Aspectos Internacionais da Bioética – Final

8 – Pistas para reflexão e ação
 
Diante de tudo isso o que podemos fazer para defender nossos valores cristãos, nossa cultura, a família e a vida?
Analisemos algumas pistas para reflexão.
1) Divulgue informações. A mãe procura o aborto porque não sabe a verdadeira natureza desse crime.  Os pais não se movimentam em protesto porque desconhecem o que estão ensinando a seus filhos nas escolas. Os parlamentares defensores do aborto são reeleitos porque os eleitores não estão informados de seu trabalho antivida. Muitos deputados e senadores não sabem que estão sendo “usados” por grupos internacionais de controle populacional.
 
2) Informe-se para não se deixar levar pela mentira.  Como a verdade não serve aos interesses dos promotores da “cultura da morte” mente-se e repete-se a mentira para tentar convencer os incautos dos benefícios de seus projetos. Eufemismos são utilizados para enganar os desinformados.  O aborto foi introduzido nos EE.UU. por uma mentira: a mulher, que requereu à Suprema Corte o direito de abortar, confessou que nem grávida estava; o Presidente Clinton ao vetar a lei que proibia o aborto a nascimento incompleto o fez baseado em declarações de que se aplicava apenas nos casos de risco de vida da mãe ou de má formação congênita e que esses casos seriam raríssimos. Hoje o Presidente da Associação de Clínicas de Aborto nos EE.UU. que congrega mais de 200 dessas clínicas confessa que mentiu ao dar aquelas informações e que na quase totalidade dos casos (10.500 e  não alguns casos com faria crer) mães e filhos estavam  sadios. 
Entre nós as mentiras se repetem: 400 mil mulheres morrem por abortos clandestinos! quando sabem que esses casos não chegam a uma centena.  O PL 20/91 que pretende regulamentar os casos de aborto por estupro e risco de vida da mãe na verdade torna o aborto livre e a pedido.  A Norma Técnica do Ministério da Saúde que pretende orientar abortos no caso de estupro repete aquele projeto de lei e torna o aborto a pedido.
Queremos que o casal decida quantos filhos deseja ter e colocar a sua disposição os meios e métodos para isso. Na realidade o número de filhos pode ser qualquer um, contanto que seja de 2 filhos por casal. 
Estamos defendendo o direito da mulher, quando na verdade estão defendendo os interesses internacionais e explorando a mulher.  Nossa organização de mulheres defende a causa da mulher. Quando na verdade está sendo paga para isso; e muito bem paga para defender interesses do imperialismo internacional. etc.
 
3) Atue na politica.  Quando elegemos alguém para um cargo político (deputado, senador, presidente da república, governador, prefeito, vereador) estamos passando uma procuração para que, em nosso nome, possa dizer o que é melhor para a comunidade.  Assim, devemos acompanhar o trabalho dos que se elegeram com nosso voto para saber como estão procedendo. Dessa maneira podemos parabenizá-los quando desenvolvem um trabalho que atende a nossas expectativas, ou censurá-los quando se pronunciam ou votam contra a intenção para a qual demos nosso voto.  O que acontece é que cumprimos a obrigação do voto e não sabemos mais o que acontece com o eleito. Até mesmo nos esquecemos em quem votamos nas últimas eleições. Ora o político é assediado pelos mais variados “lobbies” e a tendência é de atender a essas pressões.  Mas se os eleitores se manifestam e alertam para o problema o político “acorda”. Entre o “lobby” e o eleitor, sem nenhuma dúvida o político atenderá ao eleitor.  Isso porque o político está sempre pensando nas próximas eleições e o “lobby” por mais dinheiro que tenha não vence o eleitor esclarecido. A única coisa que convence o parlamentar é a possível perda de votos.
 
4) Fortaleça os movimentos que trabalham em defesa da vida. Enquanto os defensores da “cultura da morte” investem milhões de dólares e têm um verdadeiro exército de funcionários regiamente pagos, os movimentos de defesa da vida e da família vivem de esmolas e da generosidade de uns poucos abnegados. É uma verdadeira luta de David X Golias.
O ingresso de voluntários nos movimentos pró-vida e a ajuda financeira para esses movimentos muito ajudariam a luta em defesa da vida.
Os recursos financeiros podem ser conseguidos com patrocínio para publicação, contribuições mensais ou anuais de associados, promoções diversas etc.
 
9 – Propostas de trabalho:
 
1) Constituição de um grupo de estudos para estudar documentos e repassar aos demais; (documentos da Igreja: “Evangelium Vitae”; Donum Vitae; Sexualidade Humana – verdades e significado;  manuais de educação sexual, projetos de lei de interesse da vida e da família, documentos diversos relacionados com o controle de população)
2) criação de uma rede de informação-articulação para acompanhamento do trabalho legislativo no que se refere a defesa da vida e da família;
3) constituição de grupos de pressão à nível de paróquia ou de diocese para pressionar os parlamentares através de carta, telefonemas, faxes, abaixo-assinados etc a não votarem em projetos contrários à vida e à família.  Esses mesmos grupos devem manifestar sua satisfação quando o vereador, o deputado ou senador faz um pronunciamento ou dá um voto em favor da vida. Colocação de faixas saudando o parlamentar que votou em favor da família e da vida.
4) grupo de palestras. Prepare uma equipe para palestras sobre abortos, métodos naturais de planejamento familiar, educação para a castidade etc;
5) Participe da Pastoral Familiar e seu bispo e seu pároco a formar movimentos de casais e de jovens para estudar e debater esses assuntos.
6) Ajude financeiramente e apóie, com seu trabalho, nas horas vagas a Pastoral Familiar, os Movimentos em Defesa da Vida e da Família.
7) Ajude a criar um movimento em defesa da vida e da família . Se ainda não há, em sua diocese, um movimento para defesa da vida e da família ajude seu bispo a cria-lo
Finalmente, lembre-se que o trabalho em defesa da vida é realizado em 3 etapas: 1° informar; 2° informar e 3° continuar informando. 
 
Termino com estas palavras do Prof. Jérôme Lejeune:
“No comportamento social, separar o prazer e o amor da reprodução e, por consequência, do filho, é um erro de método.  Isso pode assim ser resumido:
 
a pílula significa fazer amor sem fazer filho;
a fecundação extracorpórea significa fazer filho sem fazer amor;
o aborto significa desfazer o filho e a pornografia ou promiscuidade significam desfazer o amor.
Nada disso é compatível com a dignidade humana.”
Revista VEJA, 26 de outubro, 1994, pág. 84-86)
M.Sanger, Pivot of Civilization (New York, Bretano´s), 1922 p. Father of Modern Society, Elasah Drogin.
Implications of Worldwide Population Growth for U.S. Security and Overseas Interests, 1994, documento classifidcado como “Confidencial” liberado pela Casa Branca em 1989.  Esse documento foi enviado pelo então Secretário de Estado, Henri Kissinger a todas as embaixadas norte-americanas, em maio de 1976, através de ofício confidencial.
“Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes”, assinada no dia 09 de novembro de 1998, pelo Ministro da Saúde, José Serra.
– Lexicon – Termini ambigui e discussi sobre famiglia vita e questioni etiche – Pontifício Conselho para a Familia – Edizioni Dehoniane Bologna, 2003.
B I B L I O G R AF I A

01 – “Evangelium Vitae” – Encíclica do Papa João Paulo II.
02 – “Donum Vitae” – Instrução sobre o Respeito à Vida Nascente e a Dignidade da ProcriaçÃo. Congregação para a Doutrina da Fé
03 – Sexualidade Humana – Verdades e Significado – Orientações educacionais em família, documento do Pontifício Conselho para a Família.
04 – Os Fatos da Vida – Brian Clowes, PhD, tradução da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família – PROVIDAFAMÍLIA
05 – Quem Decide?  Poder Política e Controle de População – Tradução da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família – PROVIDAFAMÍLIA
06 – Aborto: Aspectos Políticos – Prof. Michel Schooyans, Editora Marques Saraiva.
07 – Aborto Direito à Vida – João Evangelista dos Santos Alves, Dermival da Silva Brandão e outros – Agir.
08 – Inventory of Population Projects in Developing Countries Around the World – Publicação do Fundo de População das Nações Unidas – publicação bi-anual.  A PROVIDAFAMÍLIA tem o extrato dessa publicação na parte referente ao Brasil.
09 – Projetos de Lei de interesse da vida e da família, em tramitação no Congresso Nacional.
10 – Margareth Sanger, Father of Modern Society – Elasar Drogin, CUL Publications, New Hope, KY 40052, 1986
11 – Linda Gordon, Woman´s Body, Woman´s Right: A Social History of Birth Control in America
12 – Cartilhas e manuais de educação sexual publicadas pelo MEC e MS  -encontradas nas escolas e secretarias estaduais de educação.
13 – Lexicon – Termini ambigui e discussi sobre famiglia vita e questioni etiche – Pontifício Conselho para a Familia – Edizioni Dehoniane Bologna, 2003.
14 – Os riscos éticos da globalização, Michel Schooyans – Premius Editora, Fortaleza, CE, 2003

(Conferência Pastoral Familiar – Mariápolis, SP, em 16.05.2003)

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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