Cardeal Koch: “nosso mistério é o da cruz” (1)

Testemunho do presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos
 
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 10 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Com só 13 anos de serviço episcopal, Dom Kurt Koch, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, recebeu a nomeação para cardeal, “com os mesmos pensamentos de John Henry Neewman quando foi nomeado pelo Papa Leão XIII”, quer dizer, “muito surpreso”, segundo confessou a ZENIT.
Ele disse que não esperava ser nomeado para este consistório porque está na presidência do dicastério há apenas quatro meses, mas crê que a elevação ao cardinalato é “um sinal da importância que o Santo Padre quer dar ao ecumenismo”.
“Pertencer ao colégio cardinalício, mais que uma honra, é um desafio: estar disponível para dar tudo pela Igreja e ter uma relação próxima com o Santo Padre”, assegura o purpurado.
Dom Koch, pessoa muito próxima de Bento XVI, de quem recebeu o capelo cardinalício no dia 20 de novembro, tem 60 anos. Nasceu em Emmenbrücke, província de Lucerna (Suíça). É o nono cardeal da história desse país.
Ele foi ordenado sacerdote em 1982 e trabalhou como vigário na paróquia St. Marien, em Berna, até 1985. É doutor e foi professor de teologia moral no instituto catequético da faculdade de Lucerna, e de teologia fundamental no curso de teologia para leigos católicos, em Zurique. É autor de diversos livros.
Em 1997, João Paulo II o nomeou bispo da Basileia, uma experiência que lhe trouxe “uma grande alegria” e o lançou ainda mais no trabalho ecumênico, porque o ecumenismo “sempre esteve em meu coração, já que no meu país os protestantes são muito próximos. Também tenho um grande interesse pelas igrejas ortodoxas”, afirma.
“As Igrejas e as comunidades eclesiais da Reforma na Suíça são um caso especial”, pontualiza o cardeal Koch. “O grande desafio é o diálogo ecumênico entre católicos e ortodoxos. Com eles há outro modo de fazer ecumenismo, que nem sempre é fácil”, assegura.
Entre os anos 2006 e 2010, o purpurado foi nomeado presidente da Conferência Episcopal Suíça. “Foi um bom trabalho”, recorda. “Sendo presidente, pude olhar muito a Igreja na Europa e o trabalho da diocese continuava, por isso, era importante traçar objetivos comuns, tarefa nem sempre fácil”.
Ele assegura que esses quatro meses como chefe do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos foram “uma bela experiência ecumênica”. “Estou muito feliz de ter essa responsabilidade”.
O cardeal afirma que nos encontros com os líderes de outras confissões cristãs pode-se apresentar a Igreja católica “e sua identidade está muito aberta a todos os cristãos e a este mistério.”
Dom Koch confessa que do momento em que recebeu o capelo cardinalício, ficou marcado na memória receber o anel no dia seguinte ao consistório: “me comoveu muito”, especialmente “a homilia do Santo Padre”.
“Jesus pode construir em nós sua Igreja na medida em que encontra em nós essa fé verdadeira, pascal, essa fé que não quer fazer baixar Jesus da cruz, mas que se confia a Ele na cruz”, disse Bento XVI no dia 21 de novembro, nessa homilia.
“O primado do sucessor de Pedro é um primado da cruz e no cordeiro permanece ainda a imagem da cruz. É uma demonstração viva de que o Senhor sofreu por nós”, concluiu o cardeal.
(Carmen Elena Villa)

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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