Carta às Famílias – Papa João Paulo II (Parte 3)

Mas, é mesmo verdade que o novo ser humano constitui um dom para os pais? Um dom para a sociedade? À primeira vista, nada o parece indicar. Por vezes, o nascimento de um homem parece reduzir-se a um simples dado, registado como tantos outros nas estatísticas demográficas. Certamente o nascimento de um filho significa para os pais ulteriores canseiras, novos encargos econômicos, outros condicionamentos práticos: motivos estes que podem induzi-los na tentação de não desejarem um outro nascimento (26). Em alguns ambientes sociais e culturais então, a tentação faz-se ainda mais forte. Mas, o filho não é um dom? Vem só para consumir, e não para dar? Eis algumas perguntas inquietantes, de que o homem de hoje tem dificuldade em libertar-se. O filho vem ocupar espaço, quando espaço no mundo parece haver cada vez menos. Mas, é mesmo verdade que ele não dá nada à família e à sociedade? Porventura não é uma «parcela» daquele bem comum, sem o qual as comunidades humanas se fragmentam e correm o risco de morrer? Como negá-lo? A criança faz de si um dom aos irmãos, às irmãs, aos pais, à família inteira. A sua vida torna-se dom para os próprios doadores da vida, que não poderão deixar de sentir a presença do filho, a sua participação na existência deles, o seu contributo para o bem comum deles e da família. Não obstante toda a complexidade, ou mesmo a eventual patologia, da estrutura psicológica em certas pessoas, esta verdade permanece óbvia na sua simplicidade e profundidade. O bem comum da sociedade inteira reside no homem, que, como foi recordado, é «a via da Igreja» (27). Ele é sobretudo a «glória de Deus»: «Gloria Dei vivens homo», segundo a conhecida afirmação de S. Ireneu (28), que poderia ser traduzida também assim: «A glória de Deus é que o homem viva». Dir-se-ia que estamos aqui perante a definição mais elevada do homem: a glória de Deus é o bem comum de tudo aquilo que existe; o bem comum do gênero humano.

Sim! O homem é um bem comum: bem comum da família e da humanidade, dos diversos grupos e das múltiplas estruturas sociais. Mas há que fazer uma significativa distinção de grau e modalidade: o homem é bem comum, por exemplo, da Nação a que pertence, ou do Estado de que é cidadão; mas, é-o de um modo muito mais concreto, único e irrepetível para a sua família; é-o não apenas enquanto indivíduo que faz parte da multidão humana, mas ainda como «este homem». Deus Criador chama-o à existência «por si mesmo» : e ao vir ao mundo, o homem começa na família a sua «grande aventura», a aventura da vida. «Este homem» tem, em qualquer caso, direito à própria afirmação por causa da sua dignidade humana. Precisamente esta dignidade é que estabelece o lugar da pessoa no meio dos homens, e antes de mais na família. Efetivamente, esta, mais do que qualquer outra realidade social, é o ambiente onde o homem pode existir «por si mesmo», mediante o dom sincero de si. Por isso, a família permanece uma instituição social que não se pode nem deve substituir: é «o santuário da vida» (29).

Além disso, o fato de estar a ser dado à luz um menino, de «ter vindo ao mundo um homem» (Jo 16, 21) constitui um sinal pascal. É o próprio Jesus que o diz aos discípulos, antes da paixão e morte, como refere o evangelista João, ao comparar a tristeza causada pela sua partida ao sofrimento de uma mulher parturiente: «A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza (isto é, sofre), porque é chegada a sua hora; mas depois de ter dado à luz o menino, já se não lembra da aflição, pelo prazer de ter vindo ao mundo um homem » (Jo 16, 21). A «hora» da morte de Cristo (cf. Jo 13, 1) é ali comparada à «hora» da mulher no parto; o nascimento de um novo homem encontra a sua réplica perfeita na vitória da vida sobre a morte, operada pela ressurreição do Senhor. Uma confrontação dos dois eventos presta-se a diversas reflexões. Como a ressurreição de Cristo é a manifestação da vida de além-túmulo, assim também o nascimento de uma criança é manifestação da vida, desde sempre destinada, por meio de Cristo, à «plenitude da vida» que se encontra no próprio Deus: «Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância» (Jo 10, 10). Eis assim desvendado no seu valor mais profundo o verdadeiro significado da expressão de S. Ireneu: «Gloria Dei vivens homo».

É a verdade evangélica do dom de si, sem o qual o homem não se pode «encontrar plenamente», e que permite avaliar quão profundamente este «dom sincero» esteja radicado no dom de Deus Criador e Redentor, na «graça do Espírito Santo», cuja «efusão» sobre os esposos é implorada pelo celebrante no rito do matrimônio. Sem tal «efusão» seria verdadeiramente difícil compreender tudo isto e cumpri-lo como vocação do homem. E, no entanto, há tanta gente que o intui! Muitos homens e mulheres fazem própria esta verdade, chegando a vislumbrar que só nela encontram «a Verdade e a Vida» (Jo 14, 6). Sem esta verdade, a vida dos cônjuges e da família não consegue atingir um sentido plenamente humano.

Eis por que a Igreja nunca se cansa de ensinar e testemunhar tal verdade! Embora manifeste uma materna compreensão pelas não poucas e complexas situações de crise, em que as famílias se vêem envolvidas, como também pela fragilidade moral de todo o ser humano, a Igreja está convencida de que deve absolutamente permanecer fiel à verdade relativa ao amor humano: caso contrário, atraiçoar-se-ia a si própria. Afastar-se desta verdade salvífica, seria como fechar à fé «os olhos do coração» (Ef 1, 18), que, pelo contrário, devem permanecer sempre abertos à luz, com que o Evangelho ilumina as vicissitudes humanas (cf. 2 Tm 1, 10). A consciência daquele dom sincero de si, pelo qual o homem «encontra-se a si mesmo», deve ser solidamente renovada e constantemente garantida, defronte às muitas oposições que a Igreja encontra por parte dos fautores de uma falsa civilização do progresso (30). A família exprime sempre uma nova dimensão do bem para os homens, e, por isso, suscita uma nova responsabilidade. Trata-se da responsabilidade por aquele singular bem comum, no qual está incluído o bem do homem: de cada membro da comunidade familiar; um bem certamente «difícil» (bonum arduum), mas fascinante.

A paternidade e a maternidade responsável
12. No delineamento da presente Carta às Famílias, é chegado o momento de acenar a duas questões conexas entre si. Uma, mais genérica, diz respeito à civilização do amor; a outra, mais específica, refere-se à paternidade e maternidade responsável.

Dissemos já que o matrimônio suscita uma singular responsabilidade pelo bem comum: primeiro dos cônjuges, depois da família. Este bem comum é constituído pelo homem, pelo valor da pessoa e por quanto representa a medida da sua dignidade. O homem possui em si esta dimensão em qualquer sistema social, econômico e político. No âmbito do matrimônio e da família, porém, esta responsabilidade torna-se, por muitas razões, ainda mais «empenhativa». Não é sem motivo que a Constituição pastoral Gaudium et spes fala de «promoção da dignidade do matrimônio e da família». O Concílio vê em tal «promoção» uma tarefa tanto da Igreja como do Estado; todavia, ela permanece, em cada cultura, primariamente um dever das pessoas que, unidas em matrimônio, formam uma família específica. A «paternidade e maternidade responsável» exprimem o compromisso concreto de atuar esse dever, que, no mundo contemporâneo, reveste novas características.

De modo particular, paternidade e maternidade responsável referem-se diretamente ao momento em que o homem e a mulher, unindo-se «numa só carne», podem tornar-se pais. É momento impregnado de um valor peculiar, quer pela sua relação interpessoal quer pelo seu serviço à vida: eles podem-se tornar progenitores – pai e mãe -, comunicando a vida a um novo ser humano. As duas dimensões da união conjugal, a unitiva e a procriadora, não podem ser separadas artificialmente sem atentar contra a verdade íntima do próprio ato conjugal (31).

Este é o ensinamento constante da Igreja, e «os sinais dos tempos», de que hoje somos testemunhas, oferecem novos motivos para reafirmá-lo com particular vigor. S. Paulo, tão atento às necessidades pastorais do seu tempo, exige clara e firmemente que se «insista oportuna e inoportunamente» (cf. 2 Tim 4, 2), sem qualquer temor pelo fato de «já não se suportar a sã doutrina» (cf. 2 Tim 4, 3). As suas palavras são bem conhecidas de quantos, compreendendo profundamente as vicissitudes do nosso tempo, esperam que a Igreja não só não abandone «a sã doutrina», mas antes, a anuncie com renovado vigor, perscrutando nos atuais «sinais dos tempos» as razões para um ulterior e providencial aprofundamento da mesma.

Muitas destas razões encontram-se já nas próprias ciências que, partindo do antigo tronco da antropologia, se desenvolveram em várias especializações, tais como a biologia, a psicologia, a sociologia e as suas posteriores ramificações. De certo modo, todas giram à volta da medicina, simultaneamente ciência e arte (ars medica) ao serviço da vida e da saúde do homem. Mas as razões, a que se acena aqui, emergem sobretudo da experiência humana que é múltipla e, em certo sentido, precede e segue a própria ciência.

Os cônjuges aprendem por experiência própria o que significam a paternidade e a maternidade responsável; aprendem-no também graças à experiência de outros casais que vivem em condições análogas, e tornam-se assim mais abertos aos dados das ciências. Poder-se-ia dizer que os «peritos» como que aprendem dos «cônjuges», para serem depois, por sua vez, capazes de instruí-los competentemente acerca do significado da procriação responsável e dos modos de a realizar.

Este argumento foi tratado amplamente nos Documentos conciliares, na Encíclica Humanae vitae, nas «Proposições» do Sínodo dos Bispos de 1980, na Exortação apostólica Familiaris consortio, e em intervenções análogas até à Instrução Donum vitae da Congregação para a Doutrina da Fé. A Igreja ensina a verdade moral acerca da paternidade e maternidade responsável, defendendo-a das visões e tendências errôneas hoje difusas. Por que motivo faz isto a Igreja? Será, talvez, porque não se dá conta das problemáticas invocadas por quantos aconselham cedências neste âmbito e procuram convencê-la inclusivamente com pressões indevidas, quando não mesmo com ameaças? Não raro, de fato, o Magistério da Igreja é acusado de estar superado já e fechado às instâncias do espírito dos tempos modernos; de realizar uma ação nociva para a humanidade, e inclusive para a própria Igreja. Ao manter-se obstinadamente nas próprias posições – diz-se -, a Igreja acabará por perder popularidade e os fiéis afastar-se-ão cada vez mais dela.

Mas como é possível sustentar que a Igreja, especialmente o Episcopado em comunhão com o Papa, seja insensível a problemas tão graves e atuais? Foi precisamente neles que Paulo VI entreviu questões de tal forma vitais que o impeliram a publicar a Encíclica Humanae vitae! O fundamento sobre o qual se baseia a doutrina da Igreja acerca da paternidade e maternidade responsável é bem amplo e sólido. O Concílio indica-o, antes de mais, no ensinamento sobre o homem, quando afirma que ele é «a única criatura sobre a terra a ser querida por Deus por si mesma» e que não pode «encontrar-se plenamente a não ser no dom sincero de si mesmo» (32). Isto porque ele foi criado à imagem e semelhança de Deus e redimido pelo Filho unigênito do Pai, feito homem por nós e para nossa salvação.

O Concílio Vaticano II, particularmente atento ao problema do homem e da sua vocação, afirma que a união conjugal, referida na Bíblia pela expressão «uma só carne», pode ser compreendida e explicada plenamente apenas recorrendo aos valores da «pessoa» e do «dom». Cada homem e cada mulher realizam-se em plenitude mediante o dom sincero de si e, no caso dos esposos, o momento da união conjugal constitui uma experiência muito particular disso mesmo. É então que o homem e a mulher, na «verdade» da sua masculinidade e feminilidade, se tornam recíproco dom. Toda a vida no matrimônio é dom; mas isso torna-se singularmente evidente quando os cônjuges, oferecendo-se reciprocamente no amor, realizam aquele encontro que faz dos dois «uma só carne» (Gn 2, 24).

Eles vivem, então, um momento de especial responsabilidade, também em razão da potencialidade procriadora conexa com o ato conjugal. Os esposos podem, naquele momento, tornar-se pai e mãe, dando início ao processo de uma nova vida humana, que depois se desenvolverá no seio da mulher. Se a mulher é a primeira que dá conta de ter-se tornado mãe, o homem com quem se uniu em «uma só carne» toma consciência, por sua vez e através do testemunho dela, de ter-se tornado pai. Da potencial e, em seguida, efetiva paternidade e maternidade, ambos são responsáveis. O homem não pode deixar de reconhecer ou não aceitar o resultado de uma decisão que foi também sua. Não se pode esconder por detrás de expressões como: «não sei», «não queria», «foste tu que quiseste». A união conjugal comporta em todo o caso a responsabilidade do homem e da mulher, responsabilidade potencial que se torna efetiva quando as circunstâncias o impuserem. Isto vale sobretudo para o homem que, apesar de ser também ele artífice do desencadeamento do processo gerador, fica biologicamente distanciado do mesmo: é na mulher, de fato, que aquele se desenvolve. Como poderia o homem não se sentir comprometido nele? Impõe-se que ambos, o homem e a mulher, assumam conjuntamente, perante si mesmos e os outros, a responsabilidade da nova vida por eles suscitada.

Esta é uma conclusão partilhada pelas próprias ciências humanas. Mas é preciso ir mais longe, analisando o significado do ato conjugal à luz dos referidos valores da «pessoa» e do «dom». É o que faz a Igreja com o seu constante ensinamento, em particular no Concílio Vaticano II.

No momento do ato conjugal, o homem e a mulher são chamados a confirmar de modo responsável o dom recíproco, que de si fizeram na aliança matrimonial. Ora, a lógica do dom ao outro na totalidade de si mesmo comporta a potencial abertura à procriação: o matrimônio é chamado assim a realizar-se ainda mais plenamente como família. Sem dúvida, o dom recíproco do homem e da mulher não tem como único fim o nascimento dos filhos, mas é em si mesmo mútua comunhão de amor e de vida. Deve ser sempre garantida a verdade íntima de tal dom. «Íntima» não é sinônimo de «subjetiva» : significa, sim, essencialmente coerente com a verdade objetiva daquele e daquela que se dão. Jamais a pessoa pode ser considerada um meio para alcançar um fim; nunca, sobretudo, um meio de «prazer». Ela é e deve ser apenas o fim de todo o ato. Somente então, a ação corresponde à verdadeira dignidade da pessoa.

Ao concluir a nossa reflexão sobre este argumento tão importante e delicado, desejo dirigir uma palavra de particular encorajamento sobretudo a vós, caríssimos cônjuges, e a todos aqueles que vos ajudam a compreender e a pôr em prática o ensinamento da Igreja sobre o matrimônio, sobre a maternidade e paternidade responsável. Penso de modo especial nos Pastores, nos muitos peritos, teólogos, filósofos, escritores e editores, que não se acomodam ao conformismo cultural dominante, mas estão corajosamente decididos a «ir contra a corrente». Aquela palavra de encorajamento vai ainda para um grupo cada vez mais numeroso de peritos, médicos e educadores, verdadeiros apóstolos leigos, para os quais a promoção da dignidade do matrimônio e da família se tornou uma tarefa importante da sua vida. Em nome da Igreja, digo a todos o meu obrigado! Sem eles, que poderiam fazer os Sacerdotes, os Bispos e até mesmo o próprio Sucessor de Pedro? Disto me fui convencendo sempre mais, desde os primeiros anos do meu sacerdócio, quando comecei a sentar-me no confessionário, para partilhar as preocupações, os medos e as esperanças de tantos esposos: encontrei casos difíceis de revolta e recusa, mas ao mesmo tempo tantas pessoas admiravelmente responsáveis e generosas! Enquanto escrevo esta Carta, tenho presente todos estes cônjuges e abraço-os com o meu afeto e a minha oração.

As duas civilizações
13. Queridas famílias, a questão da paternidade e da maternidade responsável insere-se na temática global da «civilização do amor», de que desejo falar-vos agora. De quanto ficou dito, resulta claramente que a família está na base daquela que Paulo VI designou como «civilização do amor» (33), expressão que entrou depois no ensinamento da Igreja e se tornou já familiar. Hoje é difícil pensar numa intervenção da Igreja, ou então sobre a Igreja, que prescinda da referência à civilização do amor. A expressão está ligada com a tradição da «igreja doméstica» do cristianismo nos seus primórdios, mas possui uma precisa referência também à época contemporânea. Etimologicamente o termo «civilização» deriva da palavra latina civis (cidadão), sublinhando a dimensão política da existência de cada indivíduo. Todavia o sentido mais profundo do termo «civilização» não é tanto político como sobretudo «humanístico». A civilização pertence à história do homem, porque corresponde às suas exigências espirituais e morais: criado à imagem e semelhança de Deus, ele recebeu o mundo das mãos do Criador com o compromisso de o plasmar à própria imagem e semelhança. Precisamente do cumprimento desta tarefa provém a civilização, que, em última análise, não é senão a «humanização do mundo».

Portanto, civilização tem, de certo modo, o mesmo significado que «cultura». Assim poder-se-ia dizer também: «cultura do amor», embora seja preferível ater-se à expressão tornada já familiar. A civilização do amor, no sentido atual do termo, inspira-se nas palavras da Constituição conciliar Gaudium et spes: «Cristo (…) revela plenamente o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime» (34). Por isso pode-se afirmar que a civilização do amor parte da revelação de Deus que «é amor», como diz S. João (Jo 4, 8.16), e aparece magistralmente descrita pelo apóstolo Paulo no hino à caridade da Primeira Carta aos Coríntios (13, 1-13). Tal civilização está intimamente conexa com o amor «derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi concedido» (Rom 5, 5), e cresce graças àquele cultivo constante de que fala tão incisivamente a alegoria evangélica da videira e dos ramos: «Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Toda a vara que em Mim não dá fruto, Ele corta-a, e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto» (Jo 15, 1-2).

À luz destes e doutros textos do Novo Testamento, é possível compreender o que se entende por «civilização do amor», e por que a família está organicamente unida com tal civilização. Se a primeira «via da Igreja» é a família, importa acrescentar que também a civilização do amor é «via da Igreja», que caminha no mundo e chama a seguir por tal via as famílias e as outras instituições sociais, nacionais e internacionais, precisamente por causa das famílias e através das famílias. A família depende realmente e por diversos motivos da civilização do amor, onde encontra as razões do seu ser família. E, ao mesmo tempo, a família é o centro e o coração da civilização do amor.

Não existe, todavia, verdadeiro amor sem a consciência de que Deus «é Amor», e que o homem é a única criatura na terra, chamada por Deus à existência «por si mesma». O homem, criado à imagem e semelhança de Deus, não pode «encontrar-se» plenamente senão pelo dom sincero de si. Sem um tal conceito do homem, da pessoa e da «comunhão de pessoas» na família, não pode existir a civilização do amor; e vice-versa, sem a civilização do amor é impossível um tal conceito de pessoa e de comunhão de pessoas. A família constitui a «célula» fundamental da sociedade. Mas tem necessidade de Cristo – «videira» da qual os «ramos» extraem a linfa – para que esta célula não fique exposta à ameaça de uma espécie de desenraizamento cultural, que pode vir tanto do interior como do exterior. De fato, se por um lado existe a «civilização do amor», por outro lado permanece a possibilidade de uma «anticivilização» destruidora, como se confirma hoje por tantas tendências e situações concretas.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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