Cardeal Urosa: Chávez não tem licença para insultar nenhum venezuelano

CARACAS, 07 Jul. 10 / 01:52 pm (ACI).- Desde Roma, onde se
encontra nestes dias em uma reunião convocada há vários meses, o Arcebispo de
Caracas, Cardeal Jorge Urosa Savino, respondeu às agressões que o presidente
Hugo Chávez fez contra ele e o Episcopado da Venezuela no último 5 de julho
assinalando que o mandatário “não tem licença para insultar, difamar nem
injuriar nenhum venezuelano”.

Em uma declaração com data de hoje dada a conhecer pelo Escritório de
Informação da Arquidiocese de Caracas, o Cardeal Urosa assinalou que Chávez
“em várias ocasiões me agrediu verbalmente, expondo-me injustamente ao
escárnio público. Rechaço totalmente tais agressões, que desdizem de quem as
realiza”.

O Cardeal prossegue sua declaração precisando que “mais que rechaçar
ofensas se trata de denunciar o perigo que se abate sobre nossa querida Pátria.
Sem pressões de nenhum setor, e sem que ninguém me mande a dizer nada, mas
obedecendo apenas à voz de minha consciência como venezuelano e como Arcebispo
de Caracas ante a realidade que estamos vivendo, emiti algumas declarações
recolhidas em alguns meios de comunicação social. Infelizmente o Presidente, em
lugar de refletir e ponderar os argumentos expostos, e retificar sua linha de
conduta, limita-se a desqualificar e ofender”.

“Passando por cima da Constituição Nacional, o Presidente e seu governo
querem levar o País pelo caminho do socialismo marxista, que ocupa todos os
espaços, é totalitário, e conduz a uma ditadura, nem sequer do proletariado,
mas sim da cúpula que governa. Contrariando a vontade popular, que em 2 de
dezembro de 2007 rechaçou a proposta de reforma estatizante e socialista da
Constituição nacional, através de leis inconstitucionais se pretende implantar
na Venezuela um regime marxista, como abertamente o proclamou em repetidas
ocasiões o Presidente”.

“Tal conduta é inconstitucional e ilegal, mas sobre tudo, atenta contra os
direitos humanos, civis e políticos dos venezuelanos. O fracasso do socialismo
marxista em outros países é mais que evidente”, acrescenta.

O Arcebispo de Caracas assinala também que “a pretensão de monopolizar
todas as atividades produtivas através, por exemplo, da progressiva acumulação
da importação, distribuição e comercialização de mantimentos, vai na linha de
desmontar o aparelho produtivo nacional para que todos dependamos do governo
até para comer. Isso a quem beneficia? Não os produtores, camponeses e
operários venezuelanos, mas sim os de outros países, e, junto com o progressivo
endividamento do país, conduz à ruína de nossa economia assim como a uma
dependência estrangeira, totalmente contrária à necessária soberania
alimentar”.

“Preocupado por instaurar o sistema socialista marxista, o governo
descuida suas tarefas constitucionais primárias: proteger a segurança do povo
golpeado especialmente nos setores mais pobres pela violência e a delinqüência;
promover uma melhor assistência no campo da saúde, construir e manter a
infra-estrutura de estradas e meios de transporte, etc.”, continua

Sacerdotes apóiam o cardeal

 

CARACAS, 07 Jul. 10 / 01:56 pm (ACI).- Em um comunicado
dado a conhecer na tarde de ontem, os membros do Conselho Presbiteral da
Arquidiocese de Caracas deploram as agressões do presidente Hugo Chávez contra
o Cardeal Jorge Urosa, a quem na segunda-feira 5 de julho qualificou de
“troglodita”, “indigno cardeal”, entre outras coisas.

No texto dado a conhecer pelo Escritório de Informação da Arquidiocese de
Caracas se destaca que “lamentamos e rechaçamos profundamente que o
Presidente da República, presidente de todos os venezuelanos, utilize os meios
de comunicação, em cadeia nacional e em uma data pátria tão significativa como
o passado 5 de julho, data cujo significado está chamado a unir a todos os
venezuelanos que amamos este país, para ofender e expor ao escárnio público um
cidadão venezuelano, amplamente conhecido em nível nacional e internacional por
sua trajetória cívica, como Arcebispo de Caracas e logo como Cardeal da Igreja
Católica
“.

Depois de recordar que o Cardeal Urosa tem direito a expressar-se e opinar para
contribuir ao bem comum, o comunicado indica que “como Arcebispo de
Caracas tem pleno direito, mais ainda, tem o sagrado dever de orientar a todos
os católicos a respeito dos princípios e valores religiosos e morais que estão
em jogo na atual conjuntura social e política do nosso país. Isto é parte
irrenunciável do seu ofício de Pastor principal de nossa Igreja
de Caracas e de membro eminente do Episcopado venezuelano”.

“Neste sentido é de destacar-se que todas suas declarações públicas em
temas que afetam a coletividade e portanto o bem comum, foram muito pontuais e
específicas e foram feitas desde o plano dos grandes princípios do Evangelho, e
da aplicação sistemática deste ao campo dos temas sociais, quer dizer, da
doutrina social da Igreja”, prossegue.

Referindo-se logo às agressões de Chávez, o comunicado assinala que com elas o
mandatário “desconheceu publicamente e exortou a desconhecer, a
legitimidade dos pastores que foram escolhidos pelo Santo Padre o Papa, o
Sucessor de São Pedro”.

“Em tal sentido, rechaçamos a pretensão de ingerência do Primeiro
Magistrado sobre as decisões internas da Igreja, no que diz respeito à
designação dos membros de sua Hierarquia. O Santo Padre, como Pastor Universal
da Igreja Católica, goza de total autonomia e liberdade para nomear aos bispos
para as diversas sedes diocesanas no mundo inteiro e para instituir aos membros
do Colégio Cardinalício“, acrescenta.

Finalmente o texto afirma que “o clero da Arquidiocese, junto com seus
paroquianos, reitera sua inquebrável comunhão com o Arcebispo de Caracas, o
Cardeal Jorge Urosa Savino, nosso legítimo Pastor”.

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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