Cientologia, a “Igreja de Hollywood”

Uma religião sem orações ou rituais, a cientologia ficou conhecida por despertar polêmica e por atrair famosos astros de Hollywood. Tom Cruise e John Travolta são só duas das estrelas que frequentam essa religião, idealizada pelo norte-americano Ron Hubbard na década de 50, cujo “boom” aconteceu nos anos 90. O que a cientologia propõe é levar o indivíduo a um estado de consciência chamado “clear” (limpo). Essa “limpeza” é a eliminação do que chamam de mente reativa _que por sua vez é, grosso modo, um lugar que todos nós temos no cérebro, onde estão registrados os traumas e as fobias, todas as “tristezas”, todas as imagens e sensações de dor ou sofrimento. Para eliminar a mente reativa [e de forma rápida, segundo a religião] há uma tríade de atitudes indispensáveis para o cientólogo:

1) fazer leituras e estudos profundos das obras de Ron Hubbard;

2) práticas diárias de técnicas e exercícios descritos nos livros;

3) participar de “misteriosas” sessões onde um aparelho criado por Hubbard, chamado e-metro, é seguro com as duas mãos pelo praticante, enquanto ele responde a um questionário.

A reportagem não teve acesso ao aparelho, apenas viu uma imagem. Há pouquíssimas informações sobre ele. Aparentemente o e-metro registra ondascerebrais específicas. Para mexer com essas ondas, o mestre cientólogo faria uma sessão de perguntas muito delicadas ao discípulo da igreja.

É como se o questionário do mestre mexesse exatamente nas “feridas psíquicas” de alguém que se submete a isso voluntariamente. Lembranças, sensações e imagens ruins e traumáticas estariam armazenadas em algum lugar na mente. O aparelho abriria uma porta e começaria a “faxina mental”. A provável dor de mexer nesses pontos da vida poderia ter a força de limpar a mente, segundo a cientologia. Com o tempo, essas “porcarias” deixariam de existir e o cientólogo passa a ter, principalmente, mais energia e “espaço” mental para usar. Ou seja, mais poder.

Essa é a ideia de Hubbard, que morreu em 1986 e era um brilhante físico nuclear, entre outros diplomas e talentos. O mais conhecido livro dele é “Dianética” (Record, 400 págs).  No mundo e no Brasil. Vários países na Europa e os EUA vêm combatendo a cientologia, tanto na esfera política como na judicial, há anos.

Embora seja chamada de religião, as técnicas dela assemelham-se mais a uma terapia. Mesmo assim, países como Alemanha chegaram a tentar proibir sua difusão, seu crescimento.

As armas governamentais muitos alegam que a igreja faz lavagem cerebral são geralmente grandes devassas do Fisco sobre as propriedades da igreja e de seus discípulos. Países democráticos, no entanto, têm sido seguidamente derrotados nos seus próprios tribunais. Mas a cientologia continua absolutamente proibida em países do Oriente Médio e, mais ainda, na China.  Não há dados oficiais mas o Brasil teria atualmente cerca de 2.000 cientólogos.

Todos os cursos ministrados dentro da igreja são pagos (não há informações sobre os valores). As sessões de “audição” com o aparelho chamado e-metro também são pagas. Também há cursos dedicados ao tratamento de dependentes químicos.RICARDO FELTRIN

Editor de Cotidiano da Folha Online

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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