Babel e Pentecostes

A Solenidade de Pentecostes nos ensina algo também sobre a Torre de Babel. Este foi um acontecimento narrado no Gênesis para revelar a desunião da humanidade criada por Deus. O pecado do orgulho e da soberba separou os homens em povos distintos e inimigos.  Foi o acontecimento da separação.

O Papa Bento VI em sua homilia na missa de Pentecoses de 25/5/2012, explicou o acontecimento da Torre de Babel, disse: “Babel é a descrição de um reino no qual os homens concentraram tanto poder ao pensar que não deveriam mais fazer referência a um Deus distante e serem assim fortes para poder construir sozinhos um caminho que os levasse ao céu para abrir as portas e colocarem-se no lugar de Deus”.

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/homilies/2012/documents/hf_ben-xvi_hom_20120527_pentecoste_it.html

Ai aconteceu um fato estranho e inesperado: enquanto os homens trabalhavam juntos para construir a torre, de repente, eles perceberam que uns estavam contra os outros. Querendo ser como Deus, mas independente dele, se arriscaram a perder o que é fundamental para o ser humano: a capacidade da união, da cooperação mútua e do trabalho conjunto.

Hoje o fenômeno se repete em nosso mundo. O homem, fascinado pela técnica e pela ciência já não precisa mais de Deus; se basta, já é capaz até de fabricar seres vivos e almeja até substituir Deus na criação do ser humano.

Diz o Papa Bento XVI que:  “Nesta situação, rezar a Deus parece algo ultrapassado, inútil, porque nós mesmos podemos construir e realizar tudo aquilo que queremos. Mas não nos notamos que estamos revivendo a mesma experiência de Babel”.  E pergunta: “É verdade, multiplicamos as possibilidades de comunicação, do acesso a informações, de transmissão de notícias, mas podemos dizer que cresceu a capacidade de compreensão ou talvez, paradoxalmente, nos compreendemos sempre menos? Entre os homens não parecem serpentear talvez um sentimento de desconfiança, suspeita, medo recíproco, até o ponto de se tornar perigo um para o outro?” (idem).

Pentecostes é a festa da unidade, é o oposto da Torre de Babel. A união substitui a separação; vários povos ouviram os Apóstolos na mesma língua, e entenderam que glorificavam a Deus. Eles não quiseram se fazer deuses e nem colocarem-se no lugar de Deus, mas, o adoraram como verdadeiro Senhor do Universo, e por isso se uniram. Não se colocaram uns contra os outros porque não quiseram se fazer deuses.

Babel gerou a confusão, o que São Paulo chamou de “obras da carne” (Gl 5,20): fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. São Paulo pede aos coríntios que se deixem conduzir pelo Espírito Santo para não satisfazer os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito. E o Apóstolo disse-lhes os que praticarem as obras da carne não herdarão o Reino de Deus.

Ao contrário, o fruto de Pentecostes é o “fruto do Espírito”: caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. São as obras daqueles que vivem pelo Espírito.

 Prof. Felipe Aquino

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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