Brasil: os 80 anos do Cristo Redentor

O homem é um ser simbólico, assim, nenhuma dimensão de sua vida pode fugir a essa regra ou correrá o risco de perder o sentido. Também na dimensão da fé somos seres simbólicos. Simbolizamos o nosso crer através de diversos elementos que, no seu sentido profundo, nos despertam para o que nos supera e transcende.

O Brasil, esta nação “abençoada por Deus”, carrega gravado no coração a força inequívoca de muitos símbolos que manifestam o coração, a alma, a vida e esperança de nossa gente. Se alguns insistem em pelejar pela extinção de nossos símbolos com a pretensa falaciosa afirmação de que o estado é laico, nós não apenas afirmamos que, de fato, o é, mas a nação, que precede o estado e dá o sentido de sua existência, essa não é laica: é religiosa, e mais, é cristã e, sobretudo, fundada sob a égide da fé católica.

Assim, o monumento a Nosso Senhor Jesus Cristo Redentor, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, evoca aquilo que a nação brasileira possui de mais originalmente seu: evoca a fé de nosso povo desde os tempos mais remotos.

O belíssimo monumento ao Cristo Redentor, uma das sete maravilhas do mundo moderno, Santuário Arquidiocesano, em cujo interior foi entronizada a imagem da Virgem Aparecida, é um dos nossos símbolos mais emblemáticos e conhecidos. A ideia de sua construção remonta a tempos bem mais antigos. Já nos tempos do Império, a Princesa Isabel, na época da assinatura da Lei Áurea, diante da homenagem que lhe queriam prestar erigindo uma estátua como “redentora”, não aceitou o pedido, conforme o aviso de 2 de agosto de 1888, dizendo que deveriam homenagear o verdadeiro “redentor dos homens” com uma imagem ao Sagrado Coração de Jesus.

Houve também um sacerdote da Congregação da Missão, Padre Pedro Maria Boss, que escreveu um poema (1903) dizendo que o Corcovado era o pedestal criado para receber a imagem de Jesus. A obra seria executada, de fato, pelo meu predecessor, o eminente Cardeal Sebastião Leme da Silveira Cintra, a quem se devem a ideia, o concurso, os trabalhos, as opções feitas, a liderança para angariar fundos e finalmente a inauguração desse monumento ao Cristo Redentor. Ele que, irmanando não apenas à Arquidiocese da Capital da República, à época a cidade do Rio de Janeiro, mas a todo o Brasil Católico, fez por erguer aquele verdadeiro testemunho de fé e de crença do povo brasileiro.

É um monumento concebido, feito, custeado e sonhado por brasileiros, com colaborações internacionais para algumas etapas e um grande desafio para a engenharia da época. Mesmo com as dificuldades e oposições da época, foi erguido esse ícone nacional, que transcende a cidade do Rio de Janeiro e a própria Igreja para ser o sinal de uma nação. Na ocasião da inauguração, há oitenta anos, na presença do Presidente da República, do governo e de todo o corpo diplomático, Sua Eminência, o Cardeal Leme, em eloquentes palavras, poria fim à aversão existente entre o Estado Brasileiro e a Igreja, que se prolongava desde a proclamação da República, marcando uma nova fase de cooperação e ajuda mútua. Disse o Cardeal da Santa Igreja Romana, Dom Leme, que no passado sintetizou o que hoje e amanhã sempre será o monumento aniversariante.

“Cristo Impera e o Seu império é o império da paz, do amor, da misericórdia e do perdão! Aqui na terra, enluarada pela visão branca do Cristo, não há vencedores nem vencidos. Somos todos irmãos, filhos da mesma pátria, membros da mesma família. Ao gesto amoroso de Cristo, que abre os braços acolhedores a todos os brasileiros, sem distinção de classes e de crenças, deve responder o gesto patriótico do amplexo fraternal de todos os filhos e habitantes desta terra bendita. Que sob o olhar divino de Cristo estale o Brasil o beijo meigo da paz!”??

“Cristo vence! E porque esta terra é sua, ela nunca será vencida pelo estrangeiro invasor, nem retalhada pela guerra civil.”

“Cristo reina! E deste reino nunca será desterrada a cruz da sua e da nossa bandeira. Já hoje seria preciso um cataclisma para fazer desmoronar a montanha escarpada que transformamos em trono perpétuo do Redentor. Seria preciso calcinar o granito do Corcovado; seria preciso calcinar o Corcovado dos nossos corações.” “Seremos o doce império em que não há lugar para tiranias. Nem a tirania de capitalismos vorazes. Nem a tirania de demagogismos sangrentos. Nem a tirania dos potentados. Nem a tirania do povo.”

“Christus vincit, Christo regnat, Christo imperat, et Brasiliam suam ab omni malo defendat!” “Cristo vence, Cristo reina, Cristo impera, e contra todos os males defenda o Seu Brasil”.

Ao celebrarmos os 80 anos do monumento-síntese do Brasil, quero agradecer a tantos quantos, no passado como no presente, lutaram pela edificação deste sinal de nossa fé! Com o Cardeal Leme, este mínimo seu sucessor, filho da Ordem Cisterciense, que sucedendo a eminentes Cardeais que regeram esta Igreja, genuflexo diante da beleza de tudo o que significa e representa para nós o Cristo Redentor, em nome da Igreja e dos católicos da cidade, do Estado do Rio de Janeiro e de todo o Brasil. Eu novamente proclamo, com renovada fé, pedindo a proteção do Redentor para todos nós.

“Christus vincit, Christo regnat, Christo imperat, et Brasiliam suam ab omni malo defendat!”

“Cristo vence, Cristo reina, Cristo impera, e contra todos os males defenda o Seu Brasil”.

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por Dom Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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