Chamados e Enviados

Depois da Trezena de São Sebastião, em que nossa Arquidiocese foi visitada em seus quatro cantos pela caravana missionária do Mártir Protetor da Urbe, celebramos a solene festa de São Sebastião, convocando a todos, mas especialmente os jovens, para o discipulado e a missão. Foram momentos significativos e importantes para iniciarmos o novo ano com a festa daquele que pela vida e martírio nos aponta para Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Nós continuamos com entusiasmo e coragem a nossa caminhada na história. Neste Terceiro Domingo do Tempo Comum, o Evangelho começa com um sumário e imediatamente depois apresenta a chamada dos quatro primeiros apóstolos. O sumário é constituído pela  notícia da prisão de João Batista e pela expressão, já tão familiar para nós: “O tempo cumpriu-se, e o Reino de Deus está próximo: convertei-vos e crede no Evangelho”. Em seguida mostra a vocação dos discípulos.

A pregação de Jesus foi desenvolvida para comunicar aos homens o dom grande e inestimável da misericórdia divina, então a frase “o tempo… e o Reino…” não soam como um ultimato, mas deve ser entendida como a explicitação da vontade salvífica.
Na proposta da oferta de uma nova vida, compreende-se também o convite imediato e urgente para mudar. Este chamamento à fé e à conversão permite ao homem ler os sinais divinos presentes em nosso tempo e na nossa história e identificar a presença do Reino. A fé se torna a condição necessária e indispensável para a aceitação da proposta que brota da pregação de Jesus.
É possível uma mudança radical? A palavra de Deus responde afirmativamente. Pode ser explicada dessa forma a chamada dos primeiros apóstolos. A conversão é uma realidade viável. É necessário entrar na dinâmica de Deus e aceitar a sua proposta, a sua proclamação do Evangelho, partindo da própria situação de vida e da realidade que nos rodeia.

Na 46ª Jornada de Comunicação Social, a ser celebrada no Brasil na Solenidade da Ascensão do Senhor e cujo texto será publicado pelo Papa Bento XVI no próximo dia 24, dia de São Francisco de Sales, explicitará o tema: “silêncio e palavra: caminho de evangelização”, que nos ajuda a fazer a experiência da escuta diante de tantas vozes ao nosso redor. É preciso silenciar para escutar a voz de Deus que chama, chama cada batizado por seu nome e o faz um evangelizador; é preciso estar à espreita do Senhor na escuta do que Ele nos diz; ser discípulo e, a partir dessa experiência, tornar-se missionário. Antes de tudo é importante compreender que a nossa atividade deve dar um salto qualitativo.

Jesus pede aos futuros apóstolos para começarem a ser testemunhas vivas da “Plenitude dos tempos, da Presença do Reino e do Dom da fé”. O próximo passo exigido desses homens é abandonar o que para eles pode ser a única fonte de riqueza ou de ganho, e começar a descer do barco, deixando o mar, caminhar para onde quer que estejam e vivam os homens, entrar em contato com aquele mundo muitas vezes diferente, e ouvir, dialogar e dar as razões da esperança em tempos novos, chamando todos à conversão. Na história da vocação da “segunda dupla” de apóstolos, o Evangelho de Marcos enfatiza em primeiro lugar como é Jesus a sentir a urgência da missão: “E logo os chamou” (v.20). E a outra característica do evangelizador é que, além da fé, precisa ter disponibilidade para ser livre. Notemos a despedida do pai Zebedeu – e de tudo aquilo que possuíam.

Podemos tranquilamente dizer com segurança que os quatro primeiros apóstolos fornecem os critérios e a imagem do discípulo ideal: livre de bens terrenos e dos afetos familiares. É possível ler nesta ótica as palavras de Pedro, relatadas em Mc 10,28. Por isso, como São Sebastião, nosso padroeiro, que não se intimidou diante do Imperador Diocleciano, sejamos livres de bens transitórios e de afetos desordenados em favor de Cristo Ressuscitado, que caminha no meio de nós e nos convida para sermos discípulos e missionários, ou seja, para a missão e o discipulado!

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Dom Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro-RJ

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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