Cardeal Vallini denuncia perseguição “sutil e silenciosa”

Na homilia
da tradicional missa pela França em
São João de Latrão

ROMA,
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – “Existe outra forma de perseguição”, que é
“sutil e silenciosa, mas não menos grave, nas nações de longa tradição cristã,
que hoje parecem querer esquecer suas raízes”.

O vigário
do Papa para Roma, cardeal Agostino Vallini, fez essa afirmação durante a celebração
da missa anual pela França, no dia 13 de dezembro, na catedral do Papa, a
basílica de São João de Latrão, em Roma.

“O mundo de
hoje precisa de cristãos que professem sua fé com valentia e que, também nas
dificuldades, permaneçam fiéis a Cristo, reconheçam-no e o mostrem aos homens
de nosso tempo como único Salvador”, disse.

O purpurado
começou sua homilia destacando que a história da comunidade cristã, desde o
início, esteve marcada pela perseguição.

Depois ele
recordou que “ainda hoje, em diferentes partes do mundo, os discípulos de Jesus
são objeto de vexações e cruéis violências” e se referiu a “nossos irmãos que,
nos últimos meses, têm sofrido no Oriente Médio e em alguns países da Ásia”.

Dom Vallini
chamou a atenção para outra forma de perseguição, que se dá em países cristãos,
onde a fé está “cada vez mais marginalizada e reduzida a um ato privado”.

Nesses
lugares – de acordo com o prelado – a fé não poderia ter nenhuma influência
pública e, portanto, não deveria oferecer sua contribuição para a construção de
uma sociedade autenticamente humana, em que o homem, cada homem, fosse
reconhecido pelo que é, e não pelo que tem, com base em sua dignidade.

“O
individualismo crescente e a busca do bem-estar pessoal ou nacional são o
sintoma mais evidente disso”, lamentou.

Palavra de
Deus

O cardeal
Vallini propôs a Palavra de Deus e os mártires como “uma luz” e “um dom
precioso colocado perante nós para que encontremos a força e a valentia de
viver como discípulos de Cristo”.

“A
meditação da Sagrada Escritura, através da prática da lectio divina,
encontra-se na base de toda existência que queira ser autenticamente cristã”,
afirmou.

Em seguida,
ele se referiu aos santos Bernardo de Claravall, Francisco de Sales e Teresa de
Lisieux como “exemplos luminosos de homens e mulheres” dedicados na França à
leitura orante da Palavra de Deus.

O cardeal
afirmou a necessidade de se aderir sempre a Jesus Cristo e não se deixar
intimidar pelas ideologias contemporâneas que pretendem ter autoridade sobre a
vida do homem.

“A
verdadeira liberdade é estar unido a Cristo, e a felicidade, para o homem,
consiste em doar-se a si mesmo, imitando o divino Mestre”, afirmou.

A
missa pro natione gallica se celebra todo ano em São João de Latrão, no
dia do aniversário do rei Henrique IV, que fez esta exigência ao realizar uma
doação generosa ao Capítulo de Latrão, em 1604.

Este rei
tinha herdado um reino fortemente dividido entre católicos e protestantes. Ao
se converter ao catolicismo, adotou uma legislação que concedeu aos
protestantes uma importante liberdade religiosa (Edito de Nantes, 1598), o que
permitiu pacificar o reino.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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