CNBB diz que bispo de Guarulhos agiu dentro da ‘normalidade’

Dom Geraldo
Lyrio Rocha destacou que acima do bispo só está o papa.

Presidente
da CNBB defendeu debate sobre aborto nas eleições.

Eduardo
Bresciani Do G1, em Brasília

O
secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa (e), e o presidente da
Conferência, Dom Geraldo Lyrio Rocha, concedem entrevista coletiva em Brasília
para falar do Campanha da Fraternidade 2011 (Foto: Ed Ferreira/AE)

O
presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Gealdo
Lyrio Rocha, afirmou nesta quinta-feira (21) em entrevista na sede da entidade,
em Brasília, que está “dentro da normalidade” a ação do bispo de
Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, de distribuir panfletos contra a
candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Dom Geraldo destacou que cada
bispo tem o direito de orientar os fiéis de sua diocese como desejar e que a
CNBB não tem qualquer poder de interferência em dioceses.

“Ele
(bispo de Guarulhos) tem o direito e até o dever de, de acordo com sua
consciência, orientar seus fiéis do modo que julga mais eficaz mais
conveniente. Ele está no exercício de seus direitos como bispo diocesano de
Guarulhos e cada instância fala só para o âmbito de sua competência, tanto que
ele não se dirigiu à nação brasileira. Este procedimento está absolutamente
dentro da normalidade no modo como as coisas da Igreja se encaminham”,
afirmou Dom Geraldo.

O
presidente da CNBB afirmou que não cabe à entidade “censurar”
qualquer ação de bispos que se manifestem sobre política. Ele destacou que a
posição nacional sempre é dada pela CNBB, mas que na diocese o bispo tem
autonomia, sendo sujeito apenas à autoridade do papa. “Acima do bispo só
existe uma autoridade, o papa. A CNBB não é um organismo para interferir nas
dioceses, dar normas para os bispos, repreender”.

Ele (bispo
de Guarulhos) tem o direito e até o dever de, de acordo com sua consciência,
orientar seus fiéis do modo que julga mais eficaz mais conveniente. Ele está no
exercício de seus direitos como bispo diocesano de Guarulhos e cada instância
fala só para o âmbito de sua competência, tanto que ele não se dirigiu à nação
brasileira. Este procedimento está absolutamente dentro da normalidade no modo
como as coisas da Igreja se encaminham”

Dom Gealdo
Lyrio Rocha

Dom Geraldo
destacou que a CNBB não dá nenhuma orientação de voto em candidatos, mas apenas
indica princípios. “A CNBB não aponta candidatos nem partido, ela indica
critérios para que o cidadão cristão, orientado nesses critérios, possa exercer
o voto.”

Ele
considerou positivo que o tema aborto esteja sendo discutido na eleição. Ele
reconheceu que há posições “reduzidas” sobre o tema, mas afirmou que
as discussões sobre “valores” não podia ficar fora da eleição.
“Acho que a moeda sempre tem dois lados, se há inconvenientes de um lado,
há uma vantagem enorme do outro. O tema (aborto) foi colocado em pauta e não se
podia entrar em um processo eleitoral sem trazer à tona temas dessa natureza de
máxima relevância”.

O
presidente da CNBB afirmou ainda que o fato de o Brasil ser uma “Estado
laico” não impede o debate sobre temas ligados à religião nas eleições.
“Estado laico não é sinônimo de estado ateu, antireligioso ou areligioso.
O estado brasileiro é laico, mas a sociedade brasileira não é laica, é
profundamente religiosa, não estou dizendo só católica, mas evangélica, afro,
dos cultos indígenas”.

Ele afirmou
que a Igreja tem sim direito de se posicionar no processo político. “Se
Estado laico for entendido como um que não permite com posições diferentes, não
será estado laico será ditadura laica. (…) Não se pode querer silenciar a
Igreja como se não pudesse manifestar sua posição. Todos são respeitados quando
falam, todas as minorias, mas a Igreja quando fala é acusada de estar se
intrometendo, por isso este argumento é falso”.http://fwd4.me/ikm

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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