Carta Encíclica Spe Salvi (Salvos na Esperança) Parte 5

38. A grandeza da humanidade determina-se
essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto
para o indivíduo como para a sociedade. Uma sociedade que não consegue aceitar
os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a com-paixão, para fazer
com que o sofrimento seja compartilhado e assumido mesmo interiormente é uma
sociedade cruel e desumana. A sociedade, porém, não pode aceitar os que sofrem
e apoiá-los no seu sofrimento, se os próprios indivíduos não são capazes disso
mesmo; e, por outro lado, o indivíduo não pode aceitar o sofrimento do outro,
se ele pessoalmente não consegue encontrar no sofrimento um sentido, um caminho
de purificação e de amadurecimento, um caminho de esperança. Aceitar o outro
que sofre significa, de facto, assumir de alguma forma o seu sofrimento, de tal
modo que este se torna também meu. Mas, precisamente porque agora se tornou
sofrimento compartilhado, no qual há a presença do outro, este sofrimento é
penetrado pela luz do amor. A palavra latina con-solatio, consolação, exprime
isto mesmo de forma muito bela sugerindo um estar-com na solidão, que então
deixa der ser solidão. Mas, a capacidade de aceitar o sofrimento por amor do
bem, da verdade e da justiça é também constitutiva da grandeza da humanidade,
porque se, em definitiva, o meu bem-estar, a minha incolumidade é mais
importante do que a verdade e a justiça, então vigora o domínio do mais forte;
então reinam a violência e a mentira. A verdade e a justiça devem estar acima
da minha comodidade e incolumidade física, senão a minha própria vida torna-se
uma mentira. E, por fim, também o « sim » ao amor é fonte de sofrimento, porque
o amor exige sempre expropriações do meu eu, nas quais me deixo podar e ferir.
O amor não pode de modo algum existir sem esta renúncia mesmo dolorosa a mim
mesmo, senão torna-se puro egoísmo, anulando-se deste modo a si próprio
enquanto tal.

39. Sofrer com o outro, pelos outros; sofrer por amor da verdade e da justiça;
sofrer por causa do amor e para se tornar uma pessoa que ama verdadeiramente:
estes são elementos fundamentais de humanidade, o seu abandono destruiria o
mesmo homem. Entretanto levanta-se uma vez mais a questão: somos capazes disto?
O outro é suficientemente importante, para que por ele eu me torne uma pessoa
que sofre? Para mim, a verdade é tão importante que compensa o sofrimento? A
promessa do amor é assim tão grande que justifique o dom de mim mesmo? Na
história da humanidade, cabe à fé cristã precisamente o mérito de ter suscitado
no homem, de maneira nova e a uma nova profundidade, a capacidade dos referidos
modos de sofrer que são decisivos para a sua humanidade. A fé cristã
mostrou-nos que verdade, justiça, amor não são simplesmente ideais, mas
realidades de imensa densidade. Com efeito, mostrou-nos que Deus – a Verdade e
o Amor em pessoa – quis sofrer por nós e connosco. Bernardo de Claraval cunhou
esta frase maravilhosa: Impassibilis est Deus, sed non incompassibilis [29] –
Deus não pode padecer, mas pode-se compadecer. O homem tem para Deus um valor
tão grande que Ele mesmo Se fez homem para poder padecer com o homem, de modo
muito real, na carne e no sangue, como nos é demonstrado na narração da Paixão
de Jesus. A partir de lá entrou em todo o sofrimento humano alguém que partilha
o sofrimento e a sua suportação; a partir de lá se propaga em todo o sofrimento
a con-solatio, a consolação do amor solidário de Deus, surgindo assim a estrela
da esperança. Certamente, nos nossos inúmeros sofrimentos e provas sempre temos
necessidade também das nossas pequenas ou grandes esperanças – de uma visita
amiga, da cura das feridas internas e externas, da solução positiva de uma
crise, etc. Nas provações menores, estes tipos de esperança podem mesmo ser
suficientes. Mas, nas provações verdadeiramente graves, quando tenho de assumir
a decisão definitiva de antepor a verdade ao bem-estar, à carreira e à
propriedade, a certeza da verdadeira grande esperança, de que falámos, faz-se
necessária. Para isto, precisamos também de testemunhas, de mártires, que se
entregaram totalmente, para que no-lo manifestem, dia após dia. Temos
necessidade deles para preferirmos, mesmo nas pequenas alternativas do
dia-a-dia, o bem à comodidade, sabendo que precisamente assim vivemos a vida de
verdade. Digamo-lo uma vez mais: a capacidade de sofrer por amor da verdade é
medida de humanidade. No entanto, esta capacidade de sofrer depende do género e
da grandeza da esperança que trazemos dentro de nós e sobre a qual construímos.
Os santos puderam percorrer o grande caminho do ser-homem no modo como Cristo o
percorreu antes de nós, porque estavam repletos da grande esperança.

40. Gostaria de acrescentar ainda uma pequena observação, não sem importância
para os acontecimentos de todos os dias. Fazia parte duma forma de devoção –
talvez menos praticada hoje, mas não vai ainda há muito tempo que era bastante
difundida – a ideia de poder « oferecer » as pequenas canseiras da vida
quotidiana, que nos ferem com frequência como alfinetadas mais ou menos
incómodas, dando-lhes assim um sentido. Nesta devoção, houve sem dúvida coisas
exageradas e talvez mesmo estranhas, mas é preciso interrogar-se se não havia
de algum modo contido nela algo de essencial que poderia servir de ajuda. O que
significa « oferecer »? Estas pessoas estavam convencidas de poderem inserir no
grande com-padecer de Cristo as suas pequenas canseiras, que entravam assim, de
algum modo, a fazer parte do tesouro de compaixão de que o género humano
necessita. Deste modo, também as mesmas pequenas moléstias do dia-a-dia
poderiam adquirir um sentido e contribuir para a economia do bem, do amor entre
os homens. Deveríamos talvez interrogar-nos se verdadeiramente isto não poderia
voltar a ser uma perspectiva sensata também para nós.

III. O Juízo como lugar de aprendizagem e de exercício da esperança
41. No grande Credo da Igreja, a parte central – que trata do mistério de
Cristo a partir da sua geração eterna no Pai e do nascimento temporal da Virgem
Maria, passando pela cruz e a ressurreição até ao seu retorno – conclui com as
palavras: « … de novo há-de vir em sua glória, para julgar os vivos e os
mortos ». Já desde os primeiros tempos, a perspectiva do Juízo influenciou os
cristãos até na sua própria vida quotidiana enquanto critério segundo o qual
ordenar a vida presente, enquanto apelo à sua consciência e, ao mesmo tempo,
enquanto esperança na justiça de Deus. A fé em Cristo nunca se limitou a olhar
só para trás nem só para o alto, mas olhou sempre também para a frente para a
hora da justiça que o Senhor repetidas vezes preanunciara. Este olhar para
diante conferiu ao cristianismo a sua importância para o presente. Na
configuração dos edifícios sacros cristãos, que queriam tornar visível a
vastidão histórica e cósmica da fé em Cristo, tornou-se habitual representar,
no lado oriental, o Senhor que volta como rei – a imagem da esperança -, e no
lado ocidental, o Juízo final como imagem da responsabilidade pela nossa vida,
uma representação que apontava e acompanhava precisamente os fiéis na sua
caminhada diária. Na evolução da iconografia, porém, foise dando cada vez mais
relevo ao aspecto ameaçador e lúgubre do Juízo, que obviamente fascinava os
artistas mais do que o esplendor da esperança que acabava, com frequência, excessivamente
escondido por debaixo da ameaça.

42. Na época moderna, o pensamento do Juízo final diluiu-se: a fé cristã é
caracterizada e orientada sobretudo para a salvação pessoal da alma; ao
contrário, a reflexão sobre a história universal está em grande parte dominada
pela ideia do progresso. Todavia, o conteúdo fundamental da expectativa do
Juízo não desapareceu pura e simplesmente. Agora, porém, assume uma forma
totalmente distinta. O ateísmo dos séculos XIX e XX é, de acordo com as suas
raízes e finalidade, um moralismo: um protesto contra as injustiças do mundo e
da história universal. Um mundo, onde exista uma tal dimensão de injustiça, de
sofrimento dos inocentes e de cinismo do poder, não pode ser a obra de um Deus
bom. O Deus que tivesse a responsabilidade de um mundo assim, não seria um Deus
justo e menos ainda um Deus bom. É em nome da moral que é preciso contestar
este Deus. Visto que não há um Deus que cria justiça, parece que o próprio
homem seja agora chamado a estabelecer a justiça. Se diante do sofrimento deste
mundo o protesto contra Deus é compreensível, a pretensão de a humanidade poder
e dever fazer aquilo que nenhum Deus faz nem é capaz de fazer, é presunçosa e
intrinsecamente não verdadeira. Não é por acaso que desta premissa tenham resultado
as maiores crueldades e violações da justiça, mas funda-se na falsidade
intrínseca desta pretensão. Um mundo que deve criar a justiça por sua conta, é
um mundo sem esperança. Nada e ninguém responde pelo sofrimento dos séculos.
Nada e ninguém garante que o cinismo do poder – independentemente do
revestimento ideológico sedutor com que se apresente – não continue a imperar
no mundo. Foi assim que os grandes pensadores da escola de Francoforte, Max
Horkheimer e Teodoro W. Adorno, criticaram tanto o ateísmo como o teísmo.
Horkheimer excluiu radicalmente que se possa encontrar qualquer substitutivo
imanente para Deus, rejeitando porém, ao mesmo tempo, a imagem do Deus bom e
justo. Numa radicalização extrema da proibição das imagens no Antigo
Testamento, ele fala da « nostalgia do totalmente Outro » que permanece
inacessível – um grito do desejo dirigido à história universal. Adorno também
se ateve decididamente a esta renúncia de toda a imagem que exclui,
precisamente, também a « imagem » do Deus que ama. Mas ele sempre sublinhou
esta dialética « negativa », afirmando que a justiça, uma verdadeira justiça,
requereria um mundo « onde não só fosse anulado o sofrimento presente, mas
também revogado o que passou irrevogavelmente. ».[30] Isto, porém, significaria
– expresso em símbolos positivos e, portanto, para ele inadequados – que não
pode haver justiça sem ressurreição dos mortos e, concretamente, sem a sua
ressurreição corporal. Todavia uma tal perspectiva, comportaria « a
ressurreição da carne, um dado que para o idealismo, para o reino do espírito
absoluto, é totalmente estranho ».[31]

43. Da rigorosa renúncia a qualquer imagem, que faz parte do primeiro
Mandamento de Deus (cf. Ex 20,4), também o cristão pode e deve aprender sempre
de novo. A verdade da teologia negativa foi evidenciada pelo IV Concílio de
Latrão, ao declarar explicitamente que, por grande que seja a semelhança
verificada entre o Criador e a criatura, sempre maior é a diferença entre
ambos.[32] Para o crente, no entanto, a renúncia a qualquer imagem não pode ir
até ao ponto em que se devia deter, como gostariam Horkheimer e Adorno, no «
não » a ambas as teses: ao teísmo e ao ateísmo. O mesmo Deus fez-Se uma «
imagem »: em Cristo que Se fez homem. N’Ele, o Crucificado, a negação de
imagens erradas de Deus é levada ao extremo. Agora, Deus revela a sua Face
precisamente na figura do servo sofredor que partilha a condição do homem
abandonado por Deus, tomando-a sobre si. Este sofredor inocente tornou-se
esperança-certeza: Deus existe, e Deus sabe criar a justiça de um modo que nós
não somos capazes de conceber mas que, pela fé, podemos intuir. Sim, existe a
ressurreição da carne.[33] Existe uma justiça.[34] Existe a « revogação » do
sofrimento passado, a reparação que restabelece o direito. Por isso, a fé no
Juízo final é, primariamente, e sobretudo esperança – aquela esperança, cuja
necessidade se tornou evidente justamente nas convulsões dos últimos séculos.
Estou convencido de que a questão da justiça constitui o argumento essencial –
em todo o caso o argumento mais forte – a favor da fé na vida eterna. A
necessidade meramente individual de uma satisfação – que nos é negada nesta
vida – da imortalidade do amor que anelamos, é certamente um motivo importante
para crer que o homem seja feito para a eternidade; mas só em conexão com a
impossibilidade de a injustiça da história ser a última palavra, é que se torna
plenamente convincente a necessidade do retorno de Cristo e da nova vida.

44. O protesto contra Deus em nome da justiça não basta. Um mundo sem Deus é um
mundo sem esperança (cf. Ef 2,12). Só Deus pode criar justiça. E a fé dá-nos a
certeza: Ele fá-lo. A imagem do Juízo final não é primariamente uma imagem
aterradora, mas de esperança; a nosso ver, talvez mesmo a imagem decisiva da
esperança. Mas não é porventura também uma imagem assustadora? Eu diria: é uma
imagem que apela à responsabilidade. Portanto, uma imagem daquele susto acerca
do qual, como diz Santo Hilário que todo o nosso medo tem lugar no amor.[35]
Deus é justiça e cria justiça. Tal é a nossa consolação e a nossa esperança.
Mas, na sua justiça, Ele é conjuntamente também graça. Isto podemos sabê-lo
fixando o olhar em Cristo crucificado e ressuscitado. Ambas – justiça e graça –
devem ser vistas na sua justa ligação interior. A graça não exclui a justiça.
Não muda a injustiça em
direito. Não é uma esponja que apaga tudo, de modo que tudo
quanto se fez na terra termine por ter o mesmo valor. Contra um céu e uma graça
deste tipo protestou com razão, por exemplo, Dostoëvskij no seu romance « Os
irmãos Karamazov ». No fim, no banquete, eterno, não se sentarão à mesa
indistintamente os malvados junto com as vítimas, como se nada tivesse
acontecido. Aqui gostaria de citar um texto de Platão que exprime um
pressentimento do justo juízo que, em boa parte, permanece verdadeiro e salutar
também para o cristão. Embora com imagens mitológicas mas que apresentam com
uma evidência inequívoca a verdade, ele diz que, no fim, as almas estarão nuas
diante do juíz. Agora já não importa o que eram outrora na história, mas só
aquilo que são de verdade. « Agora [o juiz] tem diante de si talvez a alma de
um […] rei ou dominador, e nada vê de são nela. Encontra-a flagelada e cheia
de cicatrizes resultantes de perjúrio e injustiça […] e está tudo torto, cheio
de mentira e orgulho, e nada está direito, porque ela cresceu sem verdade. E
ele vê como a alma, por causa do arbítrio, exagero, arrogância e leviandade no
agir, se encheu de emproamento e infâmia. Diante de um tal espectáculo, ele
envia-a imediatamente para a prisão, onde padecerá os castigos merecidos […].
Às vezes, porém, ele vê diante de si uma alma diferente, uma alma que levou uma
vida piedosa e sincera […], compraz-se com ela e manda-a sem dúvida para as
ilhas dos bem-aventurados ».[36] Jesus, na parábola do rico epulão e do pobre
Lázaro (cf. Lc 16,19-31), apresentou, para nossa advertência, a imagem de uma
tal alma devastada pela arrogância e opulência, que criou, ela mesma, um fosso
intransponível entre si e o pobre: o fosso do encerramento dentro dos prazeres
materiais; o fosso do esquecimento do outro, da incapacidade de amar, que se
transforma agora numa sede ardente e já irremediável. Devemos aqui destacar que
Jesus, nesta parábola, não fala do destino definitivo depois do Juízo universal,
mas retoma a concepção do judaísmo antigo de uma condição intermédia entre
morte e ressurreição, um estado em que falta ainda a última sentença.

45. Esta ideia do judaísmo antigo da condição intermédia inclui a opinião de
que as almas não se encontram simplesmente numa espécie de custódia provisória,
mas já padecem um castigo, como demonstra a parábola do rico epulão, ou, ao
contrário, gozam já de formas provisórias de bem-aventurança. E, por último,
não falta a noção de que, neste estado, sejam possíveis também purificações e
curas, que tornam a alma madura para a comunhão com Deus. A Igreja primitiva
assumiu tais ideias, a partir das quais, se desenvolveu aos poucos na Igreja
ocidental a doutrina do purgatório. Não há necessidade de examinar aqui as complicadas
vias históricas desta evolução; perguntemo-nos apenas de que se trata
realmente. Com a morte, a opção de vida feita pelo homem torna-se definitiva;
esta sua vida está diante do Juiz. A sua opção, que tomou forma ao longo de
toda a vida, pode ter caracteres diversos. Pode haver pessoas que destruíram
totalmente em si próprias o desejo da verdade e a disponibilidade para o amor;
pessoas nas quais tudo se tornou mentira; pessoas que viveram para o ódio e
espezinharam o amor em si mesmas. Trata-se de uma perspectiva terrível, mas
algumas figuras da nossa mesma história deixam entrever, de forma assustadora,
perfis deste género. Em tais indivíduos, não haveria nada de remediável e a
destruição do bem seria irrevogável: é já isto que se indica com a palavra
inferno.[37] Por outro lado, podem existir pessoas puríssimas, que se deixaram
penetrar inteiramente por Deus e, consequentemente, estão totalmente abertas ao
próximo – pessoas em quem a comunhão com Deus orienta desde já todo o seu ser e
cuja chegada a Deus apenas leva a cumprimento aquilo que já são.[38]

46. Mas, segundo a nossa experiência, nem um nem outro são o caso normal da
existência humana. Na maioria dos homens – como podemos supor – perdura no mais
profundo da sua essência uma derradeira abertura interior para a verdade, para
o amor, para Deus. Nas opções concretas da vida, porém, aquela é sepultada sob
repetidos compromissos com o mal: muita sujeira cobre a pureza, da qual,
contudo, permanece a sede e que, apesar de tudo, ressurge sempre de toda a
abjecção e continua presente na alma. O que acontece a tais indivíduos quando
comparecem diante do Juiz? Será que todas as coisas imundas que acumularam na
sua vida se tornarão de repente irrelevantes? Ou acontecerá algo de diverso?
São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, dá-nos uma ideia da distinta
repercussão do juízo de Deus sobre o homem, conforme as suas condições. Fá-lo
com imagens que, de alguma forma, querem exprimir o invisível, mas sem as
podermos transformar em conceitos, pelo simples motivo de que não nos é
possível entrever o mundo além da morte nem possuímos qualquer experiência
dele. Acerca da existência cristã, Paulo afirma antes de mais que está
construída sobre um fundamento comum: Jesus Cristo. Este fundamento resiste. Se
nele permanecermos firmes e sobre ele construirmos a nossa vida, sabemos que
este fundamento não nos pode ser tirado, nem mesmo na morte. E Paulo continua:
« Se alguém edifica sobre este fundamento com ouro, prata, pedras preciosas,
madeiras, feno ou palha, a obra de cada um ficará patente, pois o dia do Senhor
a fará conhecer. Pelo fogo será revelada, e o fogo provará o que vale a obra de
cada um. Se a obra construída subsistir, o construtor receberá a paga. Se a
obra de alguém se queimar, sofrerá a perda. Ele, porém, será salvo, como que
através do fogo » (3,12-15). Seja como for, neste texto torna-se evidente que a
salvação dos homens pode acontecer sob distintas formas: algumas coisas
edificadas podem queimar completamente; para alcançar a salvação, é preciso atravessar
pessoalmente o « fogo » para se tornar definitivamente capaz de Deus e poder
sentar-se à mesa do banquete nupcial eterno.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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