveiras
pouco antes de ser preso. Então, antevendo os horrores da Paixão que o aguardava,
pediu ao Pai que o dispensasse de beber o Cálice. Os autores sagrados frisam bem
o aspec­to humano de Jesus; Ele pediu, suplicou, exprimindo sua angústia mediante
clamor, lágrimas e suor de sangue (cf. Lc 22, 44). Ele quis comparti­lhar tudo o
que é humano, inclusive o pavor do sofrimento e da morte, para poder ser o
Sacerdote perfeito, verdadeiro homem e verdadeiro Deus (cf. Hb 2, 17; 4,15).
Ocorre, porém, que Jesus, por mais repugnância que sentisse pelo cálice, subordinou
seu pedido à vontade do Pai: “Faça-se a tua vontade; e não a minha”(Mc 14, 36).

Continua o
autor de Hebreus: “E foi atendido por causa da sua reverência”. – É espontâneo
perguntar: como foi atendido, se padeceu e morreu tão atrozmente? A resposta não
é difícil. Jesus pediu, acima de tudo, que se cumprisse a vontade do Pai a seu
respeito. Ora o desígnio do Pai era ainda mais grandioso do que simplesmente isentar
Jesus da morte de Cruz. Consistia, sim, em fazer de Jesus o Senhor da morte e
da vida. Ele veio para morrer (Jo 12,27), e morrer para ressuscitar, ou seja,
para ferir mortalmente a própria morte ou para tirar a esta o sinal  negativo

de sanção devida
ao pecado e torná-la um canal para a plenitude da vida. Ele mesmo diz no
Apocalipse: “Estive morto, mas eis que vivo pelos séculos dos séculos, e tenho
as chaves da Morte e do Hades (região dos mortos)” (Ap 1, 18).

O caso de
Jesus é modelar para todos os homens. O Senhor Jesus passou pelos momentos mais
difíceis de uma vida humana; soube, porém colocar sua vontade abaixo da vontade
do Pai. Assim também todo cristão tem o direito de pedir a Deus que o livre dos
males que o afetam; peça-o, porém, no intuito de cumprir em tudo o desígnio do
Pai. Se não for atendido como sugere, nem por isto terá sido inútil a sua oração.
Receberá mais e melhor do que sugeriu, pois o plano de Deus é mais amplo e sábio
do que os planos dos homens. – Possa a celebração do Tríduo Sacro avivar nos
cristãos a consciência de que a Páscoa tem duas facetas inseparáveis uma da
outra: Cruz e Ressurreição. E leve os cristãos a orar sempre com Jesus e como
Jesus, para participar da vitória de Cristo!

                                                                            

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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