Arcebispo deplora que a liberdade dos católicos argentinos seja coibida

Dom Héctor Aguer, Arcebispo de La Plata, Argentina.
 
LA PLATA, 12 Nov. 10 / 02:33 pm (ACI).- “Seria inconcebível que em nome da neutralidade religiosa do Estado a liberdade dos católicos seja coibida”, assinalou o Arcebispo de La Plata e Presidente da Comissão Episcopal de Educação da Argentina, Dom Héctor Aguer, durante a homilia da Missa com a que concluiu o V Encontro Nacional de Docentes Universitários Católicos (ENDUC).

Dom Aguer afirmou que “na atualidade se registra uma tendência alarmante” do Estado que “em algumas de suas estruturas, em alguns de seus representantes, parece deslizar-se da neutralidade à perseguição” ao catolicismo.

“Na Argentina de hoje”, assinalou o Arcebispo “em nome da neutralidade do Estado, como uma reciclagem do velho laicismo, propõe-se suprimir os símbolos sagrados do cristianismo dos lugares públicos e em nome da não discriminação tenta-se proibir que proclamemos abertamente verdades fundamentais da ordem natural que, esclarecidas pela Revelação, integram o patrimônio da doutrina católica”.

“Nas universidades nacionais há plena liberdade para transmitir ideologias subversivas e para burlar-se do cristianismo, entretanto o católico deve ocultar pudorosamente sua convicção da verdade, sob pena de ser marginalizado e açoitado” lamentou o Arcebispo de La Plata.

Por isso, Dom Aguer considera urgente dizer “aos católicos comprometidos na política, a todo cidadão católico, aos universitários e profissionais, aos homens e mulheres da cultura”, que lhes “corresponde sustentar com lucidez e valentia, iluminados pela Verdade e impulsionados pela Caridade, os princípios não negociáveis dos quais depende o futuro da sociedade argentina”.

Os católicos “devem exercer e reclamar o direito que corresponde à religião católica, em razão de sua verdade intrínseca e de seu peso na tradição nacional, a uma serena presença em todos os âmbitos da vida pública, ao serviço da justiça, da concórdia, da solidariedade”.

O Arcebispo de La Plata assinalou que os católicos leigos devem assumir os princípios “da defesa da vida da concepção até seu fim natural”, desde “o amparo e valoração da família fundada sobre a união estável do varão e da mulher”, e de “a liberdade das famílias para educarem os seus filhos segundo suas convicções religiosas e morais, até e sobre tudo na escola estatal; a reforma do Estado em vista do bem comum, da primazia do trabalho e da luta contra a pobreza”.

O aporte dos universitários católicos não se reduz “ao terreno político e social mas se estende a todo o campo da cultura”, explicou o Arcebispo, “seja em nossas próprias instituições, já em outros espaços acadêmicos, eles podem brindar uma colaboração específica ao avanço da ciência e ao desenvolvimento tecnológico. A razão iluminada pela fé ajuda a investigação científica a não enclausurar-se nos limites do cientificismo positivista, para descobrir a continuidade real do conhecimento e reconhecer a dimensão metafísica da realidade e suas consequências éticas”.
 

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    Sobre Prof. Felipe Aquino

    O Prof. Felipe Aquino é doutor em Engenharia Mecânica pela UNESP e mestre na mesma área pela UNIFEI. Foi diretor geral da FAENQUIL (atual EEL-USP) durante 20 anos e atualmente é Professor de História da Igreja do “Instituto de Teologia Bento XVI” da Diocese de Lorena e da Canção Nova. Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, título concedido pelo Papa Bento XVI, em 06/02/2012. Foi casado durante 40 anos e é pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova.
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