Católicos e anglicanos concordam entre si – EB (Parte 1)

Revista :
“PERGUNTE E RESPONDEREMOS”

D. Estevão
Bettencourt, osb

Nº 521  –  Ano
:  2005 
– p. 482

 

A respeito
de Maria Ssma:

Em síntese:
Após o Concílio do Vaticano II foi instituída uma Comissão Mista de teólogos
católicos e anglicanos a fim de estudarem pontos doutrinários controvertidos. O
grupo já produziu vários trabalhos, que revelam crescente concórdia das duas
partes sobre temas discutidos. O mais recente trata de Maria SSma. Em termos
muito satisfatórios, como se verá a seguir. Confira ainda a conclusão do artigo
à p. 492 deste fascículo.

A Comissão
de teólogos católicos e anglicanos (ARCIC) instituída após o Concílio do
Vaticano II para estudar pontos doutrinários controvertidos publicou em 2004 um
documento muito importante sobre Maria Ssma. 
Visto ser assaz longo (78 densos parágrafos), não o podemos transcrever
na íntegra, mas dele extrairemos os principais trechos para publicação nas
páginas seguintes 1 .

O texto inglês
original foi assinado aos 02/02/2004 pelos co-presidentes da Comissão: Pe.
Alexander Brunwett (católico) e Rev. Peter Carnley (anglicano) na cidade de
Seattle (Inglaterra), sede das conversações.

Podem-se
discernir cinco partes no decorrer do texto:

1) Maria
nos escritos do Novo Testamento e seu papel de relevo qual Mãe de Jesus (§
6-30);

2) as
antigas tradições comuns a todos os cristãos relativas a Maria reconhecida como
Theotókos (Mãe de Deus) (§§ 31-40);

3) a Idade
Média, que em seu declínio cedeu a exageros na devoção a Maria, estabelecendo
distância entre a doutrina bíblica e a espiritualidade. Donde a réplica dos
reformadores protestantes (§§ 41-46);

4)
Anglicanos e católicos enveredam por caminhos diferentes nos séculos
posteriores à reforma. Todavia em época recente cada uma das partes corrigiu o
que era deficiente em seu modo de ver a Santa Mãe de Deus (§§ 47-51);

5) Daí a
oportunidade dos colóquios da ARCIC, cujo teor vai, a seguir, apresentado em
suas linhas gerais (§§ 52-57).

Fundamentação
bíblica: síntese 1

“O testemunho
escriturístico pede aos fiéis de cada geração que proclamem Maria como
bem-aventurada.  Trata-se dessa mulher
judia de humildes condições sociais, filha de Israel, que vivia na esperança da
justiça para os pobres, mulher que Deus cumulou de graças e escolheu para
tornar-se a Mãe virginal do seu Filho por obra do Espírito Santo, que a cobriu
com a sua sombra.

Nós a
proclamamos bem-aventurada como a serva do Senhor, que deu seu incondicional
consentimento ao plano salvífico de Deus, como a mãe que meditou todas as
coisas em seu coração, como a mulher que procurou refúgio e asilo em terra
estranha, como a mulher traspassada pelo sofrimento de seu Filho inocente, e
como a mulher a quem Jesus confiou seus amigos.

Estamos
unidos a ela e aos Apóstolos quando oram aguardando a efusão do Espírito sobre
a Igreja nascente, a família escatológica do Cristo. Podemos também entrever
nela a destinação final do povo de Deus, destinação que consistirá em tomar
parte na vitória do seu Filho sobre os poderes do mal e da morte” (§ 30).

Os
parágrafos anteriores são ricos em considerações sobre Maria nos escritos do
Novo Testamento.

O título
THEOTÓKOS (Mãe de Deus)

Após
examinar a fundamentação bíblica, o texto passa à consideração de Maria nos
escritos dos primeiros séculos da Igreja.

Na Igreja
antiga a reflexão sobre Maria serviu para interpretar e salvaguardar a Tradição
apostólica centrada em Jesus Cristo. O testemunho dos Padres da Igreja sobre
Maria “Mãe de Deus” (Theotókos) se desenvolveu principalmente a partir dos
litígios cristológicos antigos. No cadinho dessas controvérsias dos cinco
primeiros séculos e nas declarações dos sucessivos Concílios gerais, a reflexão
sobre o papel de Maria na Encarnação faz parte integrante da articulação da fé
ortodoxa em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem (§ 31).

No Concílio
de Éfeso (431) o título de Maria Theotókos foi oficialmente invocado para
salvaguardar a doutrina ortodoxa da unidade da pessoa de Cristo. Este título
estava em uso nas comunidades antigas sob a influência de Alexandria ao menos
desde a época da controvérsia ariana (século IV). Pois que Jesus Cristo é
“verdadeiro Deus de verdadeiro Deus”, como declarou o Concílio de Nicéia (325),
essas comunidades concluíram que sua Mãe Maria pode, a bom título, ser chamada
“Genitora de Deus”… O debate entre Cirilo de Alexandria (+ 444) e Nestório (+
455), Patriarca de Constantinopla … evidenciou que o que estava realmente em
questão nesse título de Maria era a unidade da pessoa de Cristo1 … O Concílio
de Éfeso (431) utilizou o apelativo Theotókos para afirmar a unidade da pessoa
de Cristo, identificando Maria como a Mãe de Deus Verbo encarnado. A regra de
fé atinente a esta questão foi proclamada de maneira mais precisa na definição
do Concílio de Calcedônia (451): “um só e mesmo Filho gerado antes dos séculos
pelo Pai, e nos últimos tempos, para nós e nossa salvação, nascido de Maria
Virgem Theotókos na qualidade de verdadeiro homem”.

Aceitando o
Concílio de Éfeso e a definição de Calcedônia, anglicanos e católicos professam
juntos que Maria é Theotokos (§ 34).

A Devoção a
Maria

Nos
primeiros séculos a comunhão em Cristo implicava a consciência nítida de que a
presença viva dos Santos é parte integrante da experiência espiritual das
comunidades (Hb 12, 1.22-24; Ap 6, 9-11; 8, 3-4).  Os cristãos consideravam que, “na nuvem de
testemunhas”, a Mãe do Senhor ocupa um lugar especial. A reflexão sobre a
Escritura e as práticas de piedade atestam uma consciência profunda do papel de
Maria na Redenção da humanidade. Entre as expressões deste modo de ver
encontra-se Maria como antítipo de Eva e tipo de Cristo. A resposta do povo
cristão, refletindo sobre tais temas, exprimiu-se devotamente na oração
particular assim como na prece pública (§ 35).

Alguns
Padres do Oriente e do Ocidente, valendo-se da saudação Angélica (Lc 1,28) e da
resposta de Maria (Lc 1,38), professavam a concepção de que Maria foi cumulada
de graça desde a sua origem em vista da sua vocação singular de Mãe de Deus. No
século V saudaram-na como nova criatura irrepreensível, imaculada, “santa no
corpo e na alma” (Teodoro de Ancira, homilia 6, 11; antes de 446). No século VI
encontra-se no Oriente o título panhagía (toda santa) (§ 38).

Após o
Concílio de Éfeso (431), os cristãos começaram a dedicar igrejas a Maria e a
celebrar festas em sua honra… Favorecidas pela piedade popular e
progressivamente adotadas por comunidades locais, as festas da Conceição de
Maria (8 ou 9 de dezembro), do seu Nascimento (8 de setembro), da sua
Apresentação no Templo (21 de novembro) e da sua Dormição (15 de agosto) foram
como que o reflexo da comemoração litúrgica de acontecimentos da vida do
Senhor. Foram inspiradas pelas Escrituras canônicas e pelos relatos apócrifos
da vida terrestre de Maria e do seu “Adormecimento”. Pode-se atribuir ao século
VII no Oriente a festa da Conceição de Maria; foi introduzida nas comunidades
do Ocidente pelo Sul da Inglaterra no começo do século XI; brotava da devoção
popular, que se inspirava no Protoevangelho de Tiago redigido no século II, e
se colocava em paralelo com uma festa do Senhor – a da Anunciação – e a festa
(então existente) da conceição de João Batista. A festa da “Dormição” de Maria
data de fins do século VI, inspirada por relatos relativos ao fim de vida de
Maria que então circulavam amplamente. No Ocidente o relato que mais inspirou
tal festa foi o Transitus Mariae. No Oriente a festa era conhecida com o nome
de “Dormição de Maria” – o que implica a morte da Theotókos, mas não exclui que
tenha sido elevada aos céus.

No Ocidente
o vocábulo utilizado foi “Assunção”, que enfatizava a elevação ao céu, mas não
excluía a possibilidade de ter Maria morrido. A crença na Assunção estava
fundada na promessa da ressurreição dos mortos e no reconhecimento da dignidade
de Maria como Theotókos e “sempre virgem”; apoiava-se também na convicção de
que aquela que havia gerado a Vida, devia ser associada à vitória do seu Filho
sobre a morte e à glorificação do seu Corpo, a Igreja (§ 40).

A difusão
dessas festas marianas ocasionou a confecção de homilias nas quais os
pregadores sondaram as Escrituras à procura de imagens e motivos que pudessem
esclarecer o papel da Virgem Maria na dispensação da salvação. Na Alta Idade
Média verifica-se que a tônica era colocada mais e mais sobre a humanidade de
Cristo; ao mesmo tempo, porém, davam atenção às virtudes exemplares de Maria.
São Bernardo, por exemplo, desenvolve nitidamente este aspecto em suas
homilias.

A meditação
sobre a vida de Cristo e a de Maria tornou-se sempre mais popular e suscitou o
desenvolvimento de práticas de devoção como o rosário. As pinturas, as
esculturas e os vitrais da Alta Idade Média, e do fim da mesma, dão a essa
devoção colorido e aspectos de proximidade (§ 41).

No fim da
Idade Média: exageros

No final da
Idade Média, a teologia escolástica desenvolveu-se mais e mais distanciada da
espiritualidade. Cada vez menos alicerçados na exegese bíblica, os teólogos se
apoiaram na probabilidade lógica para estabelecer suas teses; os nominalistas
especulavam sobre o que Deus, com seu poder e sua vontade absoluta, poderia
fazer em Maria.

A
espiritualidade, desligada da teologia, acentuava a afetividade e a experiência
pessoal.  A religião popular chegou a
estabelecer Maria como intermediária entre Deus e o gênero humano; considerava
Maria como autora de milagres com poderes que se assemelhavam ao poder de Deus.
No decurso do tempo, essa piedade popular influenciou as opiniões dos teólogos
que se haviam nutrida dela e que, conseqüentemente, elaboraram uma
justificativa teológica para a efusiva devoção mariana de fins da Idade Média
(§ 43).

A Réplica
dos Reformadores

Um dos
poderosos motivos que levaram à Reforma no início do século XVI foi uma reação
amplamente propagada contra as práticas de devoção que abordavam Maria como Mediadora
ao lado de Cristo ou, às vezes, em lugar de Cristo. Esse tipo de práticas de
piedade exageradas, em parte inspiradas pela conceituação de Cristo como Juiz
inacessível tanto quanto Redentor, foram vivamente criticas por Erasmo de
Rotterdam como por Tomás Moro e energicamente rejeitadas pelos reformadores.
Estes fizeram da Escritura a pedra de toque fundamental da Revelação divina e
renovaram com vigor a sua fé em Jesus Cristo único Mediador entre Deus e o
homem. Isto acarretou a repulsa dos abusos reais e supostos que afetavam a
devoção a Maria e dos quais muitos se davam conta. Desta repulsa decorreu a
perda de certos aspectos positivos da devoção mariana e o empalidecimento do
seu lugar na vida da Igreja (§ 44).

Na Igreja
Católica após a Reforma

Na Igreja
Católica o contínuo desenvolvimento da doutrina e da devoção marianas, embora
orientadas pelos decretos do Concílio de Trento (1545-1563), sofreu distorções
por influência da polêmica protestante-católica. Ser católico romano e
caracterizar-se por insistência na devoção a Maria acabaram por ser coisas
inseparáveis uma da outra. A profundidade e a popularidade da devoção a Maria
no século XIX e na primeira metade do século XX contribuíram para a definição
dos dogmas da Imaculada Conceição (1854) e da Assunção (1950). De outro lado,
porém, o crescimento dessa espiritualidade acabou provocando a crítica tanto
dentro  como fora da Igreja Católica;
assim se preparava uma revisão da temática. Esta ocorreu muito evidentemente no
Concílio do Vaticano II, que, em consonância com a renovação bíblica,
patrística e litúrgica e levando em conta a sensibilidade ecumênica, houve por
bem não elaborar um documento especial sobre Maria, mas integrar a doutrina
mariológica na Constituição Lúmen Gentium sobre a Igreja (1964); mais
precisamente, a doutrina mariológica foi acrescentada ao final dessa
Constituição, que descreve a peregrinação escatológica da Igreja.

O Concílio
teve em vista “por cuidadosamente em evidência o papel da Bem-aventurada Virgem
no mistério do Verbo Encarnado e do Corpo Místico, como também enunciar os
deveres dos homens resgatados frente à Mãe de Deus, Mãe de Cristo e Mãe dos
homens, principalmente dos fiéis” (nº 54). A Constituição Lúmen Gentium se
encerra, fazendo de Maria um sinal de esperança e de reconforto para o Povo de
Deus peregrino sobre a terra (cf. nº 68-69). 
De caso pensado, os Padres Conciliares quiseram resistir aos exageros, e
retornaram aos grandes temas patrísticos, colocando a doutrina e a devoção
marianas em seu autêntico contexto cristológico e eclesiológico (§ 47).

Após o
Vaticano II na Igreja

Pouco
depois do Concílio, diante de imprevisto declínio da devoção a Maria, o Papa
Paulo VI publicou uma Exortação Apostólica dita Marialis Cultus (1974) para
dissipar dúvidas sobre as intenções do Concílio e favorecer uma autêntica
devoção mariana. Passando em revista o papel de Maria no rito romano renovado,
o Papa mostra que Maria não foi deixada para trás pela renovação litúrgica, mas
que a devoção a Maria tem seu verdadeiro sentido na perspectiva cristológica,
ponto central da oração pública da Igreja. Reflete sobre Maria como “modelo da
atitude espiritual com a qual a Igreja celebra e vivencia os divinos mistérios”
(nº 16). Ela é o modelo para toda a Igreja, mas “mestra da vida espiritual para
cada um dos cristãos” (nº 21).  Segundo
Paulo VI, a autêntica renovação da devoção mariana deve ser compreendida em
ligação com as doutrinas referentes a Deus, a Cristo e à Igreja; a devoção a
Maria deve estar de acordo com as Escrituras e a Liturgia da Igreja; deve ser
sensível às preocupações dos outros cristãos e deve afirmar a plena dignidade
das mulheres na vida pública e privada. O Papa faz também advertências àqueles
que se desviam seja por exagerarem, seja por negligenciarem a vida de piedade.
Encerra sua Exortação recomendando a recitação do Angelus e o Rosário como
devoções tradicionais que são compatíveis com as normas apresentadas.

Em 2002 o
Papa João Paulo II corroborou o enfoque cristológico do Rosário, propondo cinco
“mistérios luminosos” extraídos dos relatos dos Evangelhos referentes ao
ministério público de Cristo, entre o Batismo ministrado por João e a Paixão.
“Mesmo tendo uma característica mariana”, diz o Papa, “o Rosário é uma oração
cujo centro é cristológico” (Rosarium Virginis Mariae 1) (§ 48).

Maria no
Anglicanismo do século XX

A figura de
Maria recuperou importância no culto anglicano do século XX através da
renovação litúrgica aí operada.  Na
maioria dos livros de oração anglicanos, Maria é novamente  mencionada nas Orações Eucarísticas. O dia 15
de agosto é celebrado amplamente como uma festa principal em honra de Maria com
leituras bíblicas próprias, em coleta e Prefácio próprios. Outras festas
associadas a Maria foram também renovadas com sua Liturgia peculiar. Essa
evolução é de grande alcance, visto o papel decisivo que toca às fórmulas
litúrgicas no Anglicanismo (§49).

Após este
percurso histórico, o Documento passa a considerar os pontos em que convergem
atualmente católicos e anglicanos.

Concórdia
quanto à Maternidade Virginal

A Escritura
nos fala de mulheres estéreis a quem Deus concedeu o dom da maternidade:
Raquel, a mulher de Manoá, Ana (Gn 30, 1-24; Jz 13; 1Sm 1). Menciona também
aquelas que haviam ultrapassado a idade de procriar: Sara (Gn 18, 8-15; 21,
1-7) e a mais conhecida, Isabel, parenta de Maria (Lc 1,24). Essas mulheres
contribuem para por em evidência o papel singular que compete a Maria, a qual
não era nem estéril nem de idade avançada, mas era uma virgem fértil; em seu
seio o Espírito Santo realizou a conceição de Jesus.

As
Escrituras referem também o plano de Deus a respeito de todos os seres humanos
antes mesmo que venham a este mundo (Sl 139, 13-18) e relatam a ação da graça
de Deus que precede o chamado específico dirigido a pessoas particulares (cf.
Jr 1,5; Lc 1,15; Gl 1,15).  Com a Igreja
antiga contemplamos a aceitação da vontade divina por parte de Maria como sendo
o fruto de sua preparação, preparação que o anjo Gabriel menciona ao dizer
“cumulada de graça”.  Assim podemos ver
que Deus agia em Maria desde as origens da Virgem, preparando-a por sua vocação
singular para trazer em seu seio o novo Adão para o qual convergem todas as
coisas no céu e na terra (Cl 1, 16-17). A respeito de Maria … podemos dizer
que ela é obra de Deus, criada em Cristo Jesus para todo tipo de boas obras que
Deus preparou de antemão (Ef 2,10) (§ 55).

Concórdia
quanto à Assunção

Maria,
Virgem pura, trouxe Deus mesmo em seu seio. Sua intimidade corporal com seu
Filho era acompanhada por sua fidelidade no seguimento do mesmo e sua
participação materna na oblação vitoriosa que Ele fez de si mesmo (Lc
2,35).  Isto tudo é claramente atestado
pela Escritura. Como vimos, não se encontra na Escritura o testamento explícito
do fim da vida de Maria. Todavia certas passagens bíblicas dão notícia de
certas pessoas que seguiram fielmente os desígnios de Deus e foram atraídas
pela presença de Deus. Tais passagens oferecem muitas vezes insinuações
discretas ou analogias parciais que podem ilustrar o mistério da entrada de Maria
na glória. Por exemplo, o paradigma bíblico da escatologia antecipada aparece
no relato da morte de Estevão, o primeiro mártir (At 7, 54-60); por ocasião de
sua morte, cujos traços são semelhantes aos da morte do seu Senhor, Estevão vê
“a glória de Deus” e Jesus, “o Filho do Homem”, não assentado para o
julgamento, mas em pé para acolher o fiel servidor, “à direita de Deus”.  De modo semelhante, o ladrão arrependido que
apela para o Cristo crucificado, recebe a promessa especial de se encontrar
imediatamente com Cristo no paraíso (Lc 23,43). Elias, o fiel servidor de Deus,
é arrebatado ao céu (2Rs2,11). A respeito de Henoque está escrito que “recebeu
o testemunho de ser agradável a Deus” como homem de fé e que, por isto, foi
arrebatado a fim de escapar da morte e não mais o encontraram porque Deus o
havia levado” (Hb 11,5; cf. Gn 5, 24). Dentro de um tal paradigma de
escatologia, podemos também ver Maria como a discípula fiel plenamente presente
com Deus em Cristo. Deste modo ela é um sinal de esperança para toda a
humanidade (§ 56).

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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