Claudia Koll: “Maria me ajuda a ser plenamente mulher”

Depoimento da atriz no Umbria International Film Fest

TERNI, 25/11/2011 (ZENIT.org) – O segundo dia do Umbria International Film Festival terminou apresentando como tema a devoção mariana. No Cityplex Politeama foi exibido o filme Lourdes, de Jessica Hausner, precedido pelo testemunho de Claudia Koll.

A atriz explicou que Maria está nas raízes da sua conversão, ocorrida há dez anos. Lourdes e Fátima, em particular, desempenharam um papel decisivo na vida espiritual de Koll, que cresceu numa família particularmente devota de Nossa Senhora.

Claudia Koll não teve uma infância das mais fáceis: a atriz diz que foi criada por uma avó cega, mas fervorosa católica, que, para nunca perder a neta do alcance, lhe amarrava o pulso com um fio de lã.

“Minha avó era o maior exemplo de fé na minha família”, disse Koll à platéia no Umbria Film Festival. “Eu a via recitar o terço todos os dias e falar diretamente com Deus. O testemunho dela me marcou de forma indelével”.

A mãe de Claudia, nos primeiros anos da menina, passou muito pouco tempo com ela, por razões de saúde. “Depois que eu nasci, ela recebeu uma transfusão de sangue infectado e ficou seis meses entre a vida e a morte”.

“Quando ela se curou, fomos com toda a família dar graças a Nossa Senhora de Pompeia. Também como agradecimento a Nossa Senhora, eu fui batizada com o nome completo de Claudia Maria Rosaria “.

“Eu reabri, esses dias, os velhos baús de fotos da minha vida”, continuou ela. “Em meio às fotos da minha adolescência, eu encontrei uma imagem do Jesus da Divina Misericórdia. Ele me fez pensar que, já naquele tempo, Deus estava falando para mim, mas eu não estava ouvindo, e pior, comecei a ir em outra direção”.

A atriz também contou ter vivido suas aspirações artísticas, inicialmente contra a vontade da família, como um meio de satisfazer a sua necessidade de liberdade e de autenticidade, mas notou, especialmente depois que se tornou famosa, que aquele tipo de liberdade era muito pouco autêntica.

Depois do sucesso do filme erótico Così fan tutte (1992), de Tinto Brass, Koll permaneceu por algum tempo presa ao clichê dos papéis sensuais, mas afirma: “Não era o que eu realmente queria. Isso me deu uma crise de identidade, que, se eu já tivesse fé, teria conseguido encarar bem melhor”.

Em meados dos anos 90, a carreira cinematográfica de Koll passou por um estancamento, durante o qual a atriz pensou em deixar aquele mundo e voltar para os estudos.
Na segunda metade da década, no entanto, a carreira finalmente decolou com a apresentação do Festival de Sanremo em 1995, além do programa O Anjo, dedicado à arte, e da série Linda e o sargento, com Nino Manfredi.

Claudia Koll se mostrou uma artista versátil, talentosa e refinada, mas, na vida privada, descobriu-se profundamente perturbada e infeliz. “A minha vida amorosa, em especial, era desoladora. Muitos casos, nenhum realmente importante, muitas traições e poucas certezas”.

Essa ansiedade também teve um impacto negativo sobre a vida artística de Koll. “Um dia eu estava fazendo o papel de uma mulher que tinha que chorar. Diferente do usual, as lágrimas não me saíam mais. Alguma coisa me congelava, eu não entrava no papel, não conseguia”, disse ela. “Foi então que Geraldine, minha assistente de palco, me soltou umas palavras muito francas e explícitas: Claudia, como é que você pretende ser crível em cena, se na sua vida privada você tem tão pouca autenticidade?”.

A partir desse momento começa a gradual mudança interior e espiritual de Claudia Koll.

“Eu sou uma filha do Grande Jubileu. Em 2000, uma amiga americana me pediu para acompanhá-la para atravessar a Porta Santa em São Pedro, e eu fui como uma cortesia pessoal. Mas depois disso, não fui mais a mesma”.

“Deus estava destroçando todos os meus planos e as minhas ambições pessoais. Eu realmente atingi o fundo do poço”.

Ao longo dos dez anos seguintes, a atriz viveu o seu crescimento espiritual através da experiência concreta do amor, como um meio de perseverança, especialmente na proximidade dos pobres e dos doentes. Ela explica que “qualquer experiência prática do amor que eu tenha tido, sempre a encontrei depois nas Sagradas Escrituras”.

Na conclusão de seu testemunho, Koll voltou a falar da importância da devoção mariana em sua vida, destacando a emoção que sentiu após as peregrinações a Lourdes e a Medjugorje. “Quando eu era criança, fiquei impressionada com a história de Nossa Senhora de Fátima, porque ela tinha confiado a três crianças tão pequenas aquelas tarefas tão grandes”.

“Pensando em particular na Jacinta e no Francisco, eu rezava para Nossa Senhora me levar para o céu com ela. Isso não aconteceu, mas Maria me ensinou a descobrir a beleza de ser mulher, de expressar melhor todas as minhas qualidades femininas: a doçura, o espírito de mãe. Graças a ela eu me tornei menos agressiva”.

“E também percebi como é bela a diversidade e a complementaridade entre homens e mulheres. Em certo sentido, Nosso Senhor me corrigiu no meu feminismo”.
“Descobri que Deus é fiel e cumpre as suas promessas: a maior dessas promessas é a do amor”, concluiu Koll.

Após o testemunho, foi mostrado um vídeo que explicou as atividades da organização sem fins lucrativos As Obras do Pai, fundada por Claudia, que já faz alguns anos está envolvida em obras de misericórdia e de formação cristã.

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Por Lucas Marcolivio

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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