Ataque de feministas a uma igreja católica em Barcelona também é um atentado contra a democracia

REDAÇÃO CENTRAL, 13 Abr. 11
/ 06:22 pm (ACI) O reitor da paróquia San Vicente
de Sarriá, Barcelona (Espanha), Pe. Manuel Valls, lamentou o atentado contra o
templo na noite do dia 22 de março e assinalou ao grupo ACI que o fato
“vai contra a própria democracia, vai contra o civismo, vai contra uma
convivência cívica que crentes ou não crentes desejam e querem promover”.

No dia 27 de março um suposto
grupo de feministas assumiu na página web saboteamos.info a autoria da queima
da porta principal da paróquia San Vicente de Sarriá. “Embora também
estivesse em nossos objetivos gerar um dano material, e assim foi, esta ação é
principalmente simbólica”, indicaram.

As supostas autoras afirmaram que
“a igreja simboliza e representa a opressão histórica e atual sobre tudo
para nós como mulheres, decidindo sobre nossos corpos e nossas vidas, nosso
papel e nossos papéis nesta sociedade patriarcal. Não é coincidência que
tenhamos eleito como objetivo este bairro burguês, onde tanto a instituição
eclesiástica como a direita conservadora está muito presente”.

Em declarações à Agência ACI
Prensa no último dia 8 de abril, o sacerdote condenou o ataque e recordou
anteriores atentados a este e outros templos de Barcelona, que estão inspirados
“nos fatos da Semana Trágica de Barcelona”, que entre em 26 de julho
e 2 de agosto de 1909 terminou na queima de igrejas e conventos pelas mãos de
grupos anarquistas, que usaram a Igreja como “bode expiatório” para
protestar contra a guerra do Marrocos.

“Foi uma coisa que está
estudada e está documentada. Foi uma coisa muito grave, e um prelúdio também da
perseguição religiosa quando estalou a Guerra Civil, que aqui na Catalunha e em
Barcelona foi especialmente virulenta, quer dizer matou-se muita gente, muitos
sacerdotes em toda Catalunha, muitos seculares, sem julgamentos, sem
nada”.

Ele acrescentou que
“portanto há um autor intelectual que se serviu de, ou serviu, não sei
quem”. “São mulheres realmente (os autores do ataque)? Não
sabemos”, acrescentou o Pe. Valls.

Sobre a ação das autoridades,
disse que a anterior administração, que estava nas mãos da esquerda, não
parecia ter muita vontade de esclarecer os ataques; entretanto, aparentemente
“o novo Conselheiro Felip Puig e o mesmo Presidente da Generalitat
(Prefeitura da Catalunha) estão interessados”, mas não sabe “até onde
chegarão”.

Depois de assinalar que falta um
pouco mais de vigilância na região, o sacerdote disse à nossa agência em
espanhol que os fiéis lamentaram e condenaram o atentado. “Não é nenhuma
boa notícia que se queime a porta da paróquia de Sarriá, que além disso é uma
paróquia das poucas abertas em Barcelona todo o dia, e muito visitada”.

O Pe. Valls afirmou que não
deseja “cair em uma espécie de confrontação”, mas recordou que
“a liberdade de expressão tem uns limites, sobre tudo quando ofende”.
Do mesmo modo, rejeitou que se queira acusar a Igreja de oprimir as mulheres.

“Se (estes ataques) se
repetem, pois rezaremos mais, e que não percamos o senso de humor, a paciência,
a cautela, a prudência, que nos mantenhamos na paz interior e a quietude que dá
a oração, a liturgia e rezar também por estas pessoas, porque também o Senhor
nos convida a rezar pelos que nos perseguem”, finalizou

 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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